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ARTIGOS

Setembro 2019

Suicídio. É possível prevenir.

Mulher tapando o rosto com as mãos

Durante este mês se realiza no Brasil o Setembro Amarelo - conjunto de ações visando a prevenção do suicídio.

O tamanho do problema
Uma pessoa morre por suicídio no mundo a cada 40 segundos. No Brasil, uma a cada 46 minutos. Em 2016 foram notificadas 11.433 mortes por essa causa no país. A Organização Mundial da Saúde estima que, para cada pessoa que morre por suicídio, até outras vinte tentem sem sucesso, podendo carregar diferentes sequelas pelo resto da vida.

O suicídio
Todo suicídio é uma tragédia. Pela pessoa que se vai, como também pelo grande sofrimento e culpa que pode trazer aos que a cercam. Os motivos exatos que levam uma pessoa ao ato extremo de atentar contra a própria vida são complexos e às vezes não completamente entendidos. De maneira geral, os especialistas apontam para uma multi-causalidade, que nenhum fator isolado provoque o ato suicida, mas sim a interação entre fatores biológicos, psicológicos, sociais, ambientais e culturais.

Às vezes é difícil ao entorno do potencial suicida perceber que ele tem pensamentos nessa direção ou já planeja o próprio fim. Porém, em outros casos, os suicidas em potencial podem manifestar sinais de alerta que permitam à própria pessoa, ou amigos e familiares, perceberem que seria necessária uma intervenção. Em alguns desses casos pode ser possível prevenir que o suicídio aconteça.

O Setembro Amarelo
O Setembro Amarelo é uma iniciativa de comunicação para levar ao engajamento a sociedade civil e os governos visando a diminuição do número de suicídios. No Brasil é apoiada pelo Ministério da Saúde, ABP - Associação Brasileira de Psiquiatria e o CVV - Centro de Valorização da Vida, uma associação civil sem fins lucrativos, filantrópica, reconhecida como de Utilidade Pública Federal, desde 1973.

Os sinais
Não há uma fórmula única ou fácil para se identificar uma pessoa com tendências suicidas, ou que esteja passando por um crise crise que possa levá-la ao ato, mas existem fatores cuja existência, aparecimento ou agravamento, ou mais ainda sua interação, sugerem a necessidade da busca de ajuda profissional.

Fatores relacionados ao comportamento:
- Demonstração de preocupação ou interesse na própria morte ou ainda falta de esperança, em conversas, textos ou desenhos
- Expressão de ideias ou intenções suicidas como forma de tentar acabar com o sofrimento, por exemplo "Vou desaparecer.” “Vou deixar vocês em paz.” “Eu queria poder dormir e nunca mais acordar.” “É inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar.”
- Isolamento: evitar interações sociais pessoais, por telefone ou internet.
- Diminuição do auto-cuidado: diminuição dos cuidados com higiene pessoal, dieta e vestimenta.
- Diminuição ou fim de atividades de lazer, hobbies e passatempos que a pessoa sempre gostou
- Choro frequente

Fatores sociais/pessoais:
- DIficuldades econômicas e perda de emprego
- Conflitos familiares, separações, divórcios (da própria pessoa ou dos pais)
- Perda de um ente querido
- Sofrimento continuado no trabalho ou na escola
- Doenças dolorosas, crônicas, incapacitantes ou incuráveis

Fatores históricos:
- Diagnóstico anterior de depressão ou ansiedade
- Histórico de depressão ou ansiedade na família
- Histórico de tentativa de suicídio anterior

Câncer e suicídio
Os pacientes de câncer têm um risco de 2 a 3 vezes maior que a população em geral de tentar o suicídio. É comum a pessoa se sentir presa, sobrecarregada, sem esperança, sem valor ou culpada ao enfrentar uma doença grave e um tratamento que pode ser severo. Isso pode levar a pensamentos suicidas.

Além disso alguns efeitos colaterais do tratamento do câncer, quando não devidamente controlados, como dor, insônia, fadiga e náusea podem causar depressão - uma condição mental que pode levar ao suicídio. Também alguma medicações usadas no tratamento do câncer, como esteróides, podem provocar ou agravar a depressão. Soma-se a isso que os pacientes de alguns tipos de câncer têm risco estatístico ainda maior de vir a desenvolver depressão: câncer do pulmão, próstata e pâncreas.

O que fazer
Primeiro, se o leitor deste artigo consegue se perceber nas condições de risco descritas neste artigo, saiba que tem o direito de: Ser respeitado e levado a sério; Ter o seu sofrimento levado em consideração; Falar em privacidade com as pessoas sobre você mesmo e sua situação; Ser escutado e Ser encorajado a se recuperar. E que pode e deve procurar ajuda.

Esta ajuda pode ser encontrada pública e gratuitamente nos CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde). UPA 24H, SAMU 192, Pronto Socorro; Hospitais e no Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita).

O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, email, chat e voip 24 horas todos os dias. A ligação para o CVV em parceria com o SUS, por meio do número 188, são gratuitas a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular.

Se você é familiar ou amigo de uma pessoa onde percebeu os fatores de risco descritos neste artigo, as recomendações do Ministério da Saúde a este respeito são:
- Encontre um momento apropriado e um lugar calmo para falar sobre suicídio com essa pessoa. Deixe-a saber que você está lá para ouvir, ouça-a com a mente aberta e ofereça seu apoio.
- Incentive a pessoa a procurar ajuda de profissionais de serviços de saúde, de saúde mental, de emergência ou apoio em algum serviço público. Ofereça-se para acompanhá-la a um atendimento.
- Se você acha que essa pessoa está em perigo imediato, não a deixe sozinha. Procure ajuda de profissionais de serviços de saúde, de emergência e entre em contato com alguém de confiança, indicado pela própria pessoa Se a pessoa com quem você está preocupado(a) vive com você, assegure-se de que ele(a) não tenha acesso a meios para provocar a própria morte (por exemplo, pesticidas, armas de fogo ou medicamentos) em casa.
- Fique em contato para acompanhar como a pessoa está passando e o que está fazendo.

Saiba que muitos suicidas em potencial tem uma posição ambivalente sobre o ato - não estão completamente certos que querem realizá-lo - e que uma intervenção cuidadosa e respeitosa pode impedir um mal maior.

O GPOI comenta
O suicídio é um problema sério que atinge não somente indivíduos como suas famílias, seus amigos e suas comunidades. O GPOI apoia o Setembro Amarelo e outras iniciativas da sociedade civil e dos governos na minimização deste sofrimento.

Fontes: [1]WHO World Health Organization / OMS Organização Mundial da Saúde - Live Life: Preventing Suicide [2] Ministério da Saúde - Prevenção do suicídio: sinais para saber e agir [3] Ministério da Saúde - Novos dados reforçam a importância da prevenção do suicídio [4] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Cancer.net - Cancer, Depression, and Suicide Risk: Signs to Watch For [5] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Cancer.net - Depression [6] CVV - Centro de Valorização da Vida

©2019 GPOI. Proibida a reprodução parcial ou total sem aprovação por escrito.

Agosto 2019

Quase um quinto dos brasileiros estão obesos, aponta pesquisa

bALANÇA E FITA MÉTRICA

Pesquisa nacional aponta que mais da metade (55,7%) dos brasileiros pesquisados está acima do peso ideal e quase um quinto (19,8%) obesos.

A Vigitel
A Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) é uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde visando monitorar frequência e distribuição de fatores de risco e proteção para doenças crônicas na população brasileira.

Esses indicadores, como por exemplo percentual de fumantes, obesos, sedentários, hipertensos e diabéticos, permite estimar a possível incidência de doenças crônicas associadas a estas condições e planejar medidas de saúde pública preventivas e corretivas.

A pesquisa é feita através de ligações telefônicas para uma amostra estatisticamente planejada da população, distribuída pelas 26 capitais dos estados do Brasil mais o Distrito Federal e é realizada desde 2006. Em sua última edição, realizada em 2018 mas que teve seus resultados divulgados agora no final de julho de 2019, foram entrevistadas 52 mil pessoas.

Os resultados sobre o peso
Entre os diversos resultados da Vigitel, no que tange ao peso o percentual de pessoas encontrado com sobrepeso foi de mais da metade da população (55,7%) e de pessoas obesas foi de quase um quinto (19,8%). Para se considerar uma pessoa com sobrepeso ou obesa foram usados os critérios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde - OMS: pessoas com Índice de Massa Corporal (IMC) entre 18,5 e 24,9kg/m2 são consideradas de peso corporal adequado. Abaixo dessa faixa de valores a pessoa está abaixo do peso e acima está com sobrepeso. Acima de 30 kg/m2 a pessoa é considerada obesa.

O IMC é calculado dividindo-se o peso da pessoa em quilos pela altura em metros elevada ao quadrado (altura vezes a altura) Por exemplo uma pessoa de 70 quilos e 1,70m de altura tem um IMC de 70/(1,7*17) = 70/2,89 = 24,2 kg/m2, está portanto dentro da faixa de peso adequado (entre 18,5 e 24,9). A mesma pessoa de 1,70m se pesasse 80 kg estaria na faixa de sobrepeso porque 80/(1,7*1,7) = 27,7. E se pesasse 90kg estaria obesa, porque 90/(1,7*1,7) = 31,1.

Embora possa haver variações da relação entre peso e altura por vários fatores como biótipo, sexo e atividade física, por exemplo pessoas mais musculosas são mais pesadas sem necessariamente serem mais gordas, o IMC é considerado internacionalmente uma boa aproximação da adequação de peso das pessoas, para uso em programas amplos de saúde pública onde estudos mais detalhados de variáveis sejam difíceis ou impossíveis.

Obesidade e doença
O excesso de peso está associado com o aumento do risco da pessoa vir a ter uma série de doenças, como por exemplo o infarto do miocárdio (em linguagem popular “ataque cardíaco”) e acidente vascular cerebral / AVC (em linguagem popular “derrame”).

No infarto do miocárdio, uma parte do coração da pessoa morre (uma região do músculo cardíaco), porque a veia ou veias que alimentavam de sangue aquela parte do coração são obstruídas. Dependendo do tamanho e da região do coração afetada pela lesão a pessoa pode ter sequelas leves, graves ou até vir a morrer.

Já no AVC uma parte do cérebro da pessoa morre (uma região de células cerebrais), porque veias ou vasos sanguíneos que alimentavam de sangue aquela região do cérebro se entopem ou se rompem. Como no caso do infarto, dependendo do tamanho e localização da região afetada pela lesão, as sequelas podem ser leves, graves ou levar o paciente à morte.

Ambas as doenças podem ter sua origem na interação de diversas causas pessoais e ambientais, como por exemplo idade, composição genética, sedentarismo e tabagismo (vício no cigarro) entre outras, porém está firmemente estabelecido o vínculo entre obesidade e o aumento do risco da pessoa vir a sofrer um infarto ou AVC.

Obesidade e câncer
Se não bastassem os riscos de infarto, AVC e outras doenças, a obesidade e o excesso de peso aumentam o risco estatístico da pessoa vir a desenvolver alguns tipos de câncer, entre eles: o de esofâgo, estomâgo, pâncreas, vesícula biliar, fígado, intestino, rins, mama (em mulheres pós menopausa), ovário, endométrio, meninges e tireóide.

As relações entre o peso aumentado e o câncer são complexas mas os mecanismos mais estudados a respeito são: a) as pessoas obesas geralmente tem níveis mais altos de insulina e de IGF-1 (Insulin-like growth factor-1 / Fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1) substâncias que podem promover o crescimento de certos tumores;
b) Pessoas obesas frequentemente tem inflamação crônica leve que está associada a certo tipos de oncogênese ;
c) Tecido gorduroso produz maiores quantidades de estrogênio, que pode acelerar alguns tipos de câncer sensíveis a este hormônio, como alguns cânceres de mama e do endométrio; e
d) Células de gordura (células adiposas / adipócitos) podem afetar os reguladores de crescimento de alguns tumores.

O GPOI comenta
Se você ou um ente querido for um dos muitos milhões de brasileiros acima do peso, considere uma consulta com um médico ou nutricionista para buscar caminhos para chegar ao peso adequado. Você pode estar diminuindo o risco de uma série de doenças enquanto ainda é tempo.

Fontes: [1] Ministério da Saúde do Brasil - VIGITEL Brasil 2018 [2] INCA - Instituto Nacional do Câncer - Peso Corporal [3] INCA - Instituto Nacional do Câncer - Mitos e Verdade: Alimentação [4] Ministério da Saúde do Brasil - Ataque Cardíaco (infarto) [5] Ministério da Saúde do Brasil - AVC: o que é, causas, sintomas, tratamentos, diagnóstico e prevenção [6] ASCO - American Society of Clinical Oncology - cancer.net - Obesity’s Link to Cancer

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Julho 2019

JULHO VERDE - Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço

Mulher com os dedos no pescoço

27 de julho é o Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço.

A doença
Um tumor é o crescimento de uma massa de células doentes em alguma parte do corpo. Quando este crescimento é de um tipo que fica localizado onde começou, o chamamos de tumor benigno, quando é de um tipo que pode crescer e invadir áreas e tecidos adjacentes e também se espalhar pelo organismo da pessoa, bem como começar outros tumores em outras partes do corpo, o chamamos de tumor maligno, um câncer.

“Câncer de Cabeça e Pescoço” é o termo genericamente usado para descrever um grande número de diferentes tumores malignos que podem se desenvolver dentro ou próximos da garganta, laringe (o “tubo” que leva o ar da boca ao pulmão), nariz, seios paranasais (os “sinus” do nariz), boca e tireoide. A maioria destes cânceres começa nos tecidos de revestimento interno dessas partes do corpo - as mucosas - ou nas glândulas - salivares ou tiróide -, mas pode se desenvolver invadindo áreas mais profundas ou adjacentes.

Embora a região da cabeça de uma pessoa possa ter outros tipos de câncer, como por exemplo câncer no cérebro ou câncer no olho, o termo geral “Câncer de Cabeça e Pescoço” é mais usado para os cânceres que descrevemos no parágrafo anterior e é neste sentido que é empregado na campanha do Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço.

Além do dia específico, algumas organizações promovem um “Julho Verde” - um conjunto de ações de divulgação e educação ao longo de todo o mês de julho, em moldes similares aos que o “Outubro Rosa” faz em relação ao câncer no seio. O Julho Verde é uma campanha que conta com o apoio da Organização Mundial da Saúde e da União Internacional para o Controle do Câncer. O INCA - Instituto Nacional de Câncer - celebra o Julho Verde desde 2016.

Os fatores de risco
O câncer é uma doença complexa, cujas origens podem envolver uma combinação de fatores pessoais, comportamentais e ambientais. Não temos controle sobre alguns desses fatores que estatisticamente aumentam a chance da doença, como por exemplo nossa genética e nossa idade. Porém, sobre alguns fatores comportamentais que aumentam o risco de se vir a ter um câncer, podemos sim tomar medidas preventivas.

No caso particular dos “Cânceres de Cabeça e Pescoço” os principais fatores comportamentais que aumentam o risco são o tabagismo (fumar), o etilismo (consumo de bebidas alcoólicas), má higiene bucal, desnutrição e infecção por alguns vírus da família HPV, um vírus transmitido por contato direto entre pele ou mucosas de pessoas. Em particular a combinação de beber e fumar é especialmente perigosa, porque soma dois fatores de risco.

Nos últimos anos vem ocorrendo um aumento dos casos de Câncer de Cabeça e Pescoço relacionados ao HPV, tanto em homens quanto em mulheres. Estima-se que mudanças relacionadas ao comportamento sexual venham contribuindo para este problema, como aumento do número de parceiros e prática do sexo oral.

Prevenção
Os principais cuidados preventivos são evitar os comportamentos de risco: fumar, beber, praticar sexo com múltiplos parceiros ou com pessoas que tenham histórico de múltiplos parceiros. Nesse sentido é importante lembrar que o preservativo (camisinha) é uma proteção apenas parcial quanto ao HPV, porque este vírus pode contaminar as mucosas e pele no entorno da região coberta pelo preservativo. O HPV pode ser transmitido de uma pessoa para outra mesmo com o uso do preservativo - camisinha.

Também é importante lembrar que estão disponíveis no Brasil vacinas contra 4 dos tipos mais comuns do vírus HPV e que o Ministério da Saúde oferece gratuitamente a vacinação para todas as meninas entre 9 e 14 anos de idade, meninos entre 11 e 14, bem como para pessoas que vivem com HIV (o vírus da AIDS) e transplantados, até os 26 anos de idade.

No entanto, infelizmente, além dos tipos de HPV cobertos pelas vacinas existem pelo menos mais 10 outros tipos do vírus HPV para os quais a vacina não protege, que são considerados de alto risco para o desenvolvimento de câncer. Embora o uso da camisinha em todas as relações sexuais e a vacinação de todos as crianças e jovens sejam fundamentais e necessárias, porque protegem contra várias doenças sexualmente transmissíveis e contra os tipos mais comuns de HPV, no que tange o risco de câncer nada substitui um comportamento sexual responsável.

O GPOI comenta
Todos os cânceres têm um prognóstico melhor e um tratamento mais fácil quanto mais cedo descobertos e tratados. Os Cânceres de Cabeça e Pescoço não são exceção. Por isso é importante procurar um exame médico quando se perceber algum caroço, calombo, irritação, feridinha ou trecho de pele ou mucosa de aparência estranha em relação ao seu entorno, na boca, garganta, língua, nariz ou pescoço, em particular se não desaparecer por conta própria em uma ou duas semanas, no máximo.

Além disso, quando a pessoa vai ao dentista, em qualquer visita, pode solicitar ao dentista que faça uma inspeção da sua boca e garganta procurando alterações suspeitas para o câncer, caso o dentista já não o faça espontaneamente e habitualmente.

Essas possíveis alterações, se encontradas pela própria pessoa ou pelo dentista, podem ser causadas por muitas condições de saúde não relacionadas com o câncer. Assim não é caso para se aterrorizar, se acontecer. Mas também não é caso para descuido. Com relação ao câncer, em caso de suspeita a melhor estratégia sempre é verificar com um médico, para poder começar logo o tratamento se necessário, ou se tranquilizar a respeito se não necessário.

Fontes: [1] INCA - Instituto Nacional de Câncer - INCA celebra o Julho Verde [2] SBCCP - Sociedade Brasileira de CIrurgia de Cabeça e Pescoço - Sociedade lança Julho Verde, pela prevenção e conscientização do câncer de cabeça e pescoço - [3] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Head and Neck Cancer [4] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Head and Neck Cancer: Risk Factors and Prevention [5] ASCO - American Society of Clinical Oncology - HPV and Cancer [6] Ministério da Saúde do Brasil - HPV: o que é, causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção

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Junho 2019

Cigarro Eletrônico

5 diferentes prato contedo alimentos

Tem crescido o consumo de cigarros eletrônicos, principalmente entre os adolescentes e jovens adultos.

O que são os cigarros eletrônicos
Cigarros eletrônicos, às vezes chamados de vapes (ou vaps), são equipamentos eletrônicos portáteis que produzem um aerossol fino - uma névoa, um vapor de micro-gotículas de líquido - que é aspirado pelo usuário. Surgiram como uma opção ao cigarro convencional, como um substituto supostamente mais saudável e socialmente mais aceitável do fumante tomar suas doses de nicotina, sem necessitar nem da chama nem da fumaça da queima do tabaco e do papel. Além disso, algumas pessoas encaravam o cigarro eletrônico como um passo intermediário no caminho da parada total do vício de fumar.

Essa gênese levou os primeiros modelos procurarem lembrar o formato de um cigarro convencional, o que caiu em desuso. Hoje os cigarros eletrônicos mais comuns tem a forma de pequenos equipamentos eletrônicos similares a pen-drives ou pequenas caixas, ou ainda tubos que lembram uma caneta grossa. Basicamente são compostos de 4 partes: um recipiente para o líquido que é vaporizado,  alguns componentes eletro-mecânicos que transformam o líquido em aerossol, uma bateria (que pode ser descartável ou recarregável) para alimentar os componentes e uma ponteira ou bocal para o contato com a boca.

O líquido que é vaporizado e aspirado pode variar grandemente de composição, mas a formulação mais comum é uma base de propilenoglicol - um tipo de álcool mais viscoso que o etanol (o álcool comum) e/ou glicerina, base à qual são acrescidos nicotina para causar os efeitos psíquicos e aromatizantes ou flavorizantes, para dar gosto e cheiro. Também existem no mercado formulações sem nicotina e/ou contendo outros aditivos. As formulações sem nicotina apostam no hábito da inalação da fumaça ao invés dos efeitos psicoativos dessa droga.

Sucesso entre os jovens 
O cigarro eletrônico vem crescendo no mundo. Dados publicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS / WHO World Health Organization) indicam que a indústria de vaporizadores eletrônicos de nicotina faturou mundialmente cerca de US$ 3 bilhões em 2013 com uma projeção de crescimento de 17 vezes até 2030. Acredita-se que a indústria do tabaco esteja encontrando nos cigarros eletrônicos um caminho de crescimento da produção, especialmente para contrabalançar as quedas em suas vendas provocadas pelos esforços anti-cigarro dos governos e das agências de saúde de várias partes do mundo, que tem criado campanhas de comunicação e leis restritivas ao cigarro convencional.

Parte desse sucesso do cigarro eletrônico vem do foco recente da indústria nos jovens, com campanhas de propaganda na Internet trazendo uma mensagem de modernidade e inofensividade. Além disso vários influenciadores digitais - como Youtubers e blogueiros, bem como ídolos de música são vistos com frequência usando o equipamento. Aparentemente, para a geração que cresceu conectada na Internet e portando um equipamento eletrônico nas mãos o tempo inteiro (o celular), é mais natural usar o cigarro eletrônico do que papel, fogo, fumaça, que tem uma imagem mais antiga, associada a outras gerações.

Proibição no Brasil
A comercialização do cigarro eletrônico, acessórios e refis é proibida no Brasil desde 2009, pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Também são proibidas sua importação, propaganda, publicidade e promoção. Em 2017 a AMB - Associação Médica Brasileira - divulgou documento apoiando essa proibição da Anvisa e alertando para os riscos do produto, especialmente como um iniciador do vício na nicotina nos adolescentes e jovens adultos.

Porém, apesar da proibição formal e do apoio da comunidade médica, qualquer pesquisa sobre o assunto feita hoje na Internet retorna dezenas de vendedores de diferentes modelos e marcas do produto no Brasil, com envio pelo correio e até entrega rápida por motoboy

Os riscos
Os riscos de longo prazo do uso de cigarros eletrônicos ainda não são conhecidos, porque o uso em larga escala do cigarro eletrônico é relativamente novo. Ainda é difícil se estabelecer, estatisticamente ou laboratorialmente, de forma conclusiva os possíveis danos do seu uso por vários anos, ou problemas que só vão se manifestar quando seus usuários chegarem na maturidade ou na terceira idade. 

No entanto é possível sim já estabelecer riscos de curto e médio prazo bem como indicadores de possíveis problemas de longo prazo:

Estabelecimento do vício na nicotina - O cigarro eletrônico é uma óbvia porta de entrada dos jovens no vício da nicotina, que uma vez adquirido é muito difícil de abandonar (como podem atestar todos os fumantes que tentaram parar). Por ser menos irritante das mucosas da boca e garganta que a fumaça da queima do cigarro comum, a inalação da névoa de nicotina do cigarro eletrônico pode tornar mais fácil e confortável o início do uso dessa droga.

Nicotina como “estimulador de tumores” - Embora a nicotina propriamente dita não seja considerada um carcinogênico - ou seja há relativamente pouco risco de ela iniciar diretamente o câncer, alguns estudos apontam seu papel como “estimulador de tumores”: uma vez o câncer começado a nicotina pode acelerar o seu curso. Segundo a OMS - Organização Mundial da Saúde: “ A nicotina altera processos biológicos essenciais como a regulação da proliferação celular, apoptose (morte programada das células), migração, invasão, angiogênese (criação de vasos sanguíneos novos), inflamação e imunidade mediada por células em uma ampla variedade de células, incluindo células embrionárias, células-tronco adultas, tecidos adultos, bem como células cancerosas dos tumores”.

Overdose de nicotina - A quantidade de nicotina contida em uma tragada em um cigarro eletrônico varia grandemente dependendo do líquido usado, da regulagem do aparelho e da duração da tragada. Estudos realizados em diversos amostras de diferentes marcas e tipos do líquido usado em cigarros eletrônicos encontraram uma variação da concentração de nicotina de 0 (zero) até 36 mg/ml. A alta concentração de algumas formulações  e/ou o consumo exagerado do produto pode levar a um quadro de intoxicação.

Efeitos negativos em grávidas, crianças  e adolescentes em idade de crescimento - Estudos indicam que  a exposição à nicotina pode prejudicar a formação cerebral de longo prazo de cérebros humanos ainda em formação ou crescimento.

Danos aos fumantes eletrônicos de segunda mão - As pessoas próximas ou nos mesmos ambientes que fumantes de cigarro eletrônico correm os mesmos riscos de saúde que esses, embora em menor escala, devido à exposição a uma menor concentração do vapor.

Possíveis outras substâncias perigosas - Devido à pequena e, em alguns casos, nenhuma regulamentação governamental sobre as substâncias constituintes dos líquidos usados nos cigarros eletrônicos, há grande variação e pouco controle da sua composição. Estudos feitos pelo FDA (Federal Drug Administration, o órgão regulador desse assunto no governo americano) encontraram em alguns desses líquidos substâncias cancerígenas como formaldeídos e acroleína, em concentrações similares às dos cigarros convencionais.

O GPOI comenta
Embora os possíveis danos e riscos de longo prazo dos cigarros eletrônicos ainda estejam sendo estudados, as evidências dos danos e riscos de curto e médio prazo já são são suficientes para que se evite seu uso, bem como ser necessária a tentativa de se coibir o começo do seu uso pelos adolescentes e jovens adultos.

Fontes: [1] OMS Organização Mundial da Saúde / WHO World Health Organization - Electronic nicotine delivery systems [2] Ministério da Saúde do Brasil - INCA Instituto Nacional do Câncer - Cigarros Eletrônicos, o que sabemos ? [3] Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Posição da AMB Associação Médica Brasileira quanto aos dispositivos eletrônicos para entrega de Nicotina [4] Folha de São Paulo - Cigarro da moda nos EUA, Juul é vendido ilegalmente via delivery no Brasil [5] Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa proíbe comércio e importação de cigarro eletrônico

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Maio 2019

Intoxicações alimentares e o paciente de câncer

5 diferentes prato contedo alimentos

Alguns tratamentos do câncer reduzem a resistência a infecções e podem demandar cuidados extras com a alimentação do paciente.

Redução da imunidade no tratamento do câncer
Alguns tratamentos do câncer podem afetar negativamente o sistema imunológico do paciente, diminuir sua capacidade de resistir às infecções ou intoxicações - os ataques ao organismo por bactérias, fungos e vírus.

Isso acontece porque algumas quimioterapias e radioterapias atacam o câncer restringindo a capacidade das células cancerosas se multiplicarem rapidamente mas, como efeito colateral indesejado, também restringem a capacidade do organismo multiplicar rapidamente as suas defesas a agentes patogênicos.

Nesses casos de tratamentos que reduzem a resposta imunológica podem ser necessários cuidados extras com o risco de contaminações trazidas pela comida. Por exemplo, algumas contaminações leves de alimentos que numa pessoa saudável seriam enfrentadas pelo sistema imunológico com facilidade - com poucos ou nenhum sintoma aparente - podem causar severos problemas nesses pacientes imunodeprimidos, como cólicas, diarréia, vômitos e febre, que podem até evoluir para outros quadros mais graves.

O que provoca as intoxicações alimentares
As intoxicações alimentares são provocadas principalmente por bactérias na comida (alguns outros agentes como fungos, vírus e parasitas também podem trazer problemas de saúde, mas a maioria das intoxicações alimentares é provocada por bactérias).

A lavagem e cocção adequada dos alimentos pode remover grande parte das bactérias, mas elas podem voltar a crescer na comida depois de cozida. Já a refrigeração ou congelamento para armazenamento reduz a velocidade de multiplicação das bactérias mas não a impede nem mata as pré-existentes.

Também é importante frisar que um alimento pode estar contaminado com bactérias sem ter a aparência de estar deteriorado - estragado ou passado - porque as bactérias são microscópicas - invisíveis a olho nu - e podem causar problemas a quem come muito antes de provocarem danos à aparência ou cheiro de um alimento.

Como se pode evitar intoxicações por alimentos
Os principais cuidados para diminuir os riscos de uma intoxicação alimentar no paciente de câncer imunodeprimido são relacionados ao manuseio, preparo e armazenagem da comida:

- Lavar as mãos com água e sabão com frequência (nas pessoas que manuseiam ou preparam a comida e também as de quem vai comer);
- Só usar água tratada para lavar e cozinhar;
- Lavar cuidadosamente frutas e verduras e usar produtos próprios para sua higienização (geralmente baseados em cloro);
- Manter carne, peixe e frango cru, bem como seus fluidos longe de outras comidas;
- Lavar e/ou desinfetar cuidadosamente com produtos baseados em cloro ou álcool superfícies e utensílios que tenham entrado em contato com carne, frango ou peixe crus ou seus fluidos;
- Descongelar apropriadamente comida - recomenda-se descongelar no microondas ou em água fria trocada repetidas vezes e cozinhar assim que descongelar (não dar muito tempo à comida em temperatura ambiente para as bactérias voltarem a crescer);
- Cozinhar os alimentos até as temperaturas internas apropriadas. Embora haja variações de alimento para alimento de maneira geral se recomenda que todo o interior do alimento atinja pelo menos 75 graus C por pelo menos 3 minutos. Para que isso aconteça a temperatura externa do alimento pode ter que ser muito maior. Para segurança recomenda-se o uso de um termômetro culinário que alcance o interior do alimento, não confiar apenas na aparência;
- Respeitar os tempos de armazenamento e datas de validade de comidas, inclusive as refrigeradas ou congeladas;
- Consumir comidas depois de abrir a embalagem e guardá-las no refrigerador no máximo em 2 dias, lembrando que depois de aberta a embalagem a data de validade não é mais a que está escrita na embalagem.

Comer fora de casa ou pedir entrega de comida
Além desses cuidados com a comida em casa, ao comer fora de casa o paciente deve evitar buffets, serviços “self-service” e restaurantes por quilo onde a própria comida e os utensílios de sua manipulação (colheres, pinças e pegadores) ficam muito tempo expostos e em contato com muitas pessoas.

E em alguns casos de imunodepressão mais grave - de acordo com a orientação do médico - pode ser seguro o paciente evitar completamente comer fora em qualquer restaurante ou pedir entrega de comida, devido a não se ter controle de como essa comida foi preparada e armazenada.

Alimentos que devem ser evitados
Além dos cuidados com a preparação e armazenamento da comida alguns alimentos devem ser evitados devido ao seu alto risco de contaminação:

- Sushi, sashimi ou qualquer alimento contendo peixe cru;
- Carne crua ou mal passada, como steak tartar, quibe cru, rosbife, hamburguers ou bifes rosados ou vermelhos;
- Frutos do mar crus ou mal passados, como ostras;
- Ovos crus, mal cozidos ou pouco fritos com a gema e/ou a clara mole ;
- Comidas feitas com ovos crus não pasteurizados, como maioneses caseiras e molhos ;
- Leite não pasteurizado e queijos feitos com leites não pasteurizados;
- Queijos não pasteurizados (como alguns queijos frescos, Brie, Camembert, Feta, etc.);
- Sucos de frutas não pasteurizados;
- Patês refrigerados
- Sanduíches e saladas com ovos frios ou carnes frias (pré-cozidos) como presunto, frango, peixe ou frutos do mar;
- Peixe defumado
- Comidas curadas ou preservadas apenas por salgamento como salames e alguns tipos de presuntos
- Frutas e verduras frescas fora de casa.

O GPOI comenta
Cada caso é um caso e cada paciente pode precisar de cuidados mais ou menos rigorosos quanto à alimentação, devido ao tipo de tratamento e o grau de de imunodepressão que pode experimentar em diferentes fases.

É importante conversar com o médico que está cuidando do paciente para que ele oriente quais restrições ou cuidados são aplicáveis em cada caso específico bem como por quanto tempo antes, durante e depois do tratamento, cuidados extras com a alimentação do paciente deveriam ser tomados.

Fontes: [1] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Food Safety & Cancer Treatment [2] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Food Safety During and After Cancer Treatment [3] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Foods to Avoid During Cancer Treatment [4] .S. Department of Health & Human Services - Foodsafety.org - Safe Minimum Cooking Temperatures

©2019 GPOI. Proibida a reprodução parcial ou total sem aprovação por escrito.

Abril 2019

6 Mitos sobre o câncer

Tela de computado com palavra mito sobreposta

As redes sociais e fontes não confiáveis da Internet podem divulgar mitos sobre o câncer nos quais você não pode acreditar.

MITO Açúcar acelera o câncer
Não, o consumo de açúcar não acelera o câncer em um paciente, nem cortar o açúcar da dieta vai diminuir o avanço da doença, não há estudos que comprovem nenhuma das duas coisas.

No entanto, o açúcar  é um alimento que precisa ser consumido com moderação, porque seu consumo exagerado está associado à ganho excessivo de peso e obesidade que, no longo prazo, podem aumentar a chance de se vir a desenvolver alguns tipos de câncer, bem como outras doenças, como diabetes e problemas cardíacos.

MITO Carne vermelha acelera o câncer
Não, o consumo de carne vermelha não acelera o câncer em um paciente, nem cortá-la da dieta diminui o avanço da doença. Na verdade a carne vermelha e outras proteínas de origem animal, como ovos, leite e queijo são importantes fontes de nutrientes para qualquer pessoa, em particular pessoas enfraquecidas por doenças ou em tratamento. Esses alimentos devem fazer parte de uma dieta balanceada com outros grupos alimentares, a não ser que haja alguma restrição específica estabelecida pelo médico, como alergias ou intolerâncias.

Se você tiver dúvidas de como compor uma dieta balanceada para você, em particular se você for paciente de câncer, solicite ajuda a seu médico, ele poderá indicar um nutricionista ou outro profissional de saúde especializado na montagem de uma dieta adequada a cada pessoa.

MITO Há alimentos que curam o câncer, como cogumelo do sol, noni, graviola e chá verde, dentre outros.
Não, nenhum alimento ou chá cura o câncer. Uma alimentação saudável, que ajude seu organismo a se fortalecer, composta dos diferentes grupos alimentares - carboidratos, proteínas animais e vegetais, laticínios, legumes, frutas e verduras - é importante para que o corpo possa combater a doença e suportar melhor o tratamento, mas não há alimento milagroso que se ingerido cure o câncer.

MITO Você não terá câncer se seus pais, avós ou irmãos não tiveram
Não, o fato de que seus parentes de primeiro grau não tiveram, ou não tem câncer, não é garantia nenhuma que você não terá a doença. A genética é apenas um dos fatores que podem contribuir ou não para o aumento do risco de se vir a ter câncer.

Independentemente de uma história familiar sem a doença é importante que todos mantenham hábitos de vida saudáveis - ter uma boa alimentação, praticar exercícios físicos, não fumar, moderar com a bebida alcoólica, proteger a pele do Sol e evitar a contaminação pelas doenças infecciosas que aumentam o risco da doença. como HPV e as hepatites.

Além disso é importante se informar em um hospital ou numa unidade de saúde sobre possíveis exames preventivos que você possa fazer para o diagnóstico precoce do câncer ou de detecção de condições ou doenças precursoras.

MITO As empresas farmacêuticas e/ou os governos estão escondendo a cura do câncer
Não, infelizmente não existe e provavelmente nunca vai existir uma única cura para o câncer, porque sob o nome câncer a ciência agrupa uma família de mais de uma centena de doenças, que se manifestam de formas muito diferentes e respondem de formas muito diferentes a vários tipos de tratamento.

No entanto, nas últimas décadas foram feitos grandes avanços na prevenção, diagnóstico precoce e tratamento dos tipos mais comuns da doença. Ao longo desse tempo também foram desenvolvidas maneiras melhores de se lidar com a náusea, dor e outros efeitos colaterais, permitindo às pessoas manterem sua qualidade de vida ao longo do tratamento.

Outros avanços que vale a pena destacar foram os avanços no combate à algumas causas de aumento de risco de se vir a ter doença, como por exemplo o número de fumantes no Brasil caiu de cerca de 20% dos homens e 15% das mulheres para 12% e 10% respectivamente, entre 2006 e 2016.

MITO O tratamento do câncer é pior que a doença
Não, a doença sempre pode causar efeitos muito mais devastadores, dolorosos, desfigurantes ou incapacitantes que o seu tratamento. Embora alguns tipos de tratamento do câncer, como quimioterapia e radioterapia, possam provocar efeitos colaterais desagradáveis e às vezes severos, tem havido avanços muito grandes nos métodos e remédios para controlar esses efeitos.

Algumas pessoas evitam exames preventivos do câncer por medo de receber a má notícia de um resultado positivo ou por medo do tratamento. Porém, descobrir a doença e se tratar sempre é a melhor estratégia. Adiar o tratamento, ou exames de detecção do câncer que possam conduzir ao seu tratamento, só dá chance para a doença crescer mais e/ou se espalhar.

Fontes: [1] INCA - Instituto Nacional de Câncer - Dietas restritivas e alimentos milagrosos durante o tratamento de câncer: fique fora dessa! [2] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Myths and Facts about Cancer [3] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Science Fact or Science Fiction? [4] INCA - Instituto Nacional de Câncer - Avanços no Programa Nacional de Controle do Tabagismo

©2019 GPOI. Proibida a reprodução parcial ou total sem aprovação por escrito.

Março 2019

Mês da Mulher

Rosto feminino contemplativo no mês da mulher

Em março, mês da mulher, vamos falar do câncer do colo do útero e as respectivas medidas de rastreamento e prevenção.

O câncer do colo do útero, também chamado de câncer cervical, é o terceiro tipo de tumor maligno mais frequente no Brasil e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no país. Estima-se que o Brasil terá 16.370 novos casos em 2019 e mais de 5.000 mortes pela doença. No entanto, é um tipo de câncer que pode ser combatido e prevenido, em muitos casos.

Células anormais que podem se tornar um câncer
O colo do útero é a porção final, mais baixa e estreita deste órgão feminino. Ele liga o útero à vagina e junto com esta forma o canal de nascimento dos bebês.

O câncer do colo do útero começa quando células anormais desta região começam a crescer de forma descontrolada, formando uma massa doente - um tumor. Um tumor pode ser benigno - só cresce localmente - ou maligno / canceroso - pode se espalhar para outras partes do corpo.

A ciência acredita que a maioria dos cânceres do colo do útero começa com células anormais, doentes, que se manifestam como pequenas lesões nessa região, ainda não cancerosas, que algumas vezes podem até desaparecer sem tratamento.

No entanto, como ao longo do tempo, essas células podem se tornar cancerosas, se recomenda sua remoção ou destruição nesta fase precursora ao câncer, para evitar o seu desenvolvimento no local. Na maioria das vezes esses procedimentos podem ser feitos sem danos significativos ao organismo da mulher ou à sua capacidade reprodutiva.

Fatores de risco e sua prevenção
Os principais fatores de risco evitáveis do câncer do colo do útero estão associados à infecções virais crônicas e ao vício do cigarro. Infecção pelo HPV, Herpes Genital e HIV (Aids) aumentam muito o risco de se vir a desenvolver o câncer.

Em particular o HPV parece estar ligado ao desenvolvimento da maioria das células anormais e lesões que podem ao longo do tempo tornar-se cânceres do colo do útero. O HPV é uma família de mais de 150 tipos de vírus, geralmente denominados por números, como por exemplo HPV-16 e HPV-18, os quais são responsáveis por verrugas e lesões na pele e em mucosas. Algumas dessas lesões geradas pelo HPV podem tornar-se cânceres.

O HPV se transmite através do contato da pele e/ou de mucosas entre pessoas, principalmente nas regiões vaginal, anal e na boca. Alguns estudos indicam que, além do câncer do colo do útero, o HPV também possa estar relacionado a cânceres no ânus, pênis, vagina, boca, língua, garganta, pescoço e cabeça. Esses últimos tipos de câncer tem aumentado recentemente, tanto em homens quanto em mulheres, possivelmente por mudanças no comportamento sexual, em particular o aumento na prática do sexo oral.

As melhores forma de prevenção do câncer do colo do útero portanto são evitar a contaminação por vírus oncogênicos (possíveis iniciadores de cânceres) e a realização periódica de exames para detecção de lesões precursoras e sua remoção. Para evitar essa contaminação recomenda-se:

1) Adiar o começo da vida sexual para depois da adolescência
2) Limitar o número de parceiros sexuais ao longo da vida
3) Evitar relações sexuais com pessoas que tiveram múltiplos parceiros
4) Evitar relações sexuais com pessoas obviamente infectadas com verrugas ou lesões visíveis nos genitais, ânus ou boca. No entanto, pessoas que não tenham lesões visíveis ou que tenham tido as lesões removidas podem ser transmissoras do vírus.
5) Usar camisinha (preservativo)em todas as relações sexuais
6) Vacinar as crianças contra o HPV o mais cedo possível, a partir dos 9 anos de idade.

Observação importante sobre os itens 5) e 6): A proteção da camisinha é apenas parcial quanto ao HPV, porque o vírus pode contaminar regiões circundantes à sua proteção, como a bolsa escrotal e a região externa da vagina. Já a vacina do HPV disponível no Brasil fornece proteção para apenas 4 dos tipos do HPV, quando existem 150 outros. Embora importantes e necessários, a camisinha e a vacina não substituem uma vida sexual responsável na prevenção do câncer.

O exame preventivo
O exame preventivo do câncer do colo do útero é chamado Papanicolau e tenta identificar lesões precursoras, células anormais ou o próprio câncer nos seus estágios iniciais. É um exame indolor, simples e rápido, no máximo pode causar um pequeno desconforto.

No exame, o médico introduz os instrumentos adequados na vagina da paciente, faz uma inspeção visual e retira pequena quantidade de material (raspas da superfície externa e interna do colo do útero) para serem examinadas ao microscópio em laboratório.

O exame pode determinar a presença tanto de células precursoras quanto de células já cancerosas e orientar o médico nos possíveis procedimentos a seguir. O Ministério da Saúde do Brasil recomenda o exame para todas as mulheres entre 25 e 64 anos de idade que têm ou tiveram vida sexual. Os dois primeiros exames anualmente e, se negativos, a cada três anos.

Essa recomendações de idade, intervalo e frequência de exames preventivos de Papanicolau é a mínima, que pode ser alterada a critério do médico, a cada caso particular de cada pessoa.

O GPOI comenta
Mulheres, protejam-se e previnam-se! Neste mês especial, fica aqui um grande abraço do GPOI para todas a mulheres do Brasil.

Fontes: [1] INCA - Instituto Nacional de Câncer - Câncer do colo do útero [2] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Cervical Cancer [3] ASCO - American Society of Clinical Oncology - HPV and Cancer

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Fevereiro 2019

Dia Mundial do Câncer

Logotipo do World Cancer Day 2019

Neste ano o tema é Eu Sou E Eu Vou, pregando a ação pessoal de cada indivíduo para um futuro mais saudável e brilhante para todos.

A UICC e o WCD
O Dia Mundial do Câncer é uma iniciativa da ONG mundial UICC - Union for International Cancer Control (União para o Controle Internacional do Câncer), que todos os anos concentra ações no dia 04 de fevereiro, com as quais procura aumentar a conscientização e a informação de governos e pessoas, em todo mundo, para que hajam contra a doença.

A UICC congrega uma série de organizações civis e governamentais e junto com elas procura formar políticas, linhas de ação e comunicação integradas, para prover sinergias e aumento da eficiência dos investimentos das organizações participantes. No Brasil, o INCA – Instituto Nacional de Câncer é membro da UICC.

A UICC tem uma abordagem multi-setorial, com a qual tenta engajar em sua luta o setor privado, agências da ONU, jovens líderes, governos e os meios de comunicação, tanto a grande mídia tradicional, quanto os novos comunicadores das redes sociais.

A principal meta de longo prazo declarada pela UICC é que, até 2035, o câncer seja uma consideração central em todos os planejamentos de saúde das nações e que um respectivo aumento do investimento em detecção precoce, tratamento e cuidados, resulte na diminuição da incidência e mortalidade do câncer, em particular nos países de rendas médias e baixas.

Em 2019
Esse ano o mote da campanha de comunicação do Dia Mundial de Câncer é Eu Sou E Eu Vou que remete às perguntas Quem é você? E O que você fará? A campanha propõe que todos façam uma reflexão sobre quem são, sua posição no mundo e o que podem fazer para criar um futuro onde o câncer seja um peso menor para a humanidade.

O conceito principal é que qualquer pessoa pode se envolver nessa luta, de uma forma ou outra, dedicando mais ou menos tempo. E sugere alternativas de participação para pessoas com diferentes disponibilidades, 1 segundo, 1 minuto, 5 minutos ou mais. Por exemplo a campanha sugere que um segundo é suficiente para você compartilhar em suas redes sociais mensagens da campanha, que em um minuto você pode personalizar ou comentar essas mensagens e começar uma conversação com amigos e familiares sobre o assunto e que em 5 minutos você já pode se informar mais sobre o câncer sua prevenção e tratamento, lendo materiais educativos.

Nas palavras do INCA: “Eu Sou E Eu Vou é um apelo ao compromisso pessoal e que se traduz no poder que uma ação individual, tomada no presente, tem de impactar o futuro. Cada um tem o poder de reduzir o impacto do câncer na sua vida, na vida das pessoas à sua volta e no mundo. “

Um vídeo promocional da UICC onde algumas dessas ideias são desenvolvidas pode ser visto no YouTube, no endereço (vídeo em inglês) https://youtu.be/i-1l8SHSJ40

No Brasil
O Dia Mundial do Câncer em 2019 no Brasil foi marcado por uma série de ações promovidas pelo INCA entre elas: lançamento de materiais gráficos e eletrônicos com os temas da campanha internacional do dia, apresentação de estudo e debate sobre o tema “Sobrevivência ao Câncer”, debate sobre as ideias contidas no slogan Eu Sou E Eu Vou e o lançamento da plataforma digital da Revista Brasileira de Cancerologia.

Fontes: [1] UICC - Union for International Cancer Control – About World Cancer Day [2] UICC - Union for International Cancer Control – Long Term Vision [3} World Cancer Day - I am and I will [4] INCA – Instituto Nacional de Câncer - União Internacional para o Controle do Câncer convoca para mobilização pelo controle da doença [5] INCA – Instituto Nacional de Câncer - INCA apresenta estudo com o tema sobrevivência ao câncer no Dia Mundial do Câncer

Janeiro 2019

Exercícios físicos durante e depois do tratamento

Pessoas se exercitando com idosa no centro

Uma rotina de exercícios físicos, orientada por profissionais e aprovada pelo médico, pode auxiliar durante o tratamento e posterior recuperação do paciente de câncer.

Benefícios de se exercitar
A prática regular de exercícios físicos melhora a saúde respiratória e cardíaca, aumenta a densidade óssea e muscular e também diminui o risco de diabetes e obesidade. Esses são benefícios para pessoas de qualquer idade, mas em particular podem ajudar na maturidade e terceira idade, diminuindo o ritmo natural de declínio do organismo e aumentando o bem estar e a funcionalidade em atividades cotidianas.

Além disso há indicadores que exercícios físicos possam ter efeitos mentais benéficos, como redução dos sintomas de ansiedade e depressão e melhora da capacidade cognitiva de pacientes com demência senil ou Alzheimer, esclerose múltipla e doença de Parkinson.

O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (Department of Health and Human Services), que tem algumas funções equivalentes ao nosso Ministério da Saúde, recomenda que todos os adultos saudáveis – com aprovação médica - façam no mínimo 150 minutos de atividade física de intensidade moderada ou 75 minutos de intensidade vigorosa, por semana. Esses benefícios podem se ampliar muito se estendidos para 300 minutos por semana.

Além de exercícios aeróbicos – que aumentam as frequências cardíaca e respiratória - como andar, correr, nadar ou pedalar, são recomendados exercícios de força – como musculação, Pilates ou calistênicos – bem como exercícios de coordenação motora e equilíbrio, como por exemplo a prática de esportes ou jogos de movimentação física.

Sempre é importante lembrar que em todos os casos é recomendada uma avaliação e aprovação médica antes de se iniciar qualquer programa de exercícios, para todas as pessoas, mas em particular para idosos, mulheres grávidas, portadores de doenças crônicas, agudas ou graves (como o câncer) ou ainda pessoas com necessidades especiais.

Nesses casos particulares o médico, fisioterapeuta ou professor de educação física podem recomendar adaptações ou até a suspensão de rotinas de exercícios.

O paciente de câncer
Receber um diagnóstico de câncer e iniciar seu tratamento podem ser situações bem angustiantes e desfocar a atenção das pessoas de qualquer outra atividade, em particular da preocupação com se exercitar. Diante da possibilidade de um tratamento longo, doloroso ou de severos efeitos colaterais, ou ainda a possibilidade de sequelas permanentes e até a possibilidade da morte, praticamente qualquer outra preocupação da vida perde importância.

No entanto, um programa de exercícios – autorizado pelo médico e adaptado por ele em conjunto com outros profissionais de saúde ou atividade física – podem melhorar a qualidade de vida e ajudar a diminuir efeitos colaterais de uma paciente de câncer durante seu tratamento. Por exemplo caminhadas – em alguns casos, desde que autorizadas pelo médico – podem ajudar pacientes a ganhar maior resistência física e lidar melhor com a fadiga que pode ser provocada pela quimioterapia e radioterapia.

Claro que cada caso de paciente de câncer é diferente, há muitos tipos de câncer com diferentes gravidades, que atingem diferentes partes do corpo, bem como há muitos tipos e intensidades de tratamento. Pode haver casos em que nenhum tipo de exercício seja recomendado, mas por outro lado, há casos onde seja possível e recomendadas rotinas de exercícios.

Depois do tratamento
Exercícios físicos podem ser especialmente benéficos ao paciente de câncer após seu tratamento, na retomada de suas atividades. Possíveis sequelas do tratamento ou de hospitalização e inatividade durante esse período podem ter uma recuperação mais rápida ou mais completa através da atividade física.

Por exemplo, as capacidades cardíacas e respiratórias, a força, a elasticidade e o equilíbrio tendem a diminuir quando uma pessoa passa muito tempo sentada ou deitada. Esse declínio pode afetar a capacidade da pessoa executar as mais cotidianas tarefas, mas pode ser recuperado, no todo ou em parte, com exercícios físicos específicos.

O GPOI comenta
Exercícios físicos podem ser benéficos durante alguns tratamentos de câncer e em muitos casos de recuperação após a doença. Converse com seu médico se esse é seu caso. O médico poderá orientá-lo ou encaminhá-lo a outros profissionais como fisioterapeutas ou professores de educação física que possam ajudá-lo.

Fontes: [1] U.S. Department of Health and Human Services - Physical Activity - Guidelines for Americans [2] U.S. Department of Health and Human Services - Top 10 Things to Know About the Second Edition of the Physical Activity Guidelines for Americans [3] ASCO – American Society of Clinical Oncology – Cancer.net – The Importance of Exercise

Dezembro 2018

Venda de Cigarros Para Menores
Menor fumando com sinal de proibido em cima

Estudo constata que a proibição legal da venda de cigarros para menores é violada com frequência e facilidade no Brasil.

O Jornal Brasileiro de Pneumologia publicou, em sua última edição (vol 44 / nº 5), um estudo realizado pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer), denominado Descumprimento da lei que proíbe a venda de cigarros para menores de idade no Brasil: uma verdade inconveniente.

O objetivo do estudo foi estabelecer o cenário atual de cumprimento da lei que proíbe, em todo Brasil, a venda de cigarros para menores de 18 anos. Para tanto foram analisados dados da PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde Escolar) realizada pelo IBGE, em todo o país, a cada três anos.

Na última edição dessa pesquisa, além de dados sobre o tabagismo propriamente dito, foram levantados dados específicos sobre a facilidade de acesso dos jovens ao cigarro, com perguntas referentes às variáveis “tentativa de comprar”; “sucesso dessa tentativa”; “compra regular”; e “compra regular em lojas ou botequins”.

Resultados
Aproximadamente 7 entre cada 10 adolescentes fumantes entre 13 e 17 anos tentaram comprar cigarros, nos 30 dias anteriores à pesquisa. Nessa amostra dos que tentaram, 86,1% não foram impedidos. A proporção de êxito na compra foi de 82,3% entre adolescentes de 13 a 15 anos e de 89,9% entre os de 16 e 17 anos.

A diferença foi pequena na quebra dos dados por sexo (86,6% feminino e 85,7% masculino) e um pouco maior na quebra dos dados por regiões do Brasil, com 93,9% dos jovens do Nordeste conseguindo comprar e 82,8% na região Sul. Outro dado preocupante levantado através da pesquisa foi que 81,1% dessas compras foram realizadas em estabelecimentos comerciais e não em camelôs.

Porque se preocupar
O tabagismo é considerado uma doença pediátrica porque 80% dos fumantes começam a fumar antes dos 18 anos de idade e 20% antes do 15 anos. E, infelizmente, uma vez estabelecida a dependência, o tabagismo se torna uma doença crônica, de difícil solução. A maioria dos fumantes precisa de ajuda médico-psicológica para parar de fumar e mesmo para os que conseguem parar, são frequentes as recaídas.

No Brasil a forma predominante de uso do tabaco é o fumado em cigarros. Essa forma de consumo é responsável por até 90% de todos os casos de câncer de pulmão. Além do pulmão o tabagismo aumenta o risco dos seguintes tipos de câncer: leucemia mielóide aguda; câncer de bexiga; câncer de pâncreas; câncer de fígado; câncer do colo do útero; câncer de esôfago; câncer nos rins; câncer de laringe (cordas vocais); câncer na cavidade oral (boca); câncer de faringe (pescoço); câncer de estômago.

Se não bastasse o risco de diferentes formas de câncer o tabagismo também pode provocar doenças cardíacas e vasculares, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC / "derrame"). No Brasil estima-se que que o uso do tabaco provoque as seguintes mortes, anualmente: 34.999 mortes por doenças cardíacas; 31.120 mortes por DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica); 23.762 por câncer de pulmão; 26.651 por outros cânceres; 17.972 mortes por tabagismo passivo; 10.900 por pneumonia; 10.812 por AVC (acidente vascular cerebral).

O GPOI comenta
Fica claro nos números do estudo do INCA, publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia, que a proibição da venda de cigarros para menores no Brasil não vem sendo cumprida com o devido rigor e que os jovens que queiram tem fácil acesso ao produto. Dos menores de 18 anos pesquisados, que tentaram comprar cigarros, mais de 8 em cada 10 conseguiram. Seria importante um envolvimento e um esforço maior dos governos e da própria sociedade civil na contenção desse mal.

Fontes: [1] Jornal Brasileiro de Pneumologia - Descumprimento da lei que proíbe a venda de cigarros para menores de idade no Brasil: uma verdade inconveniente [2] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Tabagismo [3] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Carga de doença atribuível ao uso do tabaco no Brasil e potencial impacto do aumento de preços por meio de impostos.

Novembro 2018

A Saúde do Homem
Homens se exercitando na contraluz

Novembro é um mês dedicado internacionalmente à conscientização sobre as questões de saúde específicas da masculinidade.

Movember e Novembro Azul
O movimento Movember – uma junção das palavras moustache (bigode) e november (novembro) – começou na Austrália no final do século 20 visando conscientizar os homens a respeito do câncer de próstata e também arrecadar fundos para pesquisa médica a respeito. Como marketing da projeto, os seus idealizadores escolheram o mês de novembro, um bigode estilizado como logomarca e a ideia de os homens deixarem crescer seu bigodes durante este mês, como sinal de apoio à causa.

No Brasil, a partir do começo do século 21 foram surgindo movimentos de conscientização sobre o câncer de próstata inspirados no Movember, porém aqui, ficou mais popular a denominação Novembro Azul – provavelmente como contraponto ao Outubro Rosa, o mês de conscientização sobre o câncer de mama. Atualmente o símbolo do Novembro azul mais comum no Brasil é um laço azul sobreposto por um bigode estilizado.

Os objetivos do movimento
O principal objetivo do Movember e do Novembro Azul em seus começos foi estimular os homens a se submeterem em massa a exames de rastreamento do câncer de próstata, em particular o exame do toque retal – onde o médico introduz o dedo no anus do paciente para apalpar a próstata, através da parede do intestino reto e verificar alterações de tamanho ou consistência da próstata – e o exame de sangue para dosagem de PSA – um hormônio presente no sangue, produzido na próstata, que quando apresenta alterações nas suas taxas pode indicar problemas no órgão.

No entanto, surgiram evidências científicas e estatísticas que esses exames, quando feitos em massa em homens saudáveis e sem sintomas, podem provocar mais danos do que benefícios à população masculina. Podem ocasionar falsos positivos, biópsias desnecessárias, infecções decorrentes de biópsias e tratamentos desnecessários em cânceres de evolução muito lenta, entre outros. Em 2004, a Organização Mundial de Saúde (WHO – World Health Association) começou a recomendar o abandono do rastreamento geral da população masculina assintomática via toque retal e dosagem de PSA, o que foi sendo seguido pelos países do mundo. No Brasil, a partir de 2013, o INCA (Instituto Nacional do Câncer) também recomendou que se parasse a política pública de saúde do rastreamento geral da população masculina para o câncer de próstata.

Devido a esses avanços nos entendimento da doença e seu diagnóstico, no mundo o movimento Movember foi mudando o seu perfil de um movimento focado só no câncer de próstata, para um movimento preocupado também com outros itens da saúde masculina. Em 2018 o site do movimento informa como objetivo geral prevenir que os homens morram cedo demais, baseando-se em 4 itens de prevenção: câncer de próstata, câncer testicular, doenças mentais e suicídio.

O câncer de próstata
A próstata é uma glândula masculina, situada na parte baixa do abdômen. O câncer desse órgão é o segundo mais comum entre homens, depois dos de pele. É uma doença característica da terceira idade, 75% dos casos ocorrem a partir dos 65 anos de idade.

A maioria dos casos de câncer de próstata é de evolução lenta, pode levar 15 anos para atingir 1 cm cúbico, o que não chega a dar sinais durante a vida nem ameaçar a saúde do homem. No entanto alguns casos podem ser mais rápidos, com espalhamento do câncer para outros órgãos, podendo levar à morte. Estima-se para o Brasil 68.220 casos de câncer de próstata em 2018.

Seus principais sintomas são: dificuldade de urinar e necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou a noite. Na fase avançada, pode provocar dor óssea, sintomas urinários ou, quando mais grave, infecção generalizada ou insuficiência renal. No entanto, os sintomas urinários iniciais podem ser provocados pelo crescimento benigno da próstata, um condição não relacionada ao câncer, comum em homens na terceira idade.

Se você ou um ente querido estiverem experimentando qualquer problema ou mudança nos seus hábitos urinários, a melhor recomendação é procurar uma consulta médica. O médico poderá determinar, no caso específico de cada paciente, se necessários exames para a detecção do câncer de próstata ou outros.

O câncer testicular
Os testículos são os órgãos masculinos responsáveis pela produção dos espermatozoides e de hormônios importantes. O câncer de testículo é um câncer relativamente pouco frequente, representado 5% dos tumores malignos do homem. É mais comum nos homens entre 15 e 50 anos. É uma doença muito agressiva, com alto índice de crescimento e risco de espalhamento para outros órgãos, podendo levar a consequências sérias e até à morte. Porém, é um dos tipos de câncer de melhor índice de cura, devido a um relativo fácil diagnóstico precoce – pela posição externa do órgão – e devido a eficiência dos remédios quimioterápicos disponíveis hoje em dia no combate a este tipo de câncer.

A principal estratégia de prevenção é o autoexame dos testículos, onde a própria pessoa poderá constatar anormalidades e em caso de detectar um câncer nos seus estágios iniciais, procurar o tratamento o mais cedo possível quando as chances de cura são maiores. As recomendações do INCA a esse respeito são:

Quando e como fazer o autoexame dos testículos:

O auto-exame dos testículos deve ser realizado mensalmente, sempre após um banho quente. O calor relaxa o escroto e facilita a observação de anormalidades. A partir daí:

  • De pé, em frente ao espelho, verifique a existência de alterações em alto relevo na pele do escroto.
  • Examine cada testículo com as duas mãos. Posicione o testículo entre os dedos indicador, médio e o polegar. Revolva o testículo entre os dedos; você não deve sentir dor ao realizar o exame. Não se assuste se um dos testículos parecer ligeiramente maior que o outro, isto é normal.
  • Ache o epidídimo - pequeno canal localizado atrás do testículo e que coleta e carrega o esperma. Se você se familiarizar com esta estrutura, não confundirá o epidídimo com uma massa suspeita. Os tumores malignos são frequentemente localizados lateralmente aos testículos, mas também podem ser encontrados na porção ventral.
  • O que procurar:

  • Qualquer alteração do tamanho dos testículos
  • Sensação de peso no escroto
  • Dor imprecisa em abdômen inferior ou na virilha
  • Dor ou desconforto no testículo ou escroto
  • Massas ou nódulos
  • Sangue na urina
  • Aumento da sensibilidade dos mamilos
  • O GPOI comenta
    Ao perceber qualquer dos sintomas descritos ao longo deste artigo, ou qualquer alteração nos seus hábitos urinários ou sexuais, procure uma consulta médica. Muitos homens são avessos a procurar ajuda ou aconselhamento, mas através da consulta e de possíveis outros exames o médico poderá diagnosticar e começar a tratar qualquer doença se necessário, ou tranquilizá-lo para dar seguimento à sua vida.

    Fontes: [1] Movember Foundation – Site em português Fundação Movember [2] WHO – World Health Organization - Should mass screening for prostate cancer be introduced at the national level? [3] INCA – Instituto Nacional do Câncer – Rastreamento do Câncer de próstata [4] Ministério da Saúde – INCA – Nota Técnica Conjunta – Posicionamento do Ministério da Saúde acerca da integralidade da saúde dos homens no contexto do Novembro Azul [5] INCA – Instituto Nacional do Câncer – Tipos de Câncer – Próstata [6] INCA – Instituto Nacional do Câncer – Tipos de Câncer – Próstata – Sintomas [7] INCA – Instituto Nacional do Câncer – Tipos de Câncer – Câncer de testículo [7] INCA – Instituto Nacional do Câncer – Autoexame dos testículos

    Outubro 2018

    Outubro Rosa
    Injeção vacina

    Câncer de Mama
    O câncer de mama é a multiplicação descontrolada de células da mama, formando um tumor, que não para de crescer espontaneamente, sem intervenção médica. Há diferentes tipos de câncer de mama, dependendo do tipo de célula onde ele se inicia e o tipo de multiplicação. Desses, alguns são de desenvolvimento mais rápido outros mais lento mas todos, se não tratados, podem trazer sérios danos à saúde e até a morte. No entanto a ciência tem feito grandes avanços no combate a essa doença e a maioria dos casos tratados tem bom prognóstico, especialmente os descobertos no seu começo.

    Depois do cânceres de pele, o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres no mundo e nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil, representando cerca de 28% dos casos. Também pode atingir homens, mas é raro, com cerca de 1% dos casos. Estima-se que cerca de 60 mil mulheres serão atingidas pela doença em 2018 no Brasil.

    Outubro Rosa
    O movimento Outubro Rosa se iniciou nos Estados Unidos na década de 90 do século 20 e vem crescendo desde então, se tornando um movimento mundial que envolve milhares de organizações civis e governamentais. Os objetivos do movimento são o levantamento de fundos para a pesquisa de tratamentos para a doença, a conscientização das mulheres para terem atenção à alterações ou sintomas suspeitos em suas mamas e o incentivo à realização de exames periódicos de prevenção da doença, em particular a mamografia – o exame via raio x das mamas – para detecção precoce de lesões cancerosas antes de se tornarem sintomáticas.

    Além disso, à medida que foram surgindo nos últimos anos evidências estatísticas que indicam que pode ser que haja fatores comportamentais ligados a um aumento de risco da doença, as campanhas do Outubro Rosa também tem passado a incluir mensagens de estímulo a estilos de vida mais saudáveis.

    Detecção precoce
    A melhor estratégia de combate ao câncer de mama é sua detecção nos estágios bem iniciais – quando a pessoa ainda não percebe ou sente nenhum sintoma – que é a ocasião que o tratamento pode ser menos agressivo e de maior chance de sucesso. Com esse objetivo, o Ministério da Saúde do Brasil recomenda que as mulheres assintomáticas entre 50 e 69 anos de idade façam mamografias uma vez a cada dois anos.

    No entanto, o Ministério da Saúde alerta que a mamografia de rastreamento – mamografia das mulheres sem sintomas - pode trazer riscos como falso-positivos, entre outros e sugere as mulheres se informarem sobre esses riscos. Se você leitora quiser conhecer melhor o balanço de benefícios e riscos da mamografia você poderá consultar a cartilha do INCA (Instituto Nacional de Câncer) a respeito, no link: “Câncer de Mama: é preciso falar disso”.

    Pessoas com risco aumentado
    Além da recomendação para a população em geral, algumas pessoas podem estar em grupos de maior risco de vir a desenvolver a doença e precisam conversar com seus médicos se nos seus casos específicos seria necessária uma rotina diferente de exames, tanto no que se refere à idade como à frequência, ou mesmo o tipo de exames.

    Os fatores que podem aumentar o risco do câncer de mama são:

    Fatores ambientais e comportamentais:

  • Obesidade e sobrepeso após a menopausa;
  • Sedentarismo (não fazer exercícios);
  • Consumo de bebida alcoólica;
  • Exposição frequente a radiações ionizantes (Raios-X)
  • Fatores da história reprodutiva e hormonal

  • Primeira menstruação antes de 12 anos;
  • Não ter tido filhos;
  • Primeira gravidez após os 30 anos;
  • Não ter amamentado;
  • Parar de menstruar (menopausa) após os 55 anos;
  • Uso de contraceptivos hormonais (estrogênio-progesterona);
  • Ter feito reposição hormonal pós-menopausa, principalmente por mais de cinco anos.
  • Fatores genéticos e hereditários*

  • História familiar de câncer de ovário;
  • Casos de câncer de mama na família, principalmente antes dos 50 anos;
  • História familiar de câncer de mama em homens;
  • Alteração genética, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2.
  • *A mulher que possui um ou mais desses fatores genéticos/ hereditários é considerada com risco elevado para desenvolver câncer de mama

    Sinais e Sintomas
    Além de exames médicos é importante as pessoas estarem atentas a alterações mamárias que podem necessitar uma avaliação diagnóstica por um médico e ou exames mais específicos. Os principais sintomas que requerem revisão médica são:

  • Caroço (nódulo) fixo, endurecido e, geralmente, indolor;
  • Pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja;
  • Alterações no bico do peito (mamilo);
  • Pequenos nódulos na região embaixo dos braços (axilas) ou no pescoço;
  • Saída espontânea de líquido dos mamilos
  • Essas alterações podem ter outras causas que não o câncer, mas é importante uma avaliação médica para dirimir as suspeitas ou iniciar tratamentos o mais rápido possível se necessário.

    O GPOI comenta
    Veja com atenção as recomendações e alertas do Ministério Saúde do Brasil quanto a detecção precoce do câncer de mama. E se você por caso estiver em alguns dos casos listados como de risco aumentado, procure um médico de sua confiança para uma consulta onde ele poderá analisar se no seu caso seriam necessários exames ou atitudes preventivas. Se você identificar qualquer alteração persistente nas suas mamas, as listadas no item Sinais e Sintomas acima ou outras, procure um avaliação profissional numa unidade de saúde.

    Muitas pessoas evitam ou adiam exames ou consultas com medo de receber o diagnóstico de uma doença grave, mas o câncer quanto mais cedo detectado e tratado possibilita tratamentos menos severos e tem melhores chances de cura. E se a consulta e exames descartarem a doença você poderá seguir sua vida mais tranquila.

    Fontes: [1] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Outubro Rosa [2] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Mama [3] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Câncer de Mama: é preciso falar disso

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    Setembro 2018

    Campanha de vacinação contra HPV
    Injeção vacina

    No 4 de setembro o Ministério da Saúde lançou campanha publicitária sobre a vacinação contra o HPV, com meta de atrair para as unidades de saúde mais de 20 milhões de adolescentes.

    A campanha
    Desde 2016 o Brasil estabeleceu a meta de dar gratuitamente 2 doses da vacina contra o HPV para todos as meninas entre 9 e 14 anos de idade, meninos entre 11 e 14 anos, pessoas que vivem com HIV e pessoas com transplantes entre 9 e 26 anos. Em particular a estratégia do Ministério aponta para os adolescentes e pré-adolescentes antes do início da vida sexual, pela sua maior desinformação sobre a questão.

    Agora em 2018 foi criada uma campanha publicitária com o tema “Não perca a nova temporada de Vacinação contra o HPV”. Seu principal item é um filme que, segundo o INCA(Instituto Nacional de Câncer) - “mistura imagens reais e animação e traz dois jovens, um menino e uma menina, fugindo de um vírus em um cenário com inspiração nos seriados famosos que são de identificação do público jovem e dos pais. A fuga termina no momento em que os jovens entram em uma unidade de saúde e se vacinam”. O vídeo foi publicado no canal do YouTube do Ministério da Saúde e pode ser visto aqui: https://www.youtube.com/watch?v=s8oL8Cst9Fo . Além do filme foram criados cartazes e outros materiais enviados para a imprensa e para o Ministério da Educação, para a divulgação em escolas e para estimular os professores conversarem com seus alunos sobre o tema.

    A vacinação contra o HPV faz parte do calendário normal de vacinações do Brasil, mas as campanhas de comunicação periódicas visam aumentar a adesão do público, especialmente pelo fato que a cobertura vacinal só está completa depois que cada pessoa toma duas doses. A expectativa do governo com essa campanha lançada agora é de que 20,6 milhões de jovens compareçam a postos de saúde para serem vacinados, 9,7 milhões de meninas de 9 a 14 anos e 10,8 milhões de meninos de 11 a 14 anos.

    O HPV
    HPV é a sigla usada para denominar a família do Papilomavírus Humano, composta por mais de 150 tipos diferentes de vírus, individualmente denominados por números, como por exemplo HPV tipo 16 ou HPV tipo 35. A famíia HPV pode infectar mucosas e a pele e é transmitida por seu contato direto em relações sexuais ou não. Os diferente tipos do HPV podem causar verrugas e outras lesões que, em alguns casos podem evoluir para se tornarem cânceres, em particular câncer de colo do útero, vulva, vagina, pênis, ânus e orofaringe (boca e garganta).

    Os HPVs de tipo 16 e 18 causam a maioria dos casos de câncer de colo do útero em todo o mundo e também são responsáveis por até 90% dos casos de câncer de ânus, até 60% dos casos de câncer de vagina e até 50% dos casos de câncer vulvar (região genital externa da mulher). Também há indícios que um aumento que vem acontecendo de casos de cânceres de boca e garganta nos últimos anos possa estar relacionado a um aumento da prática do sexo oral na população e um possível aumento da contaminação por HPV nessas regiões do corpo.

    A contaminação pelo HPV é incurável, a pessoa contaminada vai carregar o vírus e a possibilidade de contaminar outras por toda a vida, mesmo que nunca tenha tido lesões visíveis ou que as verrugas e lesões tenham sido retiradas cirúrgica ou quimicamente, porque o vírus permanece em outras células do corpo. No entanto, a remoção de lesões clínicas (que podem ser identificadas pelo médico a olho nu) ou subclínicas (que só possam ser identificadas através de exames de laboratório) pode evitar que elas se tornem crônicas e ao longo do tempo possam dar início a cânceres.

    Em particular, como prevenção ao câncer colo do útero, por ser essa região interna ao corpo e portanto impossível da pessoa ver as lesões do HPV se estabelecerem ou crescerem, o que acontece geralmente sem sintomas externos, é importante a realização periódica de exames preventivos, como o Papanicolaou. Esse exame consiste na retirada de material do colo do útero e seu envio para análise microscópica em laboratório.

    O INCA (Instituto Nacional do Câncer) recomenda que o exame de Papanicolaou seja feito anualmente em todas as mulheres entre 25 e 64 anos de idade que tem ou tiveram vida sexual ativa. Em caso do exame dar negativo nos dois primeiros anos, a recomendação passa a ser que ele seja feito de três em três anos. Essa é a recomendação mínima que pode ser alterada em casos particulares, consulte um médico em caso de dúvida.

    A vacina
    A melhor estratégia para a contenção do HPV é a vacinação preventiva – antes do contágio. A vacina oferecida pelo Ministério da Saúde no Brasil protege contra os subtipos 6, 11, 16 e 18 do HPV. Os dois primeiros causam verrugas genitais e os dois últimos são associados ao câncer do colo do útero.

    Embora importante como política de controle da parte da epidemia a vacinação não substitui a prática do sexo responsável e seguro, porque além dos tipos de HPV cobertos pela vacina há mais de 140 outros que não são, dos quais pelo menos 10 tipos não cobertos pela vacina são considerados de alto risco para o desenvolvimento do câncer, tipos 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58 e 59.

    O GPOI comenta
    Se você é mãe, pai ou responsável por jovens nas faixas etárias recomendadas, que ainda não receberam as duas doses da vacina, os encaminhe para vacinação. Se você é mulher procure realizar os exames preventivos para o câncer do colo do útero pelo menos na frequência recomendada pelo Ministério da Saúde. E para qualquer pessoa que tenha verrugas ou feridas que não saram espontaneamente, em qualquer lugar do corpo, recomenda-se a procura de uma unidade de saúde para uma verificação profissional.

    Fontes: [1] Ministério da Saúde do Brasil - Convocação: 20,6 milhões de adolescentes devem se vacinar contra o HPV [2] Ministério da Saúde do Brasil - HPV: sintomas, causas, prevenção e tratamento [3] Ministério da Saúde do Brasil – Campanha Vacinação HPV [4] INCA – Instituto Nacional de Câncer - Esquema de vacinação contra HPV no SUS passa a ter duas doses [5] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Controle do Câncer do Colo do Útero [6] INCA – Instituto Nacional de Câncer – COLO DO ÚTERO - Detecção Precoce

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    Julho 2018

    Doe Sangue
    Doe Sangue

    A doação de sangue pode ajudar muitas pessoas, entre elas os pacientes de câncer

    O sangue é um fluído vital para todas as pessoas e, em muitas situações de doenças, ferimentos ou cirurgias, o paciente precisa receber sangue ou algum de seus componentes, para poder sobreviver ou se recuperar.

    Infelizmente a ciência, apesar de muitos esforços nessa direção, não conseguiu ainda criar um substituto artificial para o sangue. O ato solidário e generoso de pessoas saudáveis doarem parte de seu sangue para as que precisem é a única forma de salvar essas vidas.

    Sangue e o câncer
    Em particular os pacientes de câncer podem precisar de receber de doadores sangue ou seus derivados, em várias situações associadas à doença:

    Anemia: é uma condição onde o sangue apresenta baixo nível de glóbulos vermelhos (os componentes do sangue responsáveis pelo transporte de oxigênio às células). Pode ser provocada pelo próprio câncer ou pelo tratamento, como algumas quimioterapias ou radioterapias. A anemia pode em alguns casos ser combatida com o uso de remédios ou com alimentação e ou suplementos alimentares, mas dependendo da gravidade, a critério do médico, em muitos casos são necessárias transfusões de sangue, para repor o nível de glóbulos vermelhos necessários ao bom funcionamento do organismo..

    Problemas de sangramento / cicatrização: Alguns cânceres e alguns tratamentos podem provocar a diminuição dos fatores de coagulação do sangue, em particular a diminuição das plaquetas, células do sangue especializadas no bloqueio de veias ou artérias rompidas. A consequência são sangramentos maiores ou mais demorados, em casos de ferimentos, cirurgias ou outros casos de rompimentos de veias ou artérias. Os problemas de sangramento excessivo podem ser combatidos com remédios ou suplementos, mas em muitos casos, a critério do médico são necessárias transfusões de sangue ou de plaquetas (apenas as plaquetas são separadas a partir do sangue do doador e injetadas no paciente).

    Cirurgias: muitos tumores precisam ser retirados cirurgicamente. Dependendo do seu tamanho e localização os cortes cirúrgicos podem provocar grande perda de sangue do paciente, o que pode levar à necessidade do paciente receber sangue de doadores ou plasma (a porção líquida, levemente amarelada do sangue, que pode ser separada a partir do sangue de um doador) para repor os fluídos perdidos.

    Doe sangue, doe vida
    Muitas pessoas gostam de ajudar ao próximo e às vezes se perguntam o que poderiam fazer para ajudar mais as pessoas da sociedade em que vivem, em particular os doentes ou mais necessitados. Um excelente caminho para isso é a doação de sangue.

    Em cada doação é retirado um máximo de 450ml (pouco menos de meio litro), de uma pessoa adulta que tem, em média 5 litros de sangue. Essa mesma doação de sangue pode ajudar até 4 pessoas diferentes, porque o sangue doado pode ser fracionado ou separado em seus diferentes componentes.

    Um doador saudável não sofre nenhum problema de saúde por conta da doação e seu organismo em pouco tempo repõe o sangue doado, permitindo se quiser, uma nova doação. O intervalo mínimo entre doações estabelecido pelo Ministério da Saúde do Brasil é de 2 em 2 meses, no máximo 4 vezes ao ano para homens e de 3 em 3 meses, no máximo 3 vezes ao ano, para mulheres.

    Quem pode doar sangue
    Pessoas saudáveis entre 16 e 69 anos, que pesem mais de 50 quilos podem doar. Entre 16 e 18 anos é necessária autorização dos pais ou responsáveis e entre 60 e 69 é preciso que pelo menos uma vez antes dos 60 anos de idade a pessoa já tenha doado.

    No entanto, existem impedimentos temporários e impedimentos definitivos à doação:

    Impedimentos temporários:
    - Estar com gripe, resfriado e febre: aguardar 7 dias após o desaparecimento dos sintomas;
    - Estar no período gestacional;
    - Estar no período pós-gravidez: 90 dias para parto normal e 180 dias para cesariana;
    - Amamentação: até 12 meses após o parto;
    - Ingestão de bebida alcoólica nas 12 horas que antecedem a doação;
    - Ter feito tatuagem e/ou piercing nos últimos 6 meses (piercing em cavidade oral ou região genital impedem a doação);
    - Ter passado por rxtração dentária: 72 horas;
    - Ter passado por cirurgias de apendicite, hérnia, amigdalectomia, varizes: 3 meses;
    - Ter passado por cirurgias colecistectomia, histerectomia, nefrectomia, redução de fraturas, politraumatismos sem seqüelas graves, tireoidectomia, colectomia: 6 meses;
    - Ter recebido ransfusão de sangue: 1 ano;
    - Vacinação: ter sido vacinado - o tempo de impedimento varia de acordo com o tipo de vacina.
    - Ter passado por exames/procedimentos com utilização de endoscópio nos últimos 6 meses;
    - Ter sido exposto a situações de risco acrescido para infecções sexualmente transmissíveis (aguardar 12 meses após a exposição);

    Impedimentos definitivos
    - Ter passado por um quadro de hepatite após os 11 anos de idade;
    - Ter evidência clínica ou laboratorial das seguintes doenças transmissíveis pelo sangue: Hepatites B e C, AIDS (vírus HIV), doenças associadas aos vírus HTLV I e II e Doença de Chagas;
    - Usar de drogas ilícitas injetáveis;
    - Ter tido Malária

    Onde e como doar
    Pesquise por hemocentros em sua região. Se não encontrar com facilidade, a maioria dos hospitais, postos de saúde e unidades de atendimento podem indicar o hemocentro ou unidade de coleta de sangue mais próxima.

    Entre em contato com o hemocentro mais conveniente e verifique se necessário marcar hora ou se basta o comparecimento. No comparecimento ao local de doação o candidato a ser doador deve apresentar documento original com foto expedido por órgão oficial, como carteira de Identidade, Passaporte, Carteira de Trabalho, Carteira de Identidade de Profissional, Carteira Nacional de Habilitação com foto ou Certificado de Reservista.

    Doar sangue é seguro, não há nenhum risco de contaminação ao doador, nos hemocentros oficiais são usados equipamentos esterilizados e descartáveis por profissionais habilitados. O procedimento todo - cadastro, aferição de sinais vitais, teste de anemia, triagem clínica, coleta do sangue e lanche – leva cerca a de 40 minutos.

    Se você trabalhar, saiba que a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) dispõe que o empregado poderá deixar de comparecer ao serviço, sem prejuízo do salário, por um dia, a cada 12 meses, em caso de doação voluntária de sangue devidamente comprovada.

    O GPOI comenta
    Doar sangue é uma forma relativamente fácil e rápida de você ajudar pessoas que, com sua ajuda, podem se recuperar de, ou sobreviver à problemas muito graves. Pense nisso.

    Fontes: [1] Ministério da Saúde do Brasil - Doação de Sangue: Saiba como e quem pode doar [2] ASCO – American Society of Clinical Oncology – Cancer.net - Donating Blood [3] ASCO – American Society of Clinical Oncology – Cancer.net – Anemia [4] ASCO – American Society of Clinical Oncology – Cancer.net – Bleeding Problems

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    Junho 2018

    Jovens, barriga e cigarro

    Estudo encontra maior circunferência abdominal nos adolescentes brasileiros fumantes

    Já há alguns anos vários estudo mostraram que, entre adultos, existe uma relação entre o vício de fumar e um aumento da obesidade abdominal. Fumantes, além dos malefícios diretos provocados pelo tabagismo, também tem estatisticamente mais gordura abdominal, o que é um fator de risco para uma série de doenças crônicas como doenças cardiovasculares, diabetes e câncer. Um estudo feito no Brasil mostra que o problema também atinge os adolescentes.

    A gordura abdominal
    Embora excesso de peso ou gordura excessiva não sejam coisas boas para saúde em qualquer forma, vários estudos mostram que gordura concentrada na barriga, especialmente a gordura interna – gordura visceral – está ligada a distúrbios metabólicos e o desenvolvimento de doenças crônicas.

    A relação estatística entre gordura abdominal interna e doença é clara, porém os exatos mecanismos porque isso acontece ainda não são totalmente entendidos pela ciência. Aparentemente, a gordura abdominal interna está ligada à hiperatividade dos mecanismos de resposta ao stress do organismo e provocam lipotoxidade (lipotoxity): o acúmulo de ácidos graxos no fígado, pâncreas e outros órgão, levando à danos nos mecanismos de regulação de insulina, açúcar no sangue e colesterol.

    Os métodos mais precisos de avaliar a obesidade abdominal são a tomografia computadorizada ou a ressonância magnética, que permitem uma visão detalhada dos tecidos internos, mas são processos caros e que precisam de máquinas sofisticadas e não disponíveis em muitos lugares.

    A simples medida da circunferência abdominal, embora menos preciso, é um método fácil e barato para uma primeira avaliação da obesidade abdominal, se as medidas forem comparadas com a circunferência média de outras pessoas, ajustando por idade, sexo, altura, e outras variáveis demográficas.

    O estudo
    A pesquisa realizada por pesquisadores da Universidade John Hopkins (EUA) e da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), publicado pela revista Preventive Medicine, foi realizado através da medição da circunferência abdominal e questionários comportamentais com 21.671 rapazes e 17.142 moças entre 15 e 17 anos, estudantes de escolas públicas e privadas no Brasil. Se descobriu uma maior prevalência da obesidade abdominal entre os adolescentes que consumiam mais de 1 cigarro por dia, tanto para os do sexo masculino quanto as do feminino.

    Os motivos que levam os fumantes – adultos e adolescentes - a terem na média estatística uma maior circunferência abdominal não são claros, mais estudos a respeito precisam ser feitos. Essa relação pode envolver causas diretas, como o metabolismo da Nicotina e indiretas: um comportamento mais sedentário e um estilo de vida de maior risco, incluindo aí uma alimentação mais desregrada. Um indício desse possível desrespeito pelo próprio corpo por parte dos fumantes vem de outro dado da pesquisa: 28,9% dos adolescentes masculinos fumantes e 31,2% das femininas fumantes declararam tomar uma ou mais doses de bebida alcoólica, em média, todos os dias. Lembrando que estamos falando de meninos e meninas entre 15 e 17 anos... Entre os não fumantes a parcela dos que consome álcool diariamente foi de 3,1%, dez vezes menor.

    Assim os efeitos negativos se somam: o cigarro causa malefícios diretos e os fumantes tem uma tendência estatística a terem mais obesidade abdominal que os não fumantes, o que vai trazer mais malefícios ainda

    O GPOI comenta
    O tabagismo, sob vários aspectos pode ser considerado uma doença pediátrica, porque na maior parte dos casos a experimentação com o cigarro que conduz ao vício acontece no final da infância ou na adolescência. Assim, cabe aos pais uma parcela importante de tentar impedir esse começo do vício, pelo exemplo, pela autoridade e pelo carinho. Outras parcelas importantes devem vir da escola e de políticas governamentais mais restritivas do acesso de crianças e adolescentes ao cigarro.

    Fontes: [1] Preventive Medicine - Assessing the relationship between smoking and abdominal obesity in a National Survey of Adolescents in Brazil Autores: Neilane Bertoni,Liz Maria de Almeida,Moysés Szklo,Valeska C. Figueiredo,André S. Szklo [2] Harvard Medical School - Abdominal obesity and your health [3] Oxford Academic – European Heart Journal - Abdominal obesity: the most prevalent cause of the metabolic syndrome and related cardiometabolic risk [4] INCA – Instituto Nacional de Câncer - Estudo associa fumar a aumento da circunferência abdominal entre adolescentes brasileiros

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    Maio 2018

    Dia Mundial Sem Tabaco

    No 31 de maio acontece o Dia Mundial Sem Tabaco.

    A OMS – Organização Mundial da Saúde (WHO – World Health Association), uma agência da Nações Unidas, promove desde 1987 um dia para desestimular o consumo de cigarro e outros derivados do tabaco. A data original usada foi 7 de abril de 1988, como o primeiro “dia mundial sem fumar” e a partir de 1988 se estabeleceu o 31 de maio e a mensagem mais geral de combate a todos os derivados do tabaco e não apenas o cigarro.

    A ideia é estimular os fumantes e usuários de outras formas de tabaco (como cachimbo, charuto, rapé, fumo de mascar e dispositivos de tabaco aquecido) a passarem pelo menos as 24 horas do dia 31 de maio sem consumir nenhum tabaco. Além de convocar diretamente as pessoas a pararem pelo menos nesse dia, a iniciativa pretende alertar a população aos riscos provocados por esses hábitos e encorajar governos a adotarem medidas para reduzir e restringir o hábito de fumar e outros usos do tabaco.

    A cada ano a OMS escolhe um tema central da campanha a ser comunicado em campanhas publicitárias e eventos em todas as organizações de saúde ao redor do mundo. Em 2018 o tema escolhido foi doenças do coração provocadas pelo tabagismo. Embora o câncer seja a doença mais habitualmente lembrada pelas pessoas quando pensam nos malefícios provocados pelo cigarro (com razão, o cigarro é de longe o maior agente provocador de câncer voluntariamente evitável), o consumo de tabaco, em particular o hábito de fumar é responsável também por uma grande série de problemas cardiovasculares. A OMS estima que cerca de 12% das mortes por doenças do coração sejam provocadas pelo exposição direta ou inalação indireta (quando uma pessoa contamina o ambiente com fumaça que atinge outros) de fumaça de cigarro.

    Segundo a OMS a epidemia global de tabaco (a OMS usa para o tabagismo a mesma nomenclatura de uma doença) mata a cada ano mais de 7 milhões de pessoas no mundo, das quais perto de 900.000 dos que morrem são fumantes indiretos que convivem com fumantes e respiram fumaça de segunda mão. Com a queda gradual do hábito de fumar nos países do 1º mundo o peso do problema tem recaído mais sobre os países pobres e em desenvolvimento: 80% dos estimados 1 bilhão de fumantes do mundo moram nestes países, o que agrava o problema pelo menor acesso a recursos de medicina e saúde.

    No Brasil
    No Brasil o INCA (Instituto Nacional do Câncer), órgão auxiliar do Ministério da Saúde no desenvolvimento e coordenação das ações integradas para a prevenção e o controle do câncer no Brasil, todo os anos por ocasião do Dia Mundial Sem Tabaco desenvolve campanhas para educar da população e influenciar o governo na direção dos temas da campanha. Por exemplo, na página do Dia Mundial Sem Tabaco no site do INCA podemos encontrar várias informações sobre o tabagismo no Brasil. Veja um excerto dessa página:

    O CIGARRO ROUBA
    4.203.383 ANOS de vida são roubados por morte prematura e incapacidade.
    -6,71 ANOS de vida das mulheres e -6,12 ANOS de vida dos homens, em média.
    -2,45 ANOS de vida das mulheres ex-fumantes e -2,66 ANOS de vida dos homens ex-fumantes, em média.
    O CIGARRO MATA
    428 PESSOAS MORREM por dia no Brasil por causa do tabagismo.
    12,6% DE TODAS AS MORTES que ocorrem no país podem ser atribuídas ao tabagismo.
    156.217 MORTES poderiam ser evitadas a cada ano.

    GPOI comenta
    A hora de parar de fumar ou parar de consumir outros derivados do tabaco é agora. Aproveite o Dia Mundial Sem Tabaco para seguir o slogan da campanha: Faça de cada dia um dia sem tabaco. Sabemos, no entanto parar de fumar pode ser difícil. Se você não estiver conseguindo parar sozinho, procure ajuda. Procure conversar com um médico de sua confiança, ele pode ajudar.

    Fontes: [1] WHO – World Health Organization - World No Tobacco Day, 31 May 2018 [2] WHO – World Health Organization - WHO global health days - World No Tobacco Day [3] INCA - Instituto Nacional do Câncer – 31 de maio Dia Mundial Sem Tabaco

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    Abril 2018

    Gerenciando Emoções

    Um diagnóstico de câncer pode provocar muitas emoções negativas. É importante tentar controlá-las e superá-las.

    Medo, tristeza, ansiedade, solidão ou a sensação de ser diferente dos outros, frustação e o sentimento de perda do controle sobre a própria vida, são naturais para quem enfrenta uma doença grave e um tratamento severo.

    No entanto, é possível controlar as emoções negativas, estimular emoções melhores e controlar o stress. Não só para o conforto próprio e dos entes queridos ao longo da luta contra a doença, mas também porque uma atitude mais positiva pode ajudar na cura e recuperação.

    Procure apoio psicológico
    Muitas pessoas tem mais facilidade de aceitar, buscar ajuda e tratar doenças físicas do que problemas psicológicos, talvez por causa de um certo estigma ligado a estes tipos de problemas, talvez por vergonha de dividir seus sentimentos com outros, ou vergonha de parecerem “fracas” de não serem capazes de suportar o sofrimento sozinhas. No entanto é muito mais fácil de se lidar com emoções negativas com o apoio de outras pessoas:
    - Procure conversar com pessoas que passaram ou estão passando pelo mesmo problema. Você descobrirá que não é único e que seus sentimentos não são motivo de vergonha, outras pessoas também os tiveram ou os tem.
    - Procure grupos de apoio. Muitas cidades, igrejas e associações tem grupos para conversar sobre o câncer e seu tratamento.
    - Peça e aceite ajuda para a família e amigos, para coisas simples ou complexas ou para dividir suas dúvidas e problemas.
    - Não tenha vergonha de perguntar para seu médico e a equipe de seu tratamento todas as dúvidas e aflições que tiver, por mais íntimas ou vergonhosas que pareçam. As vezes a resposta correta é simples, natural e o melhor remédio para uma preocupação.
    - Se puder, procure ajuda profissional: um psicólogo ou psiquiatra. Ajuda profissional pode tornar mais fácil a lidar com sentimentos confusos e possíveis mudanças físicas.

    Mantenha-se ativo
    Muitos pacientes de câncer se deixam levar pelo desânimo, pela atimia, pela vontade de não fazer nada que não seja ficar na cama ou na poltrona sentindo pena de si mesmos. No entanto, manter-se ativo pode ajudar no tratamento e na recuperação:
    - Tente manter, pelo menos em parte, sua atividade profissional, se sua condição permitir e seu médico autorizar. Trabalhar ocupa a mente e a desvia de pensamentos negativos.
    - Tente, na medida que sua condição física permitir, manter uma vida social, contatos mais frequentes com amigos e parentes.
    - Com autorização e orientação do seu médico, faça atividade física, exercícios na intensidade maior que sua condição e seu tratamento permitirem.
    - Tente um novo hobby ou atividade de lazer, como por exemplo aprender algum tipo de artesanato.

    O GPOI comenta

    Qualquer doença grave, em particular o câncer é motivo natural de preocupação, ansiedade e tristeza. No entanto, é possível encarar as coisas de forma mais positiva. Converse com seu médico e sua equipe de tratamento, exponha suas preocupações e dúvidas. Eles podem ajudá-lo a resolvê-las e enfrentá-las, bem como podem ajudar na busca de outros recursos de apoio.

    Fontes: ASCO – American Society of Clinical Oncology – Cancer.net - Managing Stress ASCO – American Society of Clinical Oncology – Cancer.net - Self-Image and Cancer

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    Março 2018

    Mês da Mulher

    No 8 de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Vamos falar dos 3 tipos de câncer mais comuns nas mulheres no Brasil.

    Câncer de Pele (não Melanoma)
    O câncer de pele é dividido para efeito de estudo em dois tipos, Melanoma – que atinge os melanócitos, as células que produzem a melanina, o pigmento que dá cor à pele - e não Melanoma – que atinge as outras células da pele. As diferentes variantes do segundo tipo são as formas de câncer mais comuns no mundo. Segundo a WHO World Health Organization (Organização Mundial da Saúde) um em cada três cânceres diagnosticados no mundo é de pele. No Brasil o câncer de pele não Melanoma também é o tipo de câncer mais comum, sendo previsto pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer) que represente pouco mais de 25% dos casos da doença no país em 2018, tanto em homens quanto em mulheres.

    O câncer de pele não Melanoma tem um prognóstico melhor que outros tipos de câncer porque tem relativa baixa probabilidade de metástase – espalhamento para outros órgãos do corpo – e porque qualquer doença no exterior do corpo, na pele, tem maior facilidade de ser enxergada e descoberta e depois acessada fisicamente para procedimentos e tratamentos, do que uma doença em um órgão interno do corpo, onde fica mais difícil de se perceber e de se tratar. No entanto, o câncer de pele não Melanoma, como qualquer câncer, não pode ser encarado com leveza ou indiferença. Se não tratado pode causar grandes lesões, até desfigurantes no seu local de origem e pode sim, em alguns casos, se espalhar e levar à morte. No Brasil em 2013 (últimos dados disponíveis no site do INCA) houve cerca de 1.800 mortes provocadas por este tipo de câncer.

    Câncer de Mama
    O câncer de mama é o câncer mais comum nas mulheres depois do câncer de pele. Embora possa também raramente acometer os homens (menos de 1% dos casos) representa 28% dos casos de câncer (fora os de pele) em mulheres no Brasil. E, infelizmente, é o tipo de câncer que mais mata, sendo atribuídas a esta doença 14.388 mortes (181 homens e 14.206 mulheres) no Brasil em 2013 (últimos dados disponíveis no site do INCA).

    No entanto, nem todos os tipos de câncer de mama são agressivos – de crescimento rápido – e em qualquer caso a detecção e tratamento precoces são muito importantes para o resultado da doença. Prova disso é que a taxa de mortalidade do câncer de mama é relativamente maior nas regiões mais pobres do Brasil e do mundo, em parte porque as mulheres são menos informadas sobre detecção precoce e em parte porque o sistema de saúde é mais deficitário. Estudo realizado em hospital de referência no estado do Espírito Santo, divulgado pelo INCA, determinou que as mulheres com baixo grau de instrução (analfabetas ou ensino primário) tem 4,3 vezes mais chances de serem diagnosticadas de câncer de mama quando já em estado tardio do que as de maior grau de instrução [4]. Como sempre no câncer, nos estados mais tardios a doença é mais difícil de tratar e o prognóstico mais sombrio.

    Câncer do Colón e Reto (Colorretal)
    O terceiro câncer mais incidente em mulheres no Brasil é o câncer do cólon e do reto, as porções finais do intestino. Nesse sentido o Brasil acompanha o que acontece no mundo, onde este tipo de câncer é o terceiro mais comum e o quarto que mais mata. Embora de etiologia complexa, como todos os cânceres, alguns estudos indicam que o aumento da incidência desse tipo de câncer nas nações industrializadas e nos países em desenvolvimento como o Brasil seja parcialmente relacionado às crescentes mudanças na dieta e atividade física das pessoas, em particular sedentarismo e uma dieta pobre em vegetais, legumes e cereais integrais, bem como um aumento da ingestão de alimentos processados industrialmente. O aumento da incidência da doença também foi observado nos casos de imigração para países de dieta de maior risco, como por exemplo do Japão para os EUA, o que reforça uma possível correlação entre dieta industrializada e o câncer colorretal. Números da WHO indicam que se diagnosticado precocemente o câncer colorretal pode ter até 90% de sobrevivência do paciente por pelo menos 5 anos, porém apenas 8% de sobrevida nos casos diagnosticados em estágios mais avançados.

    O GPOI comenta
    O câncer é um conjunto de doenças de origem complexa e de causas múltiplas, onde fatores pessoais - como a idade e a genética de cada pessoa - interagem com fatores ambientais – como a poluição e a latitude onde a pessoa mora - e comportamentais – como fumar e beber - para aumentar ou diminuir risco de se vir a desenvolver a doença. Sobre muitos destes fatores não temos controle, mas sobre os que temos é possível tomar atitudes preventivas.

    Então, especialmente às mulheres que nos leem nesse mês da mulher, recomendamos tomar cuidados com os fatores comportamentais relacionados ao aumento de risco dos 3 tipos de câncer mais comuns nas mulheres no Brasil: exposição exagerada ao Sol, alto índice de massa corporal, baixa ingestão de frutas e vegetais, falta de atividade física, uso de tabaco e consumo de álcool. Além disso procurem se informar com seus médicos ou profissionais de saúde quais exames de detecção precoce do câncer seriam indicados no seu caso específico.

    Cuidem-se e vivam melhor!

    Fontes: [1] WHO World Health Organization – Skin Cancers [2] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Estimativas Câncer 2018 [3] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Pele não Melanoma [4] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Universidade Federal do Espírito Santo - Perfil Sócio Demográfico e Estádio Tumor de MamaPriscilla Ferreira e Silva; Maria Helena Costa Amorim; Eliana Zandonade; Katia Cirlene Gomes Viana - [5] WHO World Health Organization – Cancer Fact Sheet [6] WHO World Health Organization – World Health Report – Cancer

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    Fevereiro 2018

    600 mil casos para 2018

    Documento "Estimativa 2018 Incidência de Câncer no Brasil" projeta 600 mil novos casos para o ano

    Desde 1995, a cada ano o Ministério da Saúde do Brasil em conjunto com o INCA – Instituto Nacional do Câncer – publica sua Estimativa Incidência de Câncer no Brasil, um documento que tenta prever os novos casos da doença que irão ocorrer no país. Em 2018, o documento foi apresentado no dia 2 de fevereiro, na sede do INCA no Rio Janeiro, como parte das atividades em torno do Dia Mundial do Câncer, o 4 de fevereiro.

    O documento visa principalmente apoiar os hospitais, clínicas, centros de saúde e gestores públicos e privados, no planejamento e alocação e recursos materiais e humanos para o combate à doença no período. Além disso suas informações podem ser usadas no esforço de comunicação para as atividades de detecção precoce e prevenção da doença.

    O Estimativa 2018 Incidência de Câncer no Brasil contém várias tabelas e gráficos, dividindo os números por tipo de câncer, sexo do doente e regiões do país, bem como comentários e análises sobre cada item. Na sua apresentação, os gestores do INCA alertaram para o fato que o câncer cresceu 20% na última década em todo o mundo e que a maior parte deste crescimento aconteceu nos países de média e baixa renda como o Brasil, o que alerta os entes públicos e da sociedade civil, ligados à prevenção e combate à doença, para redobrarem sua atenção e esforços.

    Outro tema debatido na mesma ocasião foi como a questão das “Fake News” - informações falsas divulgadas através de redes sociais como se fossem verdadeiras - podem afetar a compreensão da população sobre o câncer, sua prevenção, detecção precoce, combate, diagnóstico e prognóstico, sendo ressaltados o papel dos profissionais de saúde na educação e esclarecimento da população, além de seu papel funcional já esperado.

    Segue-se uma síntese dos resultados da ESTIMATIVA 2018, os 10 principais tipos de câncer previstos a ocorrer no país:

    1 Câncer de pele
    Para o Brasil, estimam-se 85.170 casos novos de câncer de pele não melanoma entre homens e 80.410 nas mulheres para cada ano do biênio 2018-2019. É o tipo de câncer mais incidente no Brasil em ambos os sexos, em todas as regiões do país.

    2 Câncer de próstata
    Para o Brasil, estimam-se 68.220 casos novos de câncer de próstata para cada ano do biênio 2018-2019. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de próstata é o mais incidente entre os homens em todas as Regiões do país.

    3 Câncer de mama
    Para o Brasil, estimam-se 59.700 casos novos de câncer de mama, para cada ano do biênio 2018-2019. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, esse tipo de câncer também é o primeiro mais frequente nas mulheres das Regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Na Região Norte, é o segundo tumor mais incidente (onde, nas mulheres, o câncer do colo do útero é o mais incidente depois dos de pele).

    4 Câncer de cólon e reto
    Para o Brasil, estimam-se 17.380 casos novos de câncer de cólon e reto em homens e 18.980 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019. É o terceiro mais frequente em homens e o segundo entre as mulheres.

    5 Câncer de pulmão
    Para o Brasil, estimam-se 18.740 casos novos de câncer de pulmão entre homens e de 12.530 nas mulheres para cada ano do biênio 2018-2019.

    6 Câncer de estômago
    Para o Brasil, estimam-se 13.540 casos novos de câncer de estômago entre homens e 7.750 nas mulheres para cada ano do biênio 2018-2019.

    7 Câncer do colo do útero
    Para o Brasil, estimam-se 16.370 casos novos de câncer do colo do útero para cada ano do biênio 2018-2019.

    8 Câncer da cavidade oral
    Para o Brasil, estimam-se 11.200 casos novos de câncer da cavidade oral em homens e 3.500 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019.

    9 Câncer do Sistema Nervoso Central
    Para o Brasil, estimam-se 5.810 casos novos de câncer do Sistema Nervoso Central (SNC) em homens e 5.510 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019.

    10 Leucemia
    Para o Brasil, estimam-se 5.940 casos novos de leucemia em homens e 4.860 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019.

    O GPOI
    O GPOI saúda mais essa Importante contribuição para as políticas nacionais de saúde trazida pelo Ministério da Saúde e o INCA – Instituto Nacional do Câncer – e lembra que cabe a cada um de nós se esforçar na prevenção, diagnóstico precoce e combate ao câncer para que, se possível, chegarmos ao final de 2018 com números reais da doença menores que os previstos na ESTIMATIVA.

    Fontes: [1] INCA Instituto Nacional do Câncer - INCA estima cerca de 600 mil casos novos de câncer para 2018 [2] INCA Instituto Nacional do Câncer - Estimativa 2018 Incidência de Câncer no Brasil

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    Janeiro 2018

    5 resoluções de Ano Novo

    Nossas sugestões de resoluções de ano novo para você diminuir o risco de câncer.

    Chamamos de câncer o conjunto de doenças caracterizado por um processo de multiplicação descontrolada e anormal de células de nosso corpo, que uma vez começado, geralmente não para sem intervenção médica. Essa multiplicação descontrolada, crescente e sem parada de células defeituosas pode levar a sérios danos físicos e bioquímicos no nosso organismo e muitas vezes até a morte. A “quebra” do mecanismo de reprodução ordeira de uma célula, que dispara sua multiplicação doentia, pode ser provocada por uma série de fatores, pessoais e ambientais, que interagem de forma complexa e em muitos casos não completamente entendida pela ciência.

    No entanto, ao longo do tempo foram sendo identificados fatores que tem grande correlação estatística com o aparecimento da doença, em outras palavras, fatores que quando presentes aumentam a chance de seus portadores virem a ter a doença. Sobre parte deles temos algum grau de controle – como o que comemos, por exemplo – sobre outros – como a herança genética que recebemos de nossos pais e nossa idade – não temos. Dado isso, se eliminarmos ou diminuirmos em nossas vidas o fatores sobre os quais temos controle, fatores que sabemos aumentar o risco de câncer, podemos estar diminuindo em parte a chance de virmos a desenvolver a doença. Para tanto, segue então nossa sugestão de resoluções de ano novo:

    Resolução 1: Manter um peso saudável.
    O excesso de peso corporal está fortemente associado ao aumento de risco de 13 tipos de câncer: esôfago (adenocarcinoma), estômago (cárdia), pâncreas, vesícula biliar, fígado, intestino (cólon e reto), rins, mama (mulheres na pós-menopausa), ovário, endométrio, meningioma, tireoide e mieloma múltiplo. Além disso, também foi encontrada alguma relação estatística (a ser melhor estudada) entre obesidade e os cânceres de próstata (avançado), mama (homens) e linfoma difuso de grandes células B. [1]

    Resolução 2: Limitar a ingestão de bebidas alcoólicas
    O etanol, quando consumido em quaisquer quantidades, pode aumenta o risco de câncer de boca, faringe, laringe, esôfago, estômago, fígado, intestino (cólon e reto) e mama (pré- e pós-menopausa). [2]

    Resolução 3: Parar de fumar
    O tabagismo tem relação com vários tipos de câncer (pulmão, cavidade oral, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga, colo do útero e leucemias) e é responsável por cerca de 30% das mortes por câncer.

    O principal câncer associado ao tabagismo é o de pulmão. Fumantes chegam a ter 20 vezes mais chances de ter esse tipo de câncer que não fumantes, 10 vezes mais chances de ter câncer de laringe e de duas a cinco vezes mais chances de desenvolver câncer de esôfago. [3]

    Resolução 4: Proteger-se do Sol
    Exposição prolongada e/ou repetida ao Sol é o maior fator de risco para o câncer de pele. Em um país tropical como o Brasil e de grande prevalência dos habitos de ir à praia e lazer ao livre, o câncer de pele é o mais frequente no país e corresponde a 30% de todos os tumores malignos registrados. [4][5]

    Resolução 5: Precaver-se contra as doenças virais ligadas ao câncer
    Há fortes evidências científicas que algumas infecções virais induzam ao câncer. Estima-se que 18% dos cânceres no mundo sejam provocados por agentes infecciosos (percentual que os coloca, ao lado do fumo, como os agentes cancerígenos mais importantes). O principais são: Papilomavírus humano (HPV), Vírus da hepatite B (HBV), vírus da hepatite C (HCV), Vírus Epstein-Barr, Herpes vírus 8 (HHV8) e Vírus T-linfotrópico humano tipo I (HTLV-I). [6]

    O GPOI comenta
    Muitas pessoas se incomodam com o caráter probabilístico da vida, com o fato que não temos controle total sobre o que nos acontece. Por mais esforçados e bem intencionados que sejamos, o acaso sempre está envolvido, em maior ou menor grau, nos resultados. Em particular para uma doença grave como o câncer, gostaríamos de ter uma “receita de bolo” comportamental infalível, que se seguida, nos livrasse de um dia vir a desenvolver a doença. Infelizmente, esta receita não existe.

    No entanto, a ciência vem acumulando, ao longo das décadas, uma série de evidencias sobre fatores que aumentam o risco do câncer. Tentarmos evitar ou diminuir estes fatores, diminuindo a chance de vir acontecer conosco é nossa sugestão para um bom conjunto de resoluções de ano novo. Pode diminuir as chances de doença em 2018 e nos próximos anos. Feliz Ano Novo!

    Fontes: [1] INCA – Instituto Nacional de Câncer - INCA lança posicionamento com indicações para evitar sobrepeso e obesidade, que estão relacionados a treze tipos de câncer [2] INCA – Instituto Nacional de Câncer - Bebidas alcoólicas [3] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Tabagismo [4] INCA – Instituto Nacional de Câncer – PELE NÃO MELANOMA [5] INCA – Instituto Nacional de Câncer - PELE MELANOMA [6] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Infecção e câncer

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    Dezembro 2017

    Mais de 50% tem HPV

    Pesquisa nacional encontra mais metade dos testados contaminada com HPV – vírus que em alguns casos podem provocar câncer.

    A pesquisa
    No 27 de novembro, Dia Nacional de Combate ao Câncer, o Governo Federal apresentou resultados preliminares da pesquisa POP-Brasil-Estudo Epidemiológico sobre a Prevalência Nacional de Infecção pelo HPV, que pretende mapear a contaminação por essa família de vírus no país, visando orientar as políticas para seu combate. Ao longo do estudo cerca de 2.600 pessoas entre 16 e 25 nos de idade foram testadas, em 119 Unidades Básicas de Saúde e um Centro de Testagem e Aconselhamento, nas 26 capitais brasileiras e Distrito Federal. Neste grupo testado, 54,6% deram resultado positivo, sendo que 38,4 % com os tipos de HPV que trazem alto risco para o desenvolvimento do câncer. [1]

    O HPV
    HPV é a sigla em inglês para papilomavírus humano (Human papillomavirus), uma família de mais de 150 tipos de vírus, transmitidas pelo contato entre pele ou mucosas de pessoa a pessoa. Os diferentes tipos de vírus da família HPV costumam ser chamados por números, por exemplo HPV-11 ou HPV-18, e podem apresentar diferentes manifestações e sintomas nas pessoas contaminadas por eles. Um dos sintomas comuns de contaminação por HPV é o aparecimento de verrugas em diferentes partes do corpo. [2] Da família do HPV, cerca de 40 tipos podem infectar o trato ano-genital, provocando verrugas e outras lesões nessas regiões.

    Algumas dessas lesões, se não identificadas e tratadas, podem ao longo do tempo se tornar crônicas e dar início a um câncer. Pelo menos 13 dos tipos de HPV são considerados oncogênicos, ou seja as lesões que provocam tem relação estatística com o desenvolvimento de cânceres. Em particular os tipos 16 e 18 são encontrados em 70% dos casos de câncer do colo do útero. [3]

    Além dos genitais e do ânus o HPV pode causar câncer na boca, língua e garganta. Nos últimos anos vem acontecendo uma aumento do números destes cânceres orais ligados ao HPV entre homens e mulheres, e estudos sugerem que esse fenômeno possa estar ligado a mudanças nos hábitos sexuais, como o aumento da prática do sexo oral, entre outros. [2]

    O câncer do colo do útero
    Dos vários tipos de câncer associados ao HPV, o de maior relação é o câncer do colo do útero. Estima-se que diferentes tipos de HPV provoquem praticamente todos os casos de câncer do colo do útero. [2] No entanto, é importante lembrar que a maioria das infecções por HPV não irão provocar o câncer.

    O colo do útero é a porção do final deste órgão, localizada no fundo do vagina. O HPV pode provocar lesões nessa região, chamadas de lesões precursoras que quando não tratadas podem dar início a um câncer. No entanto, essas lesões são totalmente tratáveis e curáveis antes de se agravarem. Um problema é que por ser uma região interna no corpo essas lesões não são visíveis externamente e na maioria das vezes não apresentam sintomas, então é necessário que as mulheres realizem exames periódicos preventivos, Papanicolaou ou citopatológico, onde são colhidas amostras da região para exame em laboratório.

    O Ministério da Saúde do Brasil recomenda que estes exames sejam feitos preferencialmente por todas as mulheres entre 25 e 64 anos, que tenham ou tenham tido vida sexual ativa, primeiro anualmente e depois, se os resultados forem negativos, a cada três anos. [3]

    Prevenção
    A principal forma de prevenção do contágio pelo HPV é vacinação. Existem vacinas que protegem contra os tipos 6, 11, 16 e 18, estes dois últimos estreitamente correlatos estatisticamente ao câncer de colo do útero, como vimos. Em ideal, deve-se vacinar a população em geral antes do começo da vida sexual, então recomenda-se que a vacinação seja feita entre os 9 a 14 anos de idade. [4] O uso de preservativos – camisinha - em todas as relações sexuais, também é uma forma parcial de prevenção do contágio pelo HPV e outros vírus e bactérias sexualmente transmissíveis, no entanto, infelizmente, a camisinha não protege totalmente do HPV porque o contágio pode ocorrer pelo contato das regiões externas dos genitais, não cobertas ou protegidas pelo preservativo, como a pele da vulva, região perineal e bolsa escrotal. [4] Além disso, um portador de HPV pode não ter nenhuma lesão ou verruga visível e ainda assim passar a doença para outras pessoas. [2]

    Gerenciamento da infecção
    O HPV não tem cura. Assim, além dos cuidados preventivos, o que a medicina pode fazer para quem já está contaminado é cuidar dos sintomas, remover as lesões – verrugas e lesões pré-cancerosas. Essa remoção pode ser feita por diferentes processos cirúrgicos ou químicos. No entanto, a remoção de verrugas e lesões não elimina o vírus do corpo da pessoa – que podem ficar hospedados em outras células - e as lesões podem retornar, em ocasiões que a pessoa tiver seu sistema imunológico enfraquecido. Além disso, uma pessoa portadora de HPV que tenha suas lesões removidas pode continuar contaminando outras, porque continua com a doença, só que não aparente. [2]

    O GPOI recomenda
    Os responsáveis por crianças e adolescentes devem se informar em postos ou unidades de saúde sobre os programas de vacinação para o HPV e devem leva-los para tomar as vacinas conforme indicado. No Brasil, o serviço público de saúde oferece a vacina do HPV para meninas de 9 a 15 anos e meninos de 11 a 15 anos de idade incompletos (14 anos, 11 meses e 29 dias). Além de crianças e adolescentes a vacinação também pode ser recomendada para portadores de HIV/Aids até os 26 anos de idade [5].

    Se você for mulher procure seguir no mínimo as recomendações do Ministério da Saúde para os exames preventivos de lesões precursoras do câncer de colo do útero, bem como fazer os tratamentos se for o caso. Pessoas de ambos os sexos devem ficar atentas a verrugas ou lesões na pele ou mucosas em qualquer parte do corpo e devem procurar uma consulta médica para tirar as dúvidas a respeito, ou tratá-las se necessário.

    Fontes: [1] Ministério da Saúde - Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais - Estudo apresenta dados nacionais de Prevalência da Infecção pelo HPV [2] ASCO – American Society of Clinical Oncology – HPV and Cancer [3] INCA – Instituto Nacional de Câncer – HPV e Câncer [4] INCA – Instituto Nacional de CFIOCRâncer – Controle do Câncer do Colo do Útero [5] Fundação Oswaldo Cruz - Agência Fiocruz de Notícias - Vacina de HPV é ampliada para meninos de 11 a 15 anos

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    Novembro 2017

    Homens, Cuidem-se!
    Logo Novembro Azul

    O mês de novembro é dedicado internacionalmente a campanhas pró saúde masculina.

    Movember
    Na década de 90 do século 20, começou na Austrália um movimento pela conscientização dos homens para seus problemas de saúde específicos. A ideia dos jovens australianos fundadores do movimento foi, como um paralelo ao Outubro Rosa, um mês dedicado à conscientização e prevenção do câncer de mama, uma doença majoritariamente feminina, criar-se um mês dedicado à conscientização e prevenção de doenças masculinas.

    O movimento foi denominado Movember, uma contração das palavras em inglês Moustache (bigode) e November (Novembro) e como campanha de marketing do movimento criou-se a ideia que os homens deixassem crescer os seus bigodes ao longo desse mês [1]. No primeiro mundo, em particular nos países de língua inglesa, o movimento foi e é um sucesso, sendo comum ver-se homens comuns e celebridades deixarem crescer seus bigodes ao longo deste mês, como apoio ao movimento.

    No Brasil
    Aqui no país ao longo do século 21 foram surgindo campanhas de organizações da sociedade civil e do governo inspiradas no Movember internacional, procurando tornar o mês de novembro um mês dedicado à prevenção e combate das doenças masculinas, particularmente focadas em incentivar os homens a procurarem o exame do toque retal da próstata, um dos exames preventivos ao câncer de próstata, sob a denominação geral Novembro Azul, provavelmente em contraponto ao Outubro Rosa.

    Devido, talvez, à falta de uma organização central foram adotados como símbolos do movimento diferentes logos e grafismos para a campanha: laço azul, fundo azul com texto em branco, o bigode negro do Movember e outros. Agora em 2017 o que mais se vê em pôsteres, campanhas na imprensa e alfinetes de lapela no país é um laço azul sobreposto por um bigode preto, em um sincretismo de Novembro Azul com Movember.

    A revisão dos objetivos
    Ao longo da primeira década do século 21 foram surgindo dúvidas que rastreamento para o câncer de próstata, através do exame de toque retal ou dosagem de PSA, traga mais benefícios que malefícios, como política de saúde pública. Por rastreamento, entende-se realizar exames periódicos em indivíduos sem sinais ou sintomas da doença, visando detectá-la em sua fase pré-clínica. Os benefícios seriam a possível detecção de um câncer que precise ser tratado.

    Os possíveis malefícios incluem resultados falso-positivos, infecções e sangramentos resultantes de biópsias, ansiedade associada ao sobrediagnóstico (overdiagnosis) de câncer e danos resultantes do sobretratamento (overtreatment) de cânceres que nunca iriam evoluir clinicamente. Já em 2004, a Organização Mundial de Saúde (WHO – World Health Association) começou a alertar para o problema [2] e, conforme outros estudos foram sendo realizados, em 2010 o Reino Unido suspendeu esse rastreamento, os EUA em 2012 e o Brasil a partir de 2013.

    Segundo o INCA: “Por existirem evidências científicas de boa qualidade de que o rastreamento do câncer de próstata produz mais dano do que benefício, o Instituto Nacional de Câncer mantém a recomendação de que não se organizem programas de rastreamento para o câncer da próstata e que homens que demandam espontaneamente a realização de exames de rastreamento sejam informados por seus médicos sobre os riscos e benefícios associados a esta prática” [3].

    O novo Novembro Azul
    Como a tese central do movimento brasileiro Novembro Azul - estimular os homens assintomáticos a se submeterem em massa ao exame de toque retal - passou a ser considerada pelas organizações mundiais e nacionais de saúde mais maléfica que benéfica, o movimento se encontra em uma fase de transição para a promoção de objetivos mais difusos e genéricos de saúde masculina.

    Em 2015, em posicionamento oficial do Ministério da Saúde do Brasil e do INCA em relação ao movimento Novembro Azul, foi emitida uma nota técnica onde se reforça a não recomendação do rastreamento – “o MS (Ministério da Saúde) não recomenda a organização de programas de rastreamento do câncer de próstata” (lembramos aqui que rastreamento, nesse contexto de saúde pública significa realizar exames periódicos em indivíduos sem sinais ou sintomas de doença, visando detectá-la em sua fase pré-clínica).

    O MS recomenda aproveitar-se a mobilização social e de mídia do mês para a promoção de outros temas de saúde masculina – “acesso e acolhimento, prevenção de violência e acidentes, saúde sexual e reprodutiva, paternidade ativa e cuidado, saúde mental, hipertensão, diabetes e estímulo a hábitos saudáveis” [4].

    O câncer de próstata
    O câncer de próstata – o crescimento incontrolado e anormal de células desse órgão – é o câncer que mais atinge homens no Brasil depois dos cânceres de pele, com estimativa anual do INCA de cerca de 16.000 novos casos (dados 2016) e 13.000 mortes (dados 2013) [5]. Quanto ao sintomas, segundo o INCA “em sua fase inicial, o câncer da próstata tem evolução silenciosa.

    Muitos pacientes não apresentam nenhum sintoma ou, quando apresentam, são semelhantes aos do crescimento benigno da próstata (dificuldade de urinar, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou a noite). Na fase avançada, pode provocar dor óssea, sintomas urinários ou, quando mais grave, infecção generalizada ou insuficiência renal” [6].

    O GPOI recomenda
    Se você tem sintomas, sinais ou mudanças em seus hábitos urinários ou sexuais, ou ainda se você tem parentes de 1º grau – pai, irmãos – que tem ou tiveram câncer de próstata, você deve considerar a possibilidade de uma consulta médica para conversar com seu médico sobre possíveis benefícios e riscos, no seu caso específico, da realização de exames para detecção do câncer de próstata ou outras doenças masculinas.

    Fontes:
    [1] Movember Foundation – Site em português Fundação Movember [2] WHO – World Health Organization - Should mass screening for prostate cancer be introduced at the national level? [3] INCA – Instituto Nacional do Câncer – Rastreamento do Câncer de próstata [4] Ministério da Saúde – INCA – Nota Técnica Conjunta – Posicionamento do Ministério da Saúde acerca da integralidade da saúde dos homens no contexto do Novembro Azul [5] INCA – Instituto Nacional do Câncer – Tipos de Câncer – Próstata [6] INCA – Instituto Nacional do Câncer – Tipos de Câncer – Próstata – Sintomas

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    Outubro 2017

    Detecção Precoce

    A detecção precoce do câncer de mama pode aumentar muito as chances de sua cura.

    Outubro Rosa
    O câncer de mama é uma doença caracterizada pelo crescimento rápido e desorganizado de células anormais na mama, formando um tumor – uma massa de células doentes que cresce com o tempo. Além de poder provocar grande destruição local na mama, o câncer de mama pode se espalhar pelo corpo da pessoa portadora e formar tumores em outros pontos – um processo chamado metástase – levando a gravíssimas consequências, inclusive a morte. No Brasil é o tipo de câncer que mais atinge as mulheres, depois dos cânceres de pele. Também pode atingir homens, mas é muito raro no sexo masculino, 1% dos casos. As estimativas do INCA – Instituto Nacional do Câncer – para o câncer de mama no Brasil são de cerca de 57 mil novos casos por ano e cerca de 14 mil mortes. A detecção e o tratamento da doença nas suas fases iniciais, quando o tumor ainda está pequeno é a melhor estratégia no seu combate, porque permite um tratamento menos severo e aumenta as chances de cura. No entanto muitas mulheres ignoram ou evitam exames preventivos e procuram ajuda médica quando a doença já atingiu um estado mais avançado, o que torna o tratamento muito mais complexo e as chances de melhora menores. No mundo inteiro o mês de outubro é usado por organizações governamentais e da sociedade civil para realizar-se campanhas de conscientização das pessoas a respeito da doença e sua prevenção e combate. O conjunto dessas atividades é chamado de Outubro Rosa.

    As recomendações do INCA
    O INCA e o Ministério da Saúde do Brasil recomendam como estratégia preventiva ao câncer de mama a realização de mamografias, o exame de raio X das mamas, bianualmente para mulheres a partir dos 50 anos de idade até os 69 anos de idade, desde que assintomáticas e fora das populações de risco aumentado.

    Sintomas e Sinais
    No caso da pessoa identificar os sintomas descritos abaixo, o INCA recomenda a procura de uma consulta médica para uma avaliação profissional:
    - Qualquer nódulo (caroço debaixo ou na pele com consistência diferente do resto da mama) mamário em mulheres com mais de 50 anos
    - Nódulo mamário em mulheres com mais de 30 anos, que persistem por mais de um ciclo menstrual
    - Nódulo mamário de consistência endurecida e fixo ou que vem aumentando de tamanho, em mulheres adultas de qualquer idade
    - Descarga papilar sanguinolenta unilateral (sangramento pelo mamilo sem relações com a gravidez e a lactação)
    - Lesão eczematosa (mancha vermelha, “inflamada”) da pele que não responde a tratamentos tópicos
    - Homens com mais de 50 anos com tumoração palpável unilateral
    - Presença de linfadenopatia axilar (inchaço ou mudança de consistência dos gânglios linfáticos das axilas)
    - Aumento progressivo do tamanho da mama com a presença de sinais de edema, como pele com aspecto de casca de laranja
    - Retração na pele da mama
    - Mudança no formato do mamilo

    Risco aumentado
    Algumas pessoas tem um risco estatístico maior de vir a desenvolver o câncer de mama e seria interessante procurarem uma consulta médica para verificação se precisariam de outros cuidados ou os mesmos com mais frequência que o recomendado pelo INCA para a população em geral:
    - História familiar de câncer de ovário;
    - Casos de câncer de mama na família, principalmente antes dos 50 anos;
    - História familiar de câncer de mama em homens;
    - Alteração genética, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2.

    O GPOI comenta
    O descaso ou evasão de exames preventivos para o câncer de mama acontece por desinformação, falta de recursos médicos em regiões carentes, vergonha relacionada às partes íntimas do corpo e suas doenças e até ao medo de receber um diagnóstico assustador como o de um câncer. No entanto, como para qualquer doença a melhor estratégia é deixar a vergonha e o medo de lado e procurar saber o mais rápido possível. Tratar o mais cedo possível se necessário e se não, dar seguimento mais tranquilo à vida.

    Fontes: [1] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Ministério da Saúde – Diretrizes para a Detecção precoce do Câncer de Mama no Brasil [2] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Tipo de Câncer – Mama

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    Setembro 2017

    Nunca é tarde para parar

    Nunca é tarde demais para parar de fumar. Não interessa sua idade nem se você fuma há pouco ou há muito tempo.

    O cigarro provoca muitos malefícios à saúde, inclusive aumenta o risco de se vir a ter doenças cardíacas, respiratórias e diversos tipos de câncer. A maioria dos fumantes sabe disso, mas alguns não tentam parar de fumar usando a desculpa que já fumam há muito tempo, o mal já estaria feito. No entanto, isso não é verdade, parar sempre traz benefícios.

    Os benefícios de parar
    O primeiro benefício de parar de fumar é cortar a inflamação crônica da garganta e dos pulmões provocada pelo cigarro. Inflamação é associada ao risco de progressão de várias doenças, inclusive o câncer. Além disso, parar de fumar leva a uma melhora imediata do sistema imunológico, o que ajuda na melhora ou cura de muitas doenças. Parar de fumar também melhora a capacidade de recuperação de ferimentos, como cortes. No médio e longo prazos, parar de fumar melhora a capacidade respiratória e cardíaca, melhorando a qualidade geral de vida, a disposição para viver. Esses benefícios de curto ou de médio e longo prazos independem da idade do fumante ou de quanto tempo ele tenha fumado na vida.

    Pacientes de câncer também precisam parar de fumar Alguns fumantes ao receber o diagnóstico de um câncer, especialmente de cânceres mais estatisticamente ligados ao cigarro como os cânceres de boca, garganta, pulmão e bexiga podem acreditar que não seria necessário parar de fumar, porque o cigarro já teria provocado o câncer. No entanto, o tratamento do câncer, a recuperação do tratamento e uma possível sobrevida podem ser muito melhores e mais confortáveis se o paciente parar de fumar.

    Entre as vantagens de se parar de fumar após receber um diagnóstico de câncer podemos citar:

    - Vida mais longa
    - Uma melhor chance de tratamento bem sucedido
    - Efeitos colaterais menores e menos graves do tratamento do câncer, incluindo cirurgia, quimioterapia e radioterapia
    - Recuperação mais rápida do tratamento
    - Menos risco de câncer secundário
    - Menor risco de infecção
    - Respiração mais fácil
    - Mais energia
    - Melhor qualidade de vida

    Parar não é fácil, mas é possível
    Todo fumante que já tentou parar sabe que não é fácil. A nicotina é uma substância que provoca grande dependência química e o hábito de fumar costuma estar entrelaçado a vários aspectos da vida social que podem funcionar como gatilhos de recaídas. O mais importante é você decidir que quer parar e ter um plano. Um plano de parar de fumar com chances de ser bem sucedido precisa ter pelo menos os 3 seguintes itens:

    - Uma data para a parada: Você precisa ter uma convicção firme de quer parar e parte importante disso é marcar uma data e cumpri-la.
    - Estratégias para lidar com as situações sociais ou pessoais que levam ao cigarro: É importante listar as situações em que você normalmente fuma, por exemplo depois do cafezinho no trabalho, após as refeições, no happy-hour com os amigos, e assim por diante. Daí pensar como seria possível evitar ou mudar essas situações de forma a interromper a sequência de processos que levam a fumar. Se você sempre fuma com seu cônjuge, por exemplo, é uma ótima ocasião para os dois tentarem parar juntos.
    - Ajuda de um médico: parar de fumar é mais fácil se você tiver ajuda profissional. Um médico pode lhe indicar terapias psicológicas ou medicamentosas, ou ainda indicar grupos de apoio que possam ajudar no processo de parada.

    O GPOI comenta
    Não importa se você é jovem ou idoso, se começou a fumar há 10 meses ou 10 anos, se acha que está saudável ou se já foi diagnosticado com câncer, nunca é tarde demais para parar de fumar.

    Fontes: [1] ASCO – American Society of Clinical Oncology – cancer.net - Why It’s Never Too Late to Quit Smoking [2] ASCO – American Society of Clinical Oncology – cancer.net - Quitting Smoking After a Cancer Diagnosis, with Anthony Alberg, PhD, MPH [3] ASCO – American Society of Clinical Oncology – cancer.net - Benefits of Quitting [4] ASCO – American Society of Clinical Oncology – cancer.net – How to Quit Smoking and Using Tobacco

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    Agosto 2017

    Sobrepeso, obesidade e câncer

    Hábitos incorretos de alimentação e atividade física podem levar ao aumento do risco estatístico de vários tipos de câncer

    A posição do INCA
    O INCA – Instituto Nacional do Câncer – lançou, no dia 4 de agosto, o documento “Posicionamento do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva Acerca do Sobrepeso e Obesidade”, onde procura informar a população sobre os riscos da sobrepeso e a obesidade, em particular os riscos ligados ao aumento estatístico de alguns tipos de câncer nas pessoas nessas condições.

    A publicação do documento também visa apoiar as políticas governamentais no combate ao excesso de peso, como por exemplo restrição da publicidade e promoção de alimentos e bebidas não saudáveis dirigidas ao público infantil; restrição da oferta de bebidas e alimentos ultra processados nas escolas e aprimoramento das normas de rotulagem de alimentos que deixem a informação mais compreensível e acessível.

    O “Posicionamento do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva Acerca do Sobrepeso e Obesidade” também enfatiza a importância da criação de bons hábitos alimentares na infância e adolescência, pela maior facilidade do estabelecimento de hábitos de longo prazo nessas épocas formativas da personalidade e também para evitar o efeito cumulativo de muitos anos de fatores de risco.

    Quem está acima do peso
    No Brasil, segundo o INCA, 56,9% da população está acima do peso, ou seja 82 milhões de brasileiros acima de 18 anos pesam mais do que seria considerado saudável. E esta parece ser uma tendência crescente quando comparada com pesquisas de peso da população feitas em anos anteriores. Mais preocupante ainda é que a tendência de aumento de peso vem acontecendo também nas crianças. Dados de 2009 (últimos dados informados pelo INCA) indicam que cerca de 22% dos meninos e 19% das meninas entre 5 e 9 anos estão acima do peso, no Brasil. A grandeza desses números mostra que o problema já atinge escala de epidemia no pais e necessita da atenção de todos.

    Obesidade e Câncer
    Vários estudos científicos tem apontado forte correlação estatística entre obesidade e o aumento de risco para os seguinte cânceres: esôfago (adenocarcinoma), estômago (cárdia), pâncreas, vesícula biliar, fígado, Intestino (cólon e reto), rins, mama (mulheres na pós-menopausa), ovário, endométrio, meningioma, tireoide e mieloma múltiplo e possivelmente associado aos de próstata (avançado), mama (homens) e linfoma difuso de grandes células B. Além da obesidade, um peso alto no nascimento e o ganho e perda de peso repetidas vezes também parecem aumentar o risco da doença, segundo alguns estudos.

    No Brasil o INCA estima em seu documento “Posicionamento do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva Acerca do Sobrepeso e Obesidade” que mais de 5% dos cânceres em mulheres e 2% em homens podem ser atribuídos a esses fatores de risco. O documento do INCA também afirma que se somarmos à obesidade a inatividade física e o consumo de bebida alcoólica (fatores que muitas vezes estão juntos), tem-se a provável causa para cerca de 21% dos cânceres em mulheres e 22,4% nos homens, num total estimado de 126 mil novos casos da doença para o ano de 2017.

    Porque a obesidade aumenta o risco de câncer
    Embora nem todas as relações causais entre peso e câncer tenham sido estabelecidas com clareza, as razões mais prováveis entre obesidade e aumento do risco de câncer são: aumento dos níveis de insulina (que pode estimular alguns cânceres a crescer), inflamação crônica de baixa intensidade (comum em obesos) que pode levar à mutações no longo prazo, níveis mais altos de estrogênio (produzidos no tecido adiposo) que podem estimular cânceres sensíveis a este hormônio, como o câncer de mama e do endométrio (a mucosa que recobre a face interna do útero) e as células de gordura podem interagir com processos que regulam o crescimento de cânceres.

    O GPOI comenta
    Se você ou alguém da sua família está acima do peso, pode ser a hora de procurar um médico para avaliar os possíveis caminhos para um emagrecimento saudável e duradouro. Emagrecendo para o peso ideal, a pessoa aumenta o seu bem estar e diminui os riscos de várias doenças, entre eles, os de alguns tipos de câncer.

    Fontes: [1] INCA – Instituto Nacional do Câncer – Notícias - INCA lança posicionamento com indicações para evitar sobrepeso e obesidade, que estão relacionados a treze tipos de câncer [2] INCA – Instituto Nacional do Câncer – Posicionamento do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva Acerca do Sobrepeso e Obesidade [3] ASCO – American Society of Clinical Oncology - cancer.net - Obesity, Weight, and Cancer Risk

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    Julho 2017

    Férias, proteja-se do Sol

    Apesar do frio de inverno, é necessário proteger a pele.

    O que o Sol envia para a Terra
    O Sol que nos permite a vida, emite na direção da Terra um amplo espectro de radiação eletromagnética em várias frequências. Uma parte é calor e a luz visível – que vai do vermelho ao violeta, passando pelo azul, verde, amarelo, etc., as cores do arco-íris - e outra parte é composta de radiação ultravioleta, luz de frequência mais alta que a última cor que conseguimos enxergar, o violeta. Essa radiação invisível aos olhos humanos, é chamada de luz ou radiação ultravioleta, radiação UV ou raios UV.

    A radiação UV tem alguns efeitos benéficos, como ajudar na síntese de vitamina D (uma parte da radiação UV interage com substância químicas nas camadas mais profundas de pele produzindo a vitamina) e ajudar na desinfecção de objetos e ambientes (a radiação UV mata algumas bactérias e fungos) mas oferece riscos à saúde porque ao penetrar nas células pode provocar alterações nessas células que mais tarde podem dar origem a um câncer de pele.

    O câncer de pele
    Em um organismo sadio, as células se reproduzem de forma ordeira, por exemplo quando necessário reparar um tecido orgânico gasto ou machucado. No entanto, algumas vezes esse mecanismo se quebra e essas células defeituosas começam a se reproduzir rápida e descontroladamente, prejudicando o funcionamento do corpo e podendo levar a sérias consequências e até à morte. Esse é o processo que chamamos de câncer. Quando essa multiplicação descontrolada de células acontece em algum dos diferentes tipos de células que compõe a pele, é o câncer de pele, que classificamos em dois tipos principais:

    Pele não Melanoma
    É o tipo de câncer mais frequente no Brasil, com estimativa de cerca de 175.000 novos casos e 1.769 mortes para esse ano, segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer). A relativa baixa mortalidade em relação à grande incidência provavelmente se deve à relativa facilidade da doença ser percebida e tratada, por acontecer na parte externa, visível, do corpo e por ser um tipo de câncer de relativo menor índice de metástase – espalhamento pelo corpo, em relação ao Melanoma. No entanto, se não descoberto e tratado cedo, pode provocar grandes danos e em alguns casos, como vimos na estatística do INCA, levar à morte seu portador.

    O câncer de pele não Melanoma ocorre principalmente nas áreas do corpo mais expostas ao Sol, como rosto, pescoço e orelhas e pode se manifestar de diferentes maneiras, mas você deve procurar uma consulta médica se tiver (atenção, nenhum sintoma descrito aqui é garantia que você tenha ou não qualquer doença, sempre procure uma consulta médica):

    - Manchas na pele que coçam, ardem, descamam ou sangram.
    - Feridas que não cicatrizam em quatro semanas.

    Melanoma
    O Melanoma é um câncer que recebe este nome porque se inicia nos Melanócitos, as células produtoras de Melanina, a substância que dá a cor na pele. Representa apenas 3% do total de cânceres de pele. Segundo o INCA são estimados cercas de 5.670 novos casos da doença e 1.547 mortes pela doença, para o ano de 2016 (última estatística disponível). Apesar da baixa incidência relativa, o Melanoma é um câncer grave pelo alto índice de metástase, possibilidade de se espalhar para outros órgão do corpo. O melanoma pode ocorrer em qualquer parte do corpo, incluindo couro cabeludo, debaixo das unhas ou nas palmas das mãos ou solas dos pés.

    Os principais sinais do Melanoma, que recomendam uma consulta médica, são manchas ou pintas na pele que caiam na regra do ABCDE (atenção, nenhum sintoma descrito aqui é garantia que você tenha ou não qualquer doença, sempre procure uma consulta médica):

    Assimetria: formato irregulares; Bordas: bordas irregulares;
    Cor: mais de uma cor;
    Diâmetro: maior que 6mm de diâmetro;
    Evolução: mudança rápida na aparência (tamanho, forma, cor ou espessura)

    Além da regra do ABCDE, sempre procure uma consulta médica para qualquer lesão ou alteração na sua pele que julgar suspeita. Sempre é preferível ter um diagnóstico médico o mais cedo possível e livrar-se da preocupação ou começar a tratar se for o caso.

    Fatores de Risco e Prevenção

    Os fatores de risco mais associados estatisticamente ao aumento de risco do aparecimento do câncer de pele são:

    - Exposição prolongada e repetida ao sol (raios ultravioletas - UV), principalmente na infância e adolescência.
    - Ter pele ou olhos claros, com cabelos ruivos ou loiros, ou ser albino.
    - Ter história familiar ou pessoal de câncer de pele.

    Os fatores de prevenção são:

    - Evitar exposição ao sol entre 10h e 16h.
    - Procurar lugares com sombra.
    - Usar proteção adequada, como roupas, bonés ou chapéus de abas largas, óculos escuros com proteção UV, sombrinhas e barracas.
    - Aplicar na pele, antes de se expor ao sol, filtro (protetor) solar com fator de proteção 15, no mínimo.
    - Usar filtro solar próprio para os lábios.

    É importante lembrar:

    - Embora mais comum em pessoas de pele clara, o câncer de pele pode acontecer com qualquer pessoa, assim todos devem se proteger. Para ajustar sua exposição ao Sol ao seu tom de pele, basta saber que se após o Sol a pele ficou vermelha, irritada, ou pior ainda, descascou, você tomou sol demais (ou usou proteção de menos) para o seu tipo de pele.
    - Em dias nublados, ou quando você vai ficar na sombra de um guarda-sol ou árvore também é preciso usar protetor solar. Lembre-se que a radiação UV é invisível.
    - No inverno é preciso especial cuidado com proteção solar porque o ar frio pode nos dar a sensação enganosa que o Sol não está queimando ou que está queimando menos que nos dias quentes.

    O GPOI comenta
    Aproveite o Sol com bom senso (e protetor solar) e boas férias de julho!

    Fontes: INCA – Instituto Nacional do Câncer – Tipos de Câncer – Pele não Melanoma INCA – Instituto Nacional do Câncer – Tipos de Câncer – Pele Melanoma INCA – Instituto Nacional do Câncer – A Informação pode salvar vidas – Câncer de Pele

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    Junho 2017

    Agrotóxicos e Câncer

    Embora importantes na produção de alimentos, agricultores e consumidores precisam de cuidados com os possíveis riscos dos agrotóxicos.

    Agrotóxicos, abundância alimentar e risco

    Um dos avanços menos valorizados e lembrados da ciência e da tecnologia modernas, é a imensa capacidade de se produzir comida. A combinação de mecanização, sementes transgênicas, fertilizantes químicos e agrotóxicos, somados à refrigeração e ao transporte de massa - caminhões, navios, trens - gerou uma abundância na capacidade de produzir calorias jamais vista na história da humanidade.

    Na maioria dos países de primeiro mundo e em muitos países em desenvolvimento como o Brasil, a oferta de alimentos passou a ser tão grande e tão barata que o excesso de peso passou a ser um problema que atinge mais gente que a fome, invertendo ao longo do século 20 a situação de carência de alimentos presente desde que o ser humano e a civilização existem. Por exemplo no Brasil, segundo dados do IBGE divulgados pelo INCA, mais da metade - 56,9% - da população apresenta excesso de peso e 20,8% é obesa [1].

    No entanto, apesar do sucesso da agricultura moderna, tecnológica, em alimentar a população (e ajudar no resto da economia, o agronegócio representa cerca de 23% do PIB e 48% das exportações brasileiras [2]) existem riscos, entre eles que o uso exagerado ou descuidado de agrotóxicos possa trazer danos à saúde, em particular um aumento estatístico do risco de câncer.

    O que são agrotóxicos
    Os agrotóxicos são substâncias químicas usadas para combater animais e plantas que possam prejudicar a produção, colheita, armazenagem ou transporte de produtos agrícolas. Os principais são Herbicidas (que controlam ervas daninhas), Inseticidas (que controlam os insetos) e Bactericidas (que controlam as bactérias). Além desses também são utilizados Acaricidas (para o controle de ácaros), Fungicidas (para o controle de fungos), Nematicidas (para o controle de nematoides - vermes), Rodenticidas (para o controle de ratos e outros tipos de roedores) e Moluscicidas (para o controle de moluscos). As substâncias químicas usadas para esse controle da competição de plantas e animais daninhos pelo alimento humano, muitas vezes são tóxicas também para as pessoas.

    Assim os agricultores e outros profissionais que lidam com essas substâncias tem que ter muito cuidado no seu manuseio e os consumidores também tem que ter cuidado, porque mesmo após os processos de colheita, armazenamento, transporte, processamento industrial ou cozimento doméstico, podem ficar resíduos destes produtos tóxicos na comida que ingerimos, o que pode causar malefícios à saúde se a dose for além de certos limites ou cumulativa ao longo do tempo. Entre os malefícios estudados da exposição das pessoas aos agrotóxicos está o possível aumento do risco estatístico de cânceres, como por exemplo: câncer das glândulas salivares, mieloma múltiplo, Linfoma não Hodgkin, câncer do pâncreas e do cérebro [3].

    Redução de Risco
    É importante lembrar que o câncer é uma doença complexa de etiologia múltipla (pode ter múltiplas causas), entre elas a idade, a genética e fatores ambientais e comportamentais que interagem entre si. Sendo assim, há fatores que não podemos controlar (como por exemplo nossa idade e a genética que recebemos de nossos pais) mas naqueles que podemos controlar, mesmo que parcialmente, como nossa exposição à substâncias que possam aumentar o risco de câncer como os agrotóxicos, podemos tomar precauções.

    Entre elas podemos destacar o consumo de produtos orgânicos - produzidos com menor ou nenhum uso de produtos químicos – e alguns cuidados na preparação de produtos crus, como frutas e verduras, conforme recomendado pelo EPA – United States Environmental Protection Agency (Agência de proteção Ambiental dos Estados Unidos da América) [4]:

    LAVAGEM: Lavar e esfregar cuidadosamente todas as frutas e vegetais frescos com água corrente. A água corrente tem um efeito abrasivo que a imersão não possui. Isso ajudará a remover bactérias e vestígios de produtos químicos da superfície de vegetais de frutas e sujeira de fendas. Nem todos os resíduos de pesticidas podem ser removidos por lavagem.
    DESCASCAMENTO E APARAMENTO: Descasque frutas e vegetais, quando possível, para reduzir a sujeira, bactérias e pesticidas. Descarte folhas externas de vegetais de folhas. Corte a gordura da carne e da pele das aves e peixes porque alguns resíduos de pesticidas se acumulam em gordura.
    SELECIONAR UMA VARIEDADE DE ALIMENTOS: Coma uma variedade de alimentos, de uma variedade de fontes. Isso lhe dará uma melhor combinação de nutrientes e reduzirá sua probabilidade de exposição a um único pesticida.

    A campanha do INCA
    Em apoio à ideia de redução da exposição das pessoas aos agrotóxicos, no Dia Mundial do Meio Ambiente – o 5 de junho – o INCA lançou uma campanha de estímulo ao consumo de produtos agrícolas orgânicos. A principal peça da campanha é a exposição fotográfica Caminhos da Agroecologia: Cultivando a Vida – que mostra vários pontos do Brasil onde são produzidos alimentos orgânicos. A exposição pode ser vista no site do Inca em http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/cancer/site/prevencao-fatores-de-risco/fatores-ocupacionais/exposicao-caminhos-da-agroecologia

    Fontes: [1] INCA – Instituto Nacional do Câncer - Iarc relaciona sobrepeso e obesidade a mais oito tipos de câncer [2] Portal Brasil - Agronegócio deve ter crescimento de 2% em 2017 [3] ASCO – American Society of Clinical Oncology – Cancer.net : Salivary Gland Cancer: Risk Factors Multiple Myeloma: Risk Factors Lymphoma - Non-Hodgkin: Risk Factors Pancreatic Cancer: Risk Factors Brain Tumor: Risk Factors [4]EPA – United States Environmental Protection Agency - Pesticides and Food: Healthy, Sensible Food Practices [5] INCA – Instituto Nacional do Câncer - Caminhos da Agroecologia: Cultivando a Vida

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    Maio 2017

    Dia Mundial Sem Tabaco

    O Dia Mundial sem Tabaco 2017 será focado nos aspectos economicamente negativos do tabagismo

    Todo os anos no dia 31/05 a Organização Mundial da Saúde (OMS), agência da ONU, promove o Dia Mundial sem Tabaco, quando são realizadas ações educativas e preventivas de combate ao fumo e ao tabagismo em geral. Em 2017 a campanha dará maior destaque à questão socioeconômica do tabagismo, seu impacto negativo na economia.

    Tabaco: uma ameaça ao desenvolvimento
    A campanha em 2017 procurará demonstrar que além dos inquestionáveis danos e riscos à saúde que o tabagismo provoca, ele também pode ser um entrave ao desenvolvimento sustentável das nações. Segundo a OMS [1]:

    - Cerca de 6 milhões de pessoas morrem de uso de tabaco todos os anos, uma cifra que se prevê que cresça para mais de 8 milhões por ano até 2030 sem ação intensificada. O uso do tabaco é uma ameaça para qualquer pessoa, independentemente do sexo, idade, raça, cultura ou escolaridade. Traz sofrimento, doença e morte, empobrecendo famílias e economias nacionais.
    - O consumo de tabaco custa enormemente às economias nacionais devido ao aumento dos custos dos cuidados de saúde e à diminuição da produtividade. Piora as desigualdades na saúde e exacerba a pobreza, uma vez que as pessoas mais pobres gastam menos em coisas essenciais, como alimentação, educação e cuidados de saúde. Cerca de 80% das mortes prematuras de tabaco ocorrem em países de baixa ou média renda, que enfrentam maiores desafios para alcançar seus objetivos de desenvolvimento.
    - O cultivo de tabaco requer grandes quantidades de pesticidas e fertilizantes, que podem ser tóxicos e poluir o abastecimento de água. A cada ano, o cultivo de tabaco usa 4,3 milhões de hectares de terra, resultando em desmatamento global entre 2% e 4%. A fabricação de tabaco também produz mais de 2 milhões de toneladas de resíduos sólidos.

    No Brasil
    Segundo o INCA [2] um Estudo sobre impacto econômico do tabagismo feito pelo SUS – Sistema Único de Saúde [3], mostrou que toda a arrecadação de impostos sobre cigarros, na ordem de 3 bilhões de reais, não compensou os gastos com a saúde dos fumantes, estimados em cerca de 23 bilhões de reais. Assim mesmo com a alta taxa de impostos hoje cobrada sobre os produtos derivados do tabaco no Brasil, o valor arrecado não é suficiente para cobrir os danos. Além disso, não foram considerados nos custos a diminuição da produtividade por faltas ao trabalho ou doenças crônicas provocadas nos trabalhadores, que possam diminuir sua capacidade de trabalho.

    A Campanha Brasileira
    No Brasil o INCA junto com outras organizações civis e governamentais pretende trabalhar junto aos estados da federação no sentido do aumentar o imposto cobrado em cada estado o ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre os produtos derivados de tabaco. Além disso pretende-se trabalhar junto à ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) na criação e veiculação de novas imagens de advertência a serem impressas nas embalagens dos cigarros e outros produtos derivados de tabaco.

    Fontes: [1] WHO – World Health Organization / OMS – Organização Mundial da Saúde - World No Tobacco Day, 31 May 2017 [2] INCA – Instituto Nacional do Câncer - Dia Mundial sem Tabaco 2017 vai alertar para os danos ao desenvolvimento causados pela produção de fumo [2] SUS – Cadernos de Saúde Pública - Estimativa da carga do tabagismo no Brasil: mortalidade, morbidade e custos

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    Abril 2017

    Dia Nacional da Saúde

    No Dia Nacional da Saúde o INCA alerta sobre os alimentos ultra processados e divulga dicas de alimentação saudável

    No 31/03 comemora-se no Brasil o Dia Nacional da Saúde, data em que o Ministério da Saúde e suas agências iniciam ou lançam campanhas voltadas à melhoria da saúde da população brasileira. Em 2017, o INCA (Instituto Nacional do Câncer, órgão do Ministério da Saúde do Brasil) lançou campanha educativa sobre hábitos saudáveis de alimentação e sua relação com a prevenção de doenças, em particular o câncer.

    Os ultra processados
    Há alimentos industrializados para comer que recebem a adição de vários produtos químicos para alteração de suas propriedades, visando diferenciação de sabor, consistência, textura ou durabilidade, entre outras características, que acabam prejudicando qualidades naturais do próprio alimento e são produtos que per se podem não ser benéficos à saúde, especialmente se consumidos em grande quantidade e por longo tempo.

    Uma dica da campanha do INCA para se reconhecer um produto processado o consumidor pode ficar atento ao rótulo e ver se nos ingredientes constam produtos que não se tem normalmente em casa e que não se utiliza na preparação de comida caseira, como por exemplo espessantes, corantes, emulsificantes, antioxidantes, conservantes, etc.

    Se necessário utilizar-se produtos industrializados sempre que possível optar pelos produtos que contenham em suas fórmulas apenas ingredientes de uso corriqueiro em casa. Outra dica é evitar refeições industrializadas pré-preparadas que bastam ser aquecidas no micro-ondas para se consumir, fast-food (lanches pré-preparados fornecidos em cadeias de refeições rápidas) e refrigerantes açucarados.

    O que comer
    A recomendação principal da campanha é comer-se refeições feitas a partir de ingredientes naturais frescos preparadas em casa, e quando não for possível ou for mais prático ou mais barato usar-se produtos industrializados, optar-se por aqueles que não contenham, ou contenham o menos possível, produtos químicos estranhos aos produtos que corriqueiramente se tem em casa. Além disso é saudável evitar processamentos que alteram muito a característica do produto natural, como por exemplo a defumação.

    Além de alimentos feitos em casa, como o tradicional arroz com feijão, como uma sugestão de substituição aos alimentos processados a campanha recomenda ingerir-se pelo menos 400 gramas por dia de frutas, verduras e legumes, o que é equivalente a mais ou menos 5 porções destes produtos por dia. Como às vezes não se tem uma balança por perto, por motivos práticos pode-se considerar que cada porção (80g) é mais ou menos o que cabe do produto picado ou inteiro na palma da mão.

    A manutenção do peso corporal
    A redução do consumo de alimentos processados e ultra processados muitos vezes também ajuda na redução do peso, porque muitos destes alimentos, contem grande quantidade de açúcar. Vários estudos apontam o sobrepeso e a obesidade como fatores estatísticos de aumento do risco de se vir a ter vários tipos de câncer. Supõe-se que o sobrepeso e a obesidade alterem vários níveis de hormônios do corpo e gerem processos inflamatórios crônicos, que no longo prazo podem gerar mutações genéticas precursoras do câncer.

    O GPOI comenta
    Sabemos que na correria do dia a dia e principalmente na vida agitada das grandes cidades às vezes é difícil se manter hábitos de alimentação saudável. No entanto, dado as relações estatísticas já encontradas entre o consumo de alimentos processados e ultra processados e o aumento do risco do surgimento do câncer, é importante dedicar-se um pouco mais de atenção e tempo a uma alimentação mais caseira e natural.

    Fontes: [1] INCA – Instituto Nacional do Câncer - INCA alerta para alimentos ultraprocessados e mostra como os consumidores podem se proteger [2] INCA – Instituto Nacional do Câncer – Alimentação [3] INCA – Instituto Nacional do Câncer – INCA e Pró-vita lançam vídeos educativos sobre alimentação e prevenção do câncer [3] INCA – Instituto Nacional do Câncer – Alimentação e câncer: dicas de prevenção (Vídeo 1)

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    Março 2017

    Brasil em Pesquisa Mundial

    Instituições brasileiras participarão de pesquisa mundial para identificar causas do câncer

    O “Grande Desafio” da Cancer Research UK
    Cancer Research UK é uma empresa britânica, sem fins lucrativos – registered charity – devotada a levantar fundos e emprega-los no apoio a pesquisas científicas sobre o câncer, que só no ano fiscal 2015 / 2016 apoiou pesquisas avaliadas em 367 milhões de Libras (cerca de R$ 1,4 bilhão de Reais), através de vários institutos e organizações. No nível mais alto, a meta da Cancer Research UK é alcançar, até o ano de 2030, uma sobrevida de 10 anos para 75% dos pacientes da doença no mundo, mas para tanto se organiza em uma série de metas e iniciativas intermediárias.

    Em 2015, em conjunto com pacientes, estudiosos e a comunidade científica a organização criou uma lista de 7 grandes desafios na luta contra a câncer, cuja esforço em resolve-los poderia resultar em grandes avanços no combate à doença. A partir daí se estabeleceu um concurso chamado The Grand Challenge – O Grande Desafio – através do qual foram solicitado a times de pesquisadores, de todo o mundo, propostas que poderiam resolver, no todo ou em parte, cada um dos sete desafios:

    Desafio 1: Desenvolver vacinas para prevenir canceres não virais.
    Desafio 2: Erradicar cânceres induzidos pelo vírus EBV (o vírus Epstein-Barr é uma das variantes dos vírus da família do vírus da herpes que está associado ao aparecimento de diversos tipos de câncer)
    Desafio 3: Descobrir padrões não usuais de mutação induzidos por eventos provocadores de câncer
    Desafio 4: Distinguir entre cânceres letais que precisem de tratamento e não-letais que não precisem
    Desafio 5: Encontrar meios de mapear tumores ao nível celular e molecular
    Desafio 6: Desenvolver novas abordagens para atacar o “supercontrolador” MYC (MYC é nome de um gene que sofre mutação em grande parte dos cânceres humanos – 7 entre cada 10 casos – que parece ajudar tumores a sobreviver)
    Desafio 7: Levar moléculas grandes – macromoléculas – a quaisquer células do corpo.

    Depois de recebidas 56 propostas, foram escolhidos 4 ganhadores, que receberão um investimento de 20 milhões de Libras (cerca de R$ 76 milhões de Reais) cada um, para concretizarem ao longo dos próximos 5 anos a linha de pesquisa proposta. Os 4 projetos vencedores tem como tema:

    1) Identificar causas evitáveis desconhecidas de câncer - É um projeto em grande escala que envolve os 5 continentes do mundo, que visa entender melhor o que causa danos ao DNA das células e como isso leva ao câncer.

    2) Criação de mapas de tumores em realidade virtual - O projeto pretende unir técnicas de realidade virtual existentes com novas tecnologias a serem desenvolvidas para construir imagens em 3D de tumores que mapeiem cada célula do tumor.

    3) Prevenção de tratamentos desnecessários do câncer de mama - O projeto pretende estudar amostras de tecido de mulheres com câncer de mama para aperfeiçoar os mecanismos de identificação dos casos que precisam de tratamento ou não.

    4) Estudo do metabolismo dos tumores a partir de diferentes ângulos - É um projeto para usar tecnologias de produção de imagens por Espectrometria de massa – tecnologia derivada da física quântica – para mapear conjuntos ou até moléculas individuais dentro de tumores.

    A Participação Brasileira
    O Hospital do Câncer de Barretos, o Instituto Nacional de Câncer e o A.C. Camargo Cancer Center são 3 instituições brasileiras que participarão do projeto, colaborando com uma das iniciativas ganhadoras do Grande Challenge - “Identificar causas evitáveis desconhecidas de câncer”, liderada pelo professor Mike Stratton, diretor de um campus de pesquisa do genoma do Wellcome Trust Sanger Institute, no Reino Unido. Hoje a ciência conhece cerca de 50 marcadores genéticos – mutações ou danos em genes – que estão associados ao aparecimento do câncer, mas só consegue identificar as causas, as razões - como por exemplo fumar - para o surgimento de cerca da metade destes marcadores. A outra metade precisa ser descoberta.

    Para tanto as instituições brasileiras vão contribuir com sequenciamento do DNA de cerca de 900 pessoas do Brasil, bem como o estudo de seu perfil pessoal, hábitos e exposição a agentes carcinogênicos, contribuindo para o estabelecimento de possíveis relações estatísticas que ajudem a encontrar as respostas que a pesquisa procura.

    Fontes: [1] Cancer Research UK [2] INCA – Instituto Nacional do Câncer - Pesquisa vai mapear influência genética e ambiental na ocorrência de câncer

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    Fevereiro 2017

    Dia Mundial do Câncer

    Todos os anos, no 04 de fevereiro, a ONG mundial UICC promove internacionalmente um dia de conscientização sobre a doença, sua prevenção e tratamento. No Brasil o tema 2017 é o câncer infanto-juvenil.

    O que é a UICC
    A UICC – Union Internationale Contre le Cancer (União Internacional Contra o Câncer, em português) – é uma organização não governamental fundada em 1933 e com sede em Genebra na Suíça, que trabalha na prevenção e controle do câncer, em estreita colaboração com agências da ONU e mais outras 950 organizações internacionais – como sociedades de combate ao câncer, ministérios da saúde e grupos de pacientes – em mais de 150 países.

    A UICC e seus parceiros em diversos setores do governo e da sociedade civil tem como missão encorajar governos e entidades internacionais a implementarem e aumentarem programas e iniciativas que reduzam a carga que o câncer representa na sociedade mundial. Essa missão pode ser sintetizada nas palavras do senhor Heather Bryant, Vice Presidente da organização Canadian Partnership Against Cancer:

    “O objetivo para todos nós é garantir que menos pessoas desenvolvam câncer, mais pessoas sejam tratadas com sucesso e que haja uma melhor qualidade de vida para as pessoas durante o tratamento e depois.”

    As principais iniciativas da UICC são:

    World Cancer Day
    Criado em 2005 é um evento de comunicação, que propõe que todos o os governos e ONGs associadas promovam ações de conscientização e combate à doença no mundo todo visando o maior número de pessoas possível falando sobre a questão do câncer no dia 04 de fevereiro (e no mês de fevereiro), ao redor do mundo.

    World Cancer Congress
    Um congresso técnico que reúne profissionais de saúde de mais de 135 países para compartilhamento de conhecimento e experiências sobre a questão do câncer.

    World Cancer Leaders Summit
    Uma reunião anual para membros de governos, entidades nacionais e internacionais e outros criadores de políticas e formadores de opinião poderem discutir o tema do câncer.

    O Dia Mundial do Câncer 2017
    A cada ano por ocasião do 04 de fevereiro, a UICC realiza uma série de ações de comunicação e estimula as entidades membro realizarem também atividades ao longo do mundo. O INCA – Instituto Nacional do Câncer – que é o órgão auxiliar do Ministério da Saúde no desenvolvimento e coordenação das ações integradas para a prevenção e o controle do câncer no Brasil, participa do corpo diretivo da UICC e costuma realizar ações, programas e iniciativas ligadas à data em sincronia com as ações mundiais.

    Neste ano de 2017 o INCA escolheu para o Dia Mundial do Câncer o tema do câncer infanto-juvenil, porque o câncer é a principal causa de morte por doença em crianças e adolescentes no Brasil. A campanha alerta a população sobre os sinais e sintomas e a importância do diagnóstico precoce. Cerca de 80% das crianças e adolescentes acometidos de câncer podem ser curados se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados.

    O câncer infanto-juvenil
    O câncer é uma doença grave mas o câncer em crianças e adolescentes tem um prognóstico melhor que o câncer em adultos e idosos, se diagnosticado e tratado precocemente. Para que o tratamento comece o mais cedo possível é importante que os pais e responsáveis (e os próprios jovens) fiquem alertas aos seguintes sinais e sintomas que merecem que a criança ou o jovem passe por uma consulta médica, conforme a campanha do INCA: ATENÇÃO: Nenhum do sintomas descritos abaixo é garantia de que a pessoa tenha ou não tenha câncer ou qualquer outra doença, mas se aparecerem merecem ser avaliados por um médico:

    - Palidez, hematomas ou sangramento, dor óssea
    - Caroços ou inchaços - especialmente se indolores e sem febre ou outros sinais de infecção - Perda de peso inexplicável ou febre, tosse persistente ou falta de ar, sudorese noturna
    - Alterações oculares - pupila branca, estrabismo de início recente, perda visual, hematomas ou inchaço ao redor dos olhos
    - Inchaço abdominal
    - Dores de cabeça, especialmente se incomum, persistente ou grave, vômitos (em especial pela manhã ou com piora ao longo dos dias)
    - Dor em membro ou dor óssea, inchaço sem trauma ou sinais de infecção
    - Fadiga, letargia, ou mudanças no comportamento, como isolamento
    - Tontura, perda de equilíbrio ou coordenação

    O GPOI comenta
    Ninguém gosta de receber a notícia que um jovem ou criança da família está doente e ninguém gosta de receber um diagnóstico de câncer para si mesmo ou para um ente querido, mas dado que o câncer, em particular o câncer infanto-juvenil, tem muita mais possibilidade de cura se detectado e começado o tratamento o mais cedo possível, é importante ficar atento aos sintomas e sinais apontados pela campanha do INCA. Se surgirem em alguma criança ou jovem, é importante procurar uma avaliação médica para começar um tratamento, se necessário, ou até para apenas tranquilizar o paciente e a família se for o caso.

    Fontes: [1] UICC - Union Internationale Contre le Cancer – Home Page [2] UICC – Union Internationale Contre le Cancer – World Cancer Day [3] INCA – Instituto Nacional do Câncer - Câncer infanto-juvenil é tema do Dia Mundial do Câncer 2017 [4] INCA – Instituto Nacional do Câncer - Hotsite Dia Mundial do Câncer 2017 [5] INCA – Instituto Nacional do Câncer - Hotsite Dia Mundial do Câncer 2017 – Sinais e Sintomas Câncer Infanto-Juvenil

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    Janeiro 2017

    Embarque Aéreo do Paciente

    Se você ou alguém da sua família é paciente de câncer e vai viajar de avião, é preciso pensar em alguns cuidados extras para o embarque no aeroporto.

    Começo de ano, janeiro, fevereiro até o carnaval, é uma época de muitas viagens no Brasil, inclusive aéreas, para aproveitar o verão e as férias escolares. Portanto é importante lembrar que o paciente de câncer, se for viajar de avião, precisa levar em conta alguns itens extras que precisam ser verificados por ele ou pela família, como por exemplo se as condições de pressão e oxigenação do avião podem provocar complicações ou ainda se no destino haveria serviços médicos emergenciais, se necessários.

    Dentre essas preocupações extras, precisamos lembrar que o próprio embarque do paciente de câncer pode ser mais difícil, assim vamos listar alguns itens para o paciente ou seus familiares considerarem para o embarque:

    1)O paciente pode precisar de uma liberação prévia, por escrito, da companhia aérea
    De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) as companhias aéreas podem legalmente recusar-se a embarcar passageiros que ela julgue na hora que possam ter condições médicas que podem piorar ou causar problemas durante o voo.

    Assim se a doença ou seu tratamento trouxerem uma aparência muito doente ou cansada ao paciente, ou ainda se ele tiver que trazer com ele um tubo de oxigênio ou outro equipamento médico é interessante tentar se obter uma liberação médica prévia, para evitar problemas na hora do embarque. Informe-se com sua companhia aérea e com seu médico oncologista que tipo de documentos ou atestados seriam necessários para apresentação no embarque e como obtê-los.

    2)O paciente pode precisar ajuda na sua locomoção e da bagagem
    Muitos pacientes de câncer podem ter dificuldade de locomoção ou ter de levar consigo equipamentos médicos, como respiradores, tubos de oxigênio e cadeiras de rodas especiais, por exemplo. É interessante se informar com antecedência quais recursos de apoio como carrinhos elétricos, elevadores ou funcionários especializados estariam disponíveis e se necessário reserva-los.

    Além disso, algumas empresas aéreas em alguns voos podem permitir embarque antecipado, verifique se possível, pois isso pode permitir embarque e acomodação com mais calma e cuidado ao paciente de câncer.

    3)Medicamentos e equipamentos médicos precisam ir na bagagem de mão

    O extravio da bagagem despachada pode ser um inconveniente grande, especialmente se ela contiver remédios ou equipamentos médicos necessários ao paciente, assim lembre-se de sempre carregar qualquer remédios ou equipamentos médico na bagagem de mão.

    Devido às regras de segurança, vidros grandes de remédio, seringas de injeção, agulhas, e outros suprimentos e equipamentos podem exigir autorização prévia e verificação extra pela equipe de segurança no embarque, assim verifique com antecedência com sua companhia aérea o que pode ser transportado na bagagem de mão e se necessário algum atestado ou autorização por escrito para poder leva-los dentro do avião.

    4)Verifique as regras de segurança e prepare-se para elas
    Verifique com sua companhia aérea quais os tipos de revista ou escaneamento corporal podem acontecer no embarque e em particular como eles lidam com as seguintes situações especiais:

    - Uso de cobertura na cabeça (devido à perda de cabelo da quimioterapia)
    - Uso de próteses externas mamárias
    - Ter um cateter ou acesso venoso
    - Ter uma ostomia (abertura cirúrgica para o trato digestivo ou urinário)

    Verifique se em caso de uma revista ser necessária ela pode ser realizada em uma sala privada, para evitar constrangimentos.

    Esses cuidados com segurança de embarque e revista corporal são especialmente importantes nas viagens internacionais onde a segurança é redobrada.

    O GPOI comenta
    Ser um paciente de câncer não precisa ser um impedimento definitivo para uma viagem de avião, sozinho ou com a família nessa época de férias. Converse com seu oncologista sobre possíveis riscos e problemas e caso ele julgue adequada a sua viagem, verifique com antecedência com a companhia aérea possíveis procedimentos extras ou documentos necessários e prepare-se.

    Boa viagem!

    Fontes: [1] ASCO – American Society of Clinical Oncology – Cancer.net – Airport Travel Tips for People with Cancer [2] ASCO – American Society of Clinical Oncology – Cancer.net - Getting Medical Clearance to Fly

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