image
Logo do GPOI

 

ARTIGOS

ABRIL 2020

Tratamento de câncer e o Coronavírus

Mãos sendo lavadas em água corrente

Todos tem que ter cuidados para evitar a contaminação pelo novo Coronavírus, mas o pacientes de câncer e as pessoas de seu contato tem que ter cuidados extras.

O novo Coronavírus 
Os Coronavírus são uma família de vírus - patógenos microscópicos, invisíveis a olho nu - que causam infecções respiratórias. O mais recente dos vírus desta família é chamado na mídia de “novo Coronavírus” por ser o último descoberto, em dezembro de 2019. 

Seu nome oficial foi estabelecido como SARS-CoV-2. A doença que ele provoca é chamada de Covid-19. Muitas vezes na mídia popular estes nomes são usados de forma intercambiada.

Como acontece a transmissão do novo Coronavírus
A transmissão acontece através do contato da pessoa sadia com vírus vindos de uma pessoa doente. Porém, nem sempre a pessoa doente já está apresentando ou vai apresentar sintomas. Assim não é possível saber se alguém está transmitindo o vírus só observando se ela tem sintomas.

Esse contato pode acontecer diretamente via fala, espirro ou tosse que pode projetar gotículas contendo o vírus em outras pessoas ou no ar ambiente ou ainda indiretamente, através das mãos da pessoa infectada que tenham tocado os próprios olhos, nariz, ou boca. A mão assim contaminada pode espalhar a doença via aperto de mãos ou contato com superfícies  como por exemplo corrimões, maçanetas, bancos, mesas e cadeiras, aparelhos de celular ou teclados de computador.

Infelizmente o novo Coronavírus pode resistir muito tempo no meio ambiente, ou seja se uma pessoa com a mão contaminada tocar uma superfície essa superfície pode contaminar outras pessoas que a toquem tempos depois. Os tempos estimados de duração do novo Coronavírus em diferentes superfícies são:

    - Plástico e aço inoxidável: 3 dias (72h)
    - Papelão : 1 dia (24 horas)
    - Cobre: 4 horas
    - Aerossóis (gotículas no ar) e poeiras: 40 min a 2h30min

A Covid-19
A doença respiratória provocada pelo novo Coronavírus, a Covid-19, pode ser grave para muitas pessoas, mas estatisticamente tem apresentado casos mais graves nas pessoas com idade acima de 60 anos e nas pessoas com doenças crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares e respiratórias. 

Além disso, como a maioria das infecções, a Covid-19 tem maior risco de contaminar e de provocar complicações graves nas pessoas com imunidade baixa, cuja defesa natural do organismo contra agentes externos esteja reduzida. Pacientes de câncer podem se enquadrar neste último grupo de risco para complicações graves da Covid-19, porque alguns cânceres e alguns tratamentos do câncer podem provocar a redução da imunidade do paciente.

O câncer a imunidade (a capacidade de resistir a infecções)
Todo câncer é provocado pela reprodução anormal e descontrolada de células doentes do organismo. Alguns tratamentos do câncer como alguns tipos de quimioterapias e radioterapias, funcionam tentando controlar ou reduzir essa multiplicação descontrolada de células doentes, para impedir o câncer de crescer ou de se espalhar. 

No entanto, esses tratamentos às vezes tem como efeito colateral reduzir também a multiplicação de algumas células sadias do organismo  como as células do sistema imunológico, o que reduz a imunidade, a capacidade da pessoa enfrentar bactérias, vírus e fungos. 

Além de algumas  quimioterapias e radioterapias, também há alguns outros medicamentos usados em alguns tratamentos de câncer, como esteróides por exemplo a Cortisona, que também deprimem o sistema imunológico. Também pacientes que passaram por cirurgias recentes podem ter sua capacidade de resistir a infecções reduzida.

Por último, há alguns tipos de câncer e alguns estágios da doença que podem afetar negativamente o sistema imunológico, independente de tratamentos, como por exemplo os cânceres que afetam a medula óssea, como leucemias e linfomas, bem como outros tipos de cânceres que  tenham se espalhado para os ossos.

Somando-se tudo isso, muitos pacientes ou em tratamento do câncer podem se enquadrar no grupo de risco aumentado para a Covid-19.

Como se proteger
Seguem as recomendações do INCA - Instituto Nacional de Câncer para os pacientes de câncer:

    - O paciente com câncer não deve, em nenhuma hipótese, parar seu tratamento por conta própria, seja quimioterapia, radioterapia ou uma cirurgia. Toda decisão quanto ao tratamento deve ser feita junto com a equipe de saúde. Em algumas situações, consultas e exames poderão ser adiados e remarcados.

    - Ficar em casa, quando não for dia de tratamento;

    - Se sair for realmente necessário, evitar lugares com muita gente e tentar manter distância de, pelo menos, um metro de outras pessoas;

    - Lavar as mãos com frequência e com atenção por pelo menos vinte segundos;

    - Tentar não levar as mãos ao rosto (principalmente olhos, nariz e boca);

    - Cobrir nariz e boca com lenço (ou papel) ao tossir ou espirrar (e jogá-lo fora logo depois). Se não for possível, deve usar o antebraço como barreira, e não as mãos, para evitar tocar em locais que possam contaminar outras pessoas;

    - Cumprimentar a distância, evitando aperto de mão, abraços e beijos, mesmo de familiares;

    - Evitar contato com pessoas que tenham sintomas de gripe;

    - Não compartilhar objetos de uso pessoal como toalhas, talheres, pratos e garrafas;

    - Higienizar objetos e superfícies tocados com frequência, incluindo celulares, chaves, maçanetas etc.;

    Caso tenha que sair de casa, você deve usar máscara de proteção, mesmo que seja artesanal. Saiba mais sobre como fazer a sua máscara caseira, seguindo as recomendações do Ministério da Saúde no passo a passo e no vídeo.

Para os familiares e cuidadores de um paciente em tratamento de câncer o INCA recomenda:

Quem mora com paciente em tratamento de câncer ou é cuidador(a) deve prestar muita atenção às recomendações de prevenção e seguir as orientações do Ministério da Saúde. Além das orientações de lavar as mãos, os acompanhantes e cuidadores devem:

    - Cuidar da higiene da casa (quando não for possível fazer limpeza completa todo dia, desinfetar as superfícies que são tocadas com maior frequência como mesas e bancadas, celulares, controle remoto, superfícies do banheiro e cozinha, maçanetas, interruptores etc.) e o chão próximo à entrada;

    - Limpar compras (comida, medicamentos, etc.) antes de serem guardadas;

    - Tirar os sapatos antes de entrar em casa e, se possível, deixá-los do lado de fora;

    - Trocar de roupa, lavar bem as mãos ou tomar banho (incluindo lavar os cabelos) antes de ter contato com o paciente;

    - Deixe bolsa, carteira, chaves etc. próximos à entrada.

Se o acompanhante ou cuidador(a) apresentar sintomas de gripe, deverá tentar, junto a familiares e amigos, buscar uma nova casa para ficar em quarentena ou, então, para acolher o paciente de câncer durante esse período. Se não for possível, essa pessoa deverá ficar isolada em um cômodo da casa, evitando manter contato com outras pessoas.

O GPOI comenta
Vamos todos nos cuidar seguindo as recomendações do Ministério da Saúde com relação à pandemia de Covid-19 e os pacientes de câncer, seus familiares e cuidadores seguindo rigorosamente, além das recomendações gerais as recomendações do INCA.

Fontes: [1] INCA - Instituto Nacional de Câncer - Perguntas frequentes: Câncer e coronavírus (Covid-19) [2] ASCO - American Society of Clinical Oncology / Cancer.net - Infection [3] ASCO - American Society of Clinical Oncology / Cancer.net - Common Questions About COVID-19 and Cancer: Answers for Patients and Survivors [4] INCA - Instituto Nacional de Câncer - Duração do Coronavírus nas superfícies

>
MARÇO 2020

Bebida Alcoólica e Câncer

Bebidas alcoólicas com sinal de proibido na frente

Consumo de bebida alcoólica é um fator importante no aumento do risco de câncer.

Já há mais de 100 anos, em 1910, o médico francês L. Lamy notou que uma grande proporção - 8 entre cada 10 - de seus pacientes de câncer no esôfago e no estômago eram pessoas que abusavam do álcool.

Dessa época até hoje, vem se acumulando as evidências que o consumo de álcool aumenta o risco de vários cânceres, os apontados originalmente pelo doutor Lamy e vários outros: como cânceres de boca, garganta, laringe, fígado, mama, cólon (porção do intestino) e reto.

Estima-se que cerca de 5% de novos casos de câncer no mundo e cerca de 20% das mortes por câncer podem ser atribuídas ao consumo de álcool.

Risco aumentado pelo consumo de álcool
Assim como cigarro e outros derivados do tabaco, o álcool consumido em bebidas alcoólicas é uma das substâncias claramente ligadas por evidências estatísticas ao aumento do risco de câncer.

Segundo a WHO / OMS (World Health Organization / Organização Mundial da Saúde) a relação entre o consumo médio diário de álcool e o risco de mortalidade por câncer do esôfago em ambos os sexos e de câncer de mama feminina é exponencial. Já o relacionamento entre consumo de álcool e risco de mortalidade por câncer da parte baixa do aparelho digestivo e de câncer de boca e cavidade oral são lineares.

Não existe bebida boa ou bebida ruim. Vinho, cerveja ou aguardentes / destilados - qualquer bebida que contenha álcool - aumenta o risco de câncer em quem a ingere, embora a frequência, a quantidade de doses e a concentração de álcool contido em cada bebida façam diferença no aumento do risco.

Além do acumulado de bebida ao longo do tempo e o consumo médio estarem diretamente ligados ao aumento do risco de câncer, também há evidências que bebedeiras (“porres”) aumentem o risco de certos cânceres mesmo que tenham acontecido eventualmente ou esporadicamente.

Pessoas que beberam em algum período da vida tem o risco de câncer aumentado em relação a quem nunca bebeu. Há evidências estatísticas que parar de beber vai diminuindo o risco ao longo do tempo de abstinência, mas alguns estudos indicam que pode levar até 20 anos para o risco cair para o mesmo nível dos abstêmios por toda a vida.

Porque aumenta o risco
Os mecanismos exatos que provocam o aumento do risco de câncer de quem toma bebidas alcoólicas não são completamente entendidos pela ciência, mas as possibilidades mais estudadas são:

- O etanol (nome científico do álcool comum) contido em todas as bebidas alcoólicas pode danificar o DNA de células saudáveis, especialmente daquelas em que entra em contato direto;

- A digestão do álcool pelo organismo humano produz acetaldeído que também é uma substância capaz de danificar o DNA de células saudáveis;

- O álcool parece afetar o mecanismo de quebra do estrogênio no sangue aumentando a concentração desse hormônio em quem o ingere. Concentrações maiores de estrogênio são um fator de risco para cânceres de mama, dos ovários e do útero. Essa é uma preocupação para mulheres pré-menopausa ou que estejam fazendo reposição hormonal na menopausa;

- Além dos mecanismos mais diretos descritos acima o álcool tem outros efeitos indiretos: pode diminuir a capacidade do organismo de processar e absorver as vitaminas, A, C, D, e E, ácido fólico (vitamina B9) e carotenóides. Esses nutrientes que o álcool dificulta a absorção pelo corpo humano são importantes na saúde geral e em particular no funcionamento do sistema imunológico e sua capacidade de nos defender contra micro-organismos e o câncer;

- O álcool parece funcionar como solvente de algumas substâncias carcinogênicas do cigarro, potencializando seu efeito. Assim a combinação cigarro + bebida alcoólica pode ser especialmente perigosa.

Redução do risco
Segundo a WHO / OMS a relação entre consumo de bebidas alcoólicas e o aumento do risco de câncer foi observado como monotônico e sem limiar (The relationship between alcohol consumption and cancer has been observed as monotonic and without threshold no original [1]).

Traduzindo da linguagem estatística, quer dizer que o consumo de bebidas alcoólicas aumenta o risco de câncer independente de quaisquer outras variáveis (monotônico) e que não há quantidade mínima segura, ou que não afete o risco (sem limiar).

Porém, essa relação estatística bem estabelecida - o aumento do consumo de álcool aumenta o risco de câncer - implica em uma outra consideração que pode ser positiva: o inverso também é verdade. Qualquer redução do consumo pode diminuir o risco.

O GPOI comenta
Aumento de risco não quer dizer certeza que vamos ter uma doença, nem diminuição de risco quer dizer certeza de que não vamos tê-la. No entanto, na vida sempre é sensato aumentar as chances a seu favor e diminuir as contra.

Assim, devemos tentar reduzir as causas de aumento do risco de câncer sobre as quais temos algum controle voluntário, como beber e fumar. Com isso podemos reduzir o risco de vir a ter as doenças associadas a esses hábitos.

Fontes: [1] WHO - World Health Association - World Cancer Report: Cancer Research for Cancer Prevention [2] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Alcohol [3] INCA - Instituto Nacional de Câncer - Estudo mostra como bebidas alcoólicas aumentam risco de câncer [4] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Alcohol and Cancer [5] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Alcohol and Cancer Risk

FEVEREIRO 2020

Brasil terá 625 mil novos casos de câncer em 2020

Logo World Cancer Day 2020

Por ocasião do Dia Mundial do Câncer 2020, governo divulga estimativa de 625 mil novos casos de câncer no país a cada ano do triênio 2020-2022.

O World Cancer Day
A ideia de se estabelecer um dia para a conscientização sobre a doença surgiu em 1999, quando especialistas em câncer reunidos no congresso World Summit Against Cancer for the New Millennium (Cúpula Mundial Contra o Câncer para o Novo Milênio), em Paris, rascunharam a primeira versão de um documento com sua visão do “impacto do câncer na vida humana, no sofrimento das pessoas e na produtividade das nações”. Este documento ficou conhecido como The Charter of Paris Against Cancer / A Carta de Paris Contra o Câncer.

A Carta destacou a necessidade de acesso a cuidados de qualidade para todos os doentes de câncer, mais financiamento para pesquisa do câncer, maior entendimento do problema e, acima de tudo, respeito e dignidade para todos os indivíduos que vivem com a doença.

A iniciativa de redigir a Carta e tentar criar um esforço coordenado frutificou e tornou-se um movimento de alcance mundial. A data da publicação de sua versão acabada - 4 de fevereiro de 2000 - é considerada o primeiro Dia Mundial do Câncer. A comunicação e organização do Dia, agora em sua vigésima edição, é coordenada pela ONG Union for International Cancer Control - UICC.

O Dia Mundial do Câncer no Brasil
O tema da campanha internacional é I am and I will, traduzido para Eu sou e eu vou. A ideia do Eu sou é que cada pessoa faça uma reflexão sobre o que ela é - pessoalmente, socialmente, Lema do Dia Mundial do Câncer em Portuguêsprofissionalmente - e que a partir dessa posição tente encontrar ações que ela possa fazer que ajudem para criar um futuro sem o câncer, ou pelo menos um futuro com o peso da doença diminuído nos indivíduos e na sociedade. Já a parte eu vou sugere que as pessoas realmente façam essas ações ou contribuições que julgarem ao seu alcance. Ação e não apenas intenção.

Em 2020 as principais atividades relacionadas ao Dia no Brasil - lideradas pelo INCA ( Instituto Nacional de Câncer) - foram:

- Lançamento de várias ações publicitárias inspiradas na campanha internacional I am I will - Eu sou e eu vou;
- Palestra e divulgação de materiais com uma retrospectiva dos 20 anos de atividades relacionadas ao Dia Mundial do Câncer;
- Apresentação do documento Estimativa 2020 da Incidência de Câncer no Brasil.

A Estimativa
A Estimativa 2020 da Incidência de Câncer no Brasil é a versão para esse ano de um estudo realizado periodicamente no Brasil, produzido pelo Ministério da Saúde e pelo INCA com a contribuição de informações de 27 Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP), integrando as informações de 321 Registros Hospitalares de Câncer (RHC) e uma série histórica de 38 anos de outras informações mantidas pelo Ministério e pelo INCA.

Entre 1995 e 2005 A Estimativa foi produzida anualmente. A partir de 2006 tornou-se bienal e agora em 2020, trienal. A mudança da periodicidade, segundo o INCA, deve-se às características crônicas da doença (o que não cria mudanças bruscas nos dados), ao amadurecimento dos sistemas de informação, bem como a melhora da qualidade da informação e manutenção das série históricas. A principais funções da Estimativa são prover dados para o planejamento da gestão pública e privada da medicina oncológica no país, bem como ajudar a informar e conscientizar a sociedade sobre as dimensões da questão

Os principais resultados da estimativa são que os cânceres mais frequentes no Brasil para cada um dos anos do triênio 2020-2022 serão o câncer de pele não melanoma (177 mil casos novos), seguidos pelos de mama e de próstata (66 mil cada), cólon e reto (41 mil), pulmão (30 mil) e estômago (21 mil).

Separados por sexo, os tipos mais frequentes nos homens, excluindo-se pele não melanoma, serão próstata (29,2%), cólon e reto (9,1%), pulmão (7,9%), estômago (5,9%) e cavidade oral (5,0%). Nas mulheres, também sem contar o não melanoma, os mais incidentes serão os de mama (29,7%), cólon e reto (9,2%), colo do útero (7,4%), pulmão (5,6%) e tireóide (5,4%).

Uma novidade dessa última edição da Estimativa foi a inclusão de uma seção especial para o câncer infanto-juvenil, onde se encontra a expectativa que haja 4.310 casos novos no sexo masculino e de 4.150 para o sexo feminino a cada ano do triênio estudado. Esses valores correspondem a um risco estimado de 137,87 casos novos por milhão no sexo masculino e de 139,04 por milhão para o sexo feminino.

Fontes: [1] UNESCO - United Nations Education and Cultural Organization - World Summit Against Cancer for the New Millennium: Charter of Paris, 4 February 2000 [2] UICC - Union for International Cancer Control [3] WCD - World Cancer Day [4] INCA - Instituto Nacional de Câncer - Estimativa 2020 da Incidência de Câncer no Brasil [4] INCA - Instituto Nacional de Câncer - Brasil terá 625 mil novos casos de câncer a cada ano do triênio 2020-2022

JANEIRO 2020

Verão, Férias. Proteja sua pele.

Cadeiras na praia, debaixo de guarda-sol

Temos que ter cuidado com a exposição da pele ao Sol o ano inteiro e mais ainda nas férias de verão, quando aumentam as atividades ao ar livre e a luz solar está mais intensa.

O Sol e o câncer de pele
A estrela que ilumina a Terra, nos mantém aquecidos e permite a vida, nos banha numa ampla gama de radiação eletromagnética, que tecnicamente pode ser dividida em diversas partes ou tipos, de acordo com a frequência. Um dessas partes é a luz visível e outra a luz ultravioleta, invisível. 

A luz ultravioleta, também popularmente chamada de luz UV ou raios UV,  tem alguns efeitos benéficos, como por exemplo ajudar o organismo humano a sintetizar a vitamina D e é desinfetante, pode matar alguns microrganismos expostos diretamente à ela. No entanto a exposição cumulativa da pele humana à luz ultravioleta pode danificá-la e, ao longo do tempo, acelerar seu envelhecimento aparente e também aumentar o risco do câncer de pele.

O risco aumentado não significa a certeza que se vá ter a doença assim como menos risco não é a certeza de não ter a doença. As causas do câncer são complexas, envolvem a interação com uma série de outros fatores pessoais e em alguns casos não são completamente entendidas pela ciência. No entanto, não é sensato se jogar roleta russa com a própria saúde e até a vida, incorrendo nos comportamentos que estatisticamente se comprovou que aumentam o risco de câncer. É melhor se prevenir da exposição excessiva ao Sol para diminuir o risco. 

Além disso, esse comportamento cuidadoso pode trazer o bônus adicional de proteger a pele da aceleração do envelhecimento na aparência, também provocado pela luz ultravioleta.

Como se prevenir
Segundo o INCA (instituto Nacional de Câncer) os principais cuidados são:

• Evitar exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h.

• Procurar lugares com sombra.

• Usar proteção adequada, como roupas, bonés ou chapéus de abas largas, óculos escuros com proteção UV, sombrinhas e barracas.

• Aplicar na pele, antes de se expor ao sol, filtro (protetor) solar com fator de proteção 15, no mínimo.

• Usar filtro solar próprio para os lábios.

Além disso há alguns lembretes importantes:

  • Dias nublados: É importante usar proteção (roupas, chapéu, filtro solar, óculos, etc.) também no dias nublados porque a luz perigosa - a ultravioleta - é invisível. As nuvens podem estar bloqueando a luz visível mas uma parte maior de luz UV pode estar atravessando sem a pessoa perceber.

  • Na sombra também: É importante se proteger com filtro solar mesmo quando a pessoa ficar na sombra. Embora a exposição seja menor que no Sol direto, a luz ultravioleta se reflete no chão, na areia, na água e em outras superfícies e pode queimar mesmo quem está na sombra, por exemplo debaixo de um guarda-sol.

  • Óculos com filtro UV: O uso de óculos escuros é importante para proteger os olhos mas é necessário se certificar que eles sejam de boa qualidade e tenham filtros para luz ultravioleta, lembrando de novo que a luz ultravioleta é invisível. Um par de óculos de má qualidade pode ser escuro para a luz comum visível - ele parece escuro quando se olha - mas pode deixar passar a danosa luz ultravioleta invisível, sem a pessoa perceber.

  • Reaplicação frequente do filtro: É recomendado se reaplicar o filtro solar a cada 2 horas ou quando a pessoa suar ou entrar na água. Mesmo os filtros que se declaram “resistentes à água” ou “à prova d'água” podem ter sua eficiência reduzida após contato com a água.


O câncer de pele
A medicina divide os cânceres de pele em 2 tipos: melanoma e não-melanoma. O melanoma recebe esse nome por começar nos melanócitos, as células da pele que que produzem a melanina, o pigmento que dá sua cor. 

O grupo dos não-melanoma abarca os cânceres que começam nas outras células da pele e é o grupo dos cânceres mais comuns no Brasil, considerando-se todos os cânceres de todas as partes do corpo.

Uma das principais diferenças entre os tipos é que o melanoma é um tipo de câncer mais raro porém muito mais perigoso que os do grupo não melanoma, por ter uma chance maior de metástase - espalhamento da doença pelo corpo, surgimento do câncer em outros órgãos. 

A estimativa do INCA para o Brasil em 2018 foi de 6.260 casos de melanoma e de 165.580 casos de cânceres não melanoma.  Em 2015 (últimos dados disponibilizados pelo INCA) o melanoma levou a 1.794 óbitos no Brasil e os não melanoma a 1.958. 

Sintomas e sinais
O principais sintomas do câncer de pele não melanoma são:

  • • Manchas na pele que coçam, ardem descamam ou sangram

  • • Feridas que não cicatrizam depois de quatro semanas

Os principais sintomas do melanoma são manchas, pintas ou sinais na pele ou mucosas que se enquadrem na chamada “regra do ABCDE”, se enquadrem em uma ou mais das seguintes características:

  • • Assimetria: formato assimétrico (a pinta ou mancha não é “redondinha”)

  • • Bordas: bordas irregulares (as bordas são de formato irregular ou mal definidas)

  • • Cor: a pinta ou mancha tem mais de uma cor

  • • Diâmetro: a pinta ou mancha é maior que 6mm (mais ou menos o diâmetro de um lápis comum)

  • • Evolução: mudança rápida na aparência (tamanho, forma, cor ou espessura).

algumas observações importantes:

  • Procure o médico: várias doenças e condições, que não o câncer, podem provocar alterações na pele que podem em alguns casos ter sintomas similares aos descritos acima. Assim, se você tiver qualquer destes sintomas ou sinais não é motivo para preocupação exagerada, pode ou não ser um câncer de pele, mas é importante que seja verificado em uma consulta médica.

  • Atenção ao corpo inteiro: os cânceres de pele podem surgir em qualquer parte do corpo, embora sejam mais frequentes nas partes do corpo mais expostas ao Sol como rosto, pescoço e mãos. Em particular o melanoma pode surgir em qualquer lugar, como por exemplo nas costas, na parte de trás das pernas, nas palmas das mão e na planta dos pés. Assim é importante estar atento a alterações em toda a pele e usar um espelho ou pedir ajuda a um familiar para conferir áreas de difícil visualização pela própria pessoa.

  • Tatuados atenção: tatuagens podem esconder ou disfarçar alguns tipos de mudanças na pele, então é importante especial atenção a alterações de pele em áreas tatuadas.

Tratamento
Os cânceres de pele não melanoma são geralmente tratados cirurgicamente, com a retirada da lesão. Em muitos casos de lesões pequenas, detectadas em seu início, são procedimentos relativamente simples e ambulatoriais. Também há algumas outras opções terapêuticas além da cirurgia para alguns casos específicos, a critério do médico. Alguns casos podem demandar cirurgias mais complexas e/ou associar radioterapia à cirurgia.

O câncer de pele melanoma também é tratado cirurgicamente e pode ser associado a radioterapia e quimioterapia dependendo do estágio em que é diagnosticado. Há medicamentos relativamente recentes que permitem tratar a doença mesmo nos estágios em que ela já se espalhou para além do lugar original, quando já há metástase.

Em qualquer caso, o prognóstico de qualquer tipo de câncer de pele é muito melhor quando diagnosticado e tratado o mais precocemente possível. Assim se perceber qualquer tipo de mancha, pinta ou lesão suspeita na sua pele, como as descritas neste artigo ou outras, procure uma consulta médica o mais rápido possível.

O GPOI comenta
Aproveite o verão e suas férias, se for tirá-las nessa época, mas não se esqueça de proteger sua pele do Sol.

Fontes: [1] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Melanoma: Risk Factors and Prevention [2] INCA - Instituto Nacional de Câncer - Câncer de pele - Vamos falar sobre isso [3] INCA - Instituto Nacional de Câncer - Câncer de pele não-melanoma [4] INCA - Instituto Nacional de Câncer - Câncer de pele melanoma

Dezembro 2019

Festas de fim de ano, paciente e família

Árvore de Natal à distância

As festas de fim de ano podem ser para os pacientes de câncer e seus entes queridos os mesmos momentos de união, agradecimento e celebração que são para todas as famílias.

Um diagnóstico de câncer pode ser muito estressante para o paciente e sua família. É natural as pessoas serem tomadas por preocupações e incertezas sobre as dificuldades e consequências de curto, médio e longo prazo da doença e seu tratamento. Além disso, a doença e seu tratamento podem concretamente reduzir a capacidade física e o dinamismo do paciente, além de impor restrições alimentares, de atividades e às vezes até a certas formas de convívio e interação social.

Nessa situação, pode ser difícil encarar positivamente algumas situações normalmente agradáveis da vida, como as festas de fim de ano. Não há uma fórmula única ou mágica para todos os diferentes pacientes lidarem com as festas, mas no entanto, vamos conversar aqui sobre ideias e sugestões para que paciente e famílias famílias possam sim aproveitar esses momentos.

Conversa com o médico
Se você é paciente ou familiar é importante compartilhar com seu médico oncologista os seus planos para as festas que envolvam o paciente. É importante perguntar e tirar todas as suas dúvidas sobre possíveis restrições e cuidados, por exemplo com relação à alimentação, viagens e convívio social.

Cada caso é um caso, e pode haver situações onde praticamente nenhum plano de fim de ano tenha que ser alterado e outras onde planejamentos diferentes tenham que ser feitos, por exemplo pacientes com imunidade reduzida podem ter que evitar ou ter cuidados especiais em certas formas reunião ou agrupamentos de pessoas.

Diminuição da carga de responsabilidade do paciente
Cada família tem seu jeito, mas se o paciente é uma pessoa habitualmente envolvida na preparação da festa, como a elaboração da ceia, decoração da casa ou compra de presentes, pode ser a hora de dividir ou transferir essas responsabilidades para outros membros da família e amigos. Em particular, não tenha vergonha de pedir ajuda. As pessoas com certeza compreenderão.

Dê espaço para as emoções
Ninguém tem obrigação de estar feliz ou fingir felicidade quando atravessa um período difícil. No entanto uma atitude positiva pode ajudar no tratamento, na vida e no convívio social. Procure conversar sobre os problemas. Muitas vezes a ajuda profissional de um psicólogo, psiquiatra ou terapeuta também pode ajudar. O médico oncologista pode indicar um profissional de apoio psicológico adequado.

Celebrando a vida
Se você é paciente, sugerimos que reflita, ou se é familiar de um paciente sugerimos que você ajude o paciente a refletir, no real significado das festas de fim de ano. Tentar não se preocupar com o que possa estar diferente ou faltando este ano, mas tentar se focar no momento presente, na renovação dos laços de amizade e família, na alegria de dividir e compartilhar e em ser grato pelas coisas e pessoas boas que a vida nos traz, apesar das dificuldades.

O GPOI comenta
Gostaríamos de fechar este artigo lembrando que os profissionais da oncologia tem a missão de ajudar nas necessidade físicas, emocionais e existenciais dos pacientes de câncer e que genuinamente desejam que o paciente e suas famílias passem da melhor forma possível pelo tratamento e, em particular, pela época de festas. Conte conosco nessa e em todas as horas.

Fontes: [1] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Coping with Cancer During the Holidays [2] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Cancer and the Holidays [3] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Five Ideas for Maintaining Your Holiday Cheer

Novembro 2019

Homens e a Saúde

Pai e filho pequeno em rede de descanso

Novembro é um mês internacionalmente dedicado às questões de saúde dos homens. Vamos conversar sobre isso.

Doenças e condições da masculinidade
Algumas doenças são exclusivas dos homens como problemas na próstata, testículos e pênis, no entanto algumas outras que afetam ambos os sexos são mais frequentes em homens do que em mulheres, como doenças do coração e das artérias coronárias, diabetes, hipertensão (pressão alta), câncer do pulmão, doença de Parkinson e infecção pelo HIV. Quanto à saúde mental, embora as mulheres estatisticamente tenham uma maior incidência de problemas mentais que os homens, o número de homens que comete suicídio é quatro vezes maior [3]. 

Os homens também têm uma expectativa média de vida menor que as mulheres em todos os países pesquisados pela Organização Mundial da Saúde (OMS / WHO World Health Organization). A diferença média mundial a favor das mulheres é de 6 anos a mais de vida que os homens. Essa disparidade do tempo médio de vida entre os sexos deve-se provavelmente à interação não completamente entendida de complexos fatores biológicos, psicológicos e culturais. Do ponto de vista biológico as hipóteses mais consideradas são melhor proteção contra o estresse oxidativo na biologia feminina, efeitos compensatórios do segundo cromossomo X, comprimento dos telômeros, função imunológica feminina mais ativa e efeitos protetores do estrogênio.

Do ponto de vista psicológico / cultural / comportamental os motivos mais facilmente perceptíveis são:

  • - Os homens trabalham em muito maior proporção que as mulheres nas profissões mais duras fisicamente e perigosas, como construção, mineração, agricultura, extração de petróleo, transportes, pesca, etc. Em 2010 na Europa, 95% dos acidentes de trabalho fatais aconteceram com homens e nos EUA, 86% [1];

  • - Os homens se envolvem mais em atividades de risco em seu tempo de lazer como esportes radicais, automobilismo e motociclismo;

  • - Na média, os homens exageram mais na bebida, Estatísticas de 2010 indicam que naquele ano morreram 3,14 milhões de homens versus 1,72 milhões de mulheres, de causas relacionadas ao consumo excessivo de álcool [1];

  • - Por motivos psicológicos e culturais os homens têm uma atitude mais estóica em relação ao sofrimento e doença, procuram muito menos a ajuda médica e quando procuram, tendem a minimizar ou não relatar sintomas.

Essa última questão psicológica / cultural / comportamental é especialmente impactante no agravamento e morbidade das doenças crônicas como por exemplo diabetes, hipertensão, arteriosclerose e em particular, do câncer. Essas doenças tendem só a piorar quanto mais tempo se leva para diagnosticar e começar seu tratamento. Dificilmente algum desses problemas melhora sozinho sem intervenção médica.

O cânceres do homem
O cânceres da próstata, testículos e pênis - exclusivos dos homens - começam quando células de alguma dessas partes do corpo se tornam doentes e se reproduzem de forma descontrolada, formando um agrupamento de células doentes, anormais - um tumor. Ao longo do tempo esse tumor pode crescer localmente, invadir outras estruturas e órgãos vizinhos, bem como se espalhar para outras regiões do corpo, um processo denominado metástase. Mais informação sobre cada um:

Câncer de próstata: A próstata é uma glândula presente apenas nos homens, localizada na parte inferior do abdômen, abaixo da bexiga, ao redor da uretra - o canal que conduz a urina e o sêmen para fora do corpo. Sua função é produzir um líquido que compõe parte do sêmen e ajuda na condução e proteção dos espermatozóides durante a ejaculação. O câncer da próstata é o câncer mais comum nos homens brasileiros, depois dos de pele. Seus sintomas são:

  • - dificuldade em urinar

  • - demora em começar e terminar de urinar

  • - sangue na urina ou no sêmen

  • - diminuição do jato de urina

  • - necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite

Importante: esses sintomas também podem ser provocados por outras doenças que não o câncer, como infecções da próstata e a Hiperplasia Benigna da Próstata - um crescimento do órgão que ocorre naturalmente em mais da metade dos homens com mais de 50 anos de idade. Assim se você ou um ente querido estiver experimentando algum  dos sintomas descritos acima não é motivo para medo exagerado, mas é preciso sim procurar uma consulta médica para verificar os motivos do problema.

Mudança nas recomendações de exame da próstata pelo Ministério da Saúde: Até 2012 o Ministério da Saúde recomendava, como política preventiva ao câncer de próstata, que todos os homens, inclusive os sadios e sem sintomas, a partir dos 40 anos de idade se submetessem anualmente a exames de toque retal e de dosagem de PSA . No toque retal o médico introduz um dedo no ânus do paciente e apalpa a próstata através da parede do intestino para tentar sentir alterações de forma ou textura. O PSA é um hormônio produzido na próstata cuja taxa, medida em exame de sangue, pode indicar problemas no órgão.

Porém, a partir de 2013 o Ministério da Saúde do Brasil parou de recomendar que homens sem sintomas façam preventivamente os exames de rastreamento do câncer de próstata - toque retal e dosagem de PSA - e parou de fazer campanhas de publicidade recomendando esta prática. Essa mudança se deve ao fato que vários estudos internacionais constaram que esses exames, quando aplicados em grande escala, podem provocar estatisticamente mais malefícios que benefícios à população.

Segundo o INCA / Instituto Nacional de Câncer, esses malefícios “incluem resultados falso-positivos, infecções e sangramentos resultantes de biópsias, ansiedade associada ao sobrediagnóstico (overdiagnosis) de câncer e danos resultantes do sobre-tratamento (overtreatment) de cânceres que nunca iriam evoluir clinicamente”[5]. O Ministério da Saúde do Brasil também passou a recomendar aos médicos que, quando um paciente espontaneamente solicite estes exames, o médico o informe dos possíveis riscos.

Já os homens com os sintomas de próstata descritos acima devem procurar uma consulta médica e conversar com o médico sobre a possível necessidade desses ou outros exames, seus riscos e benefícios.

Câncer de testículo: O câncer de testículo é um câncer relativamente raro, representa apenas 5% dos casos de câncer entre os homens brasileiros. Geralmente é um câncer agressivo - de crescimento rápido - porém carrega um relativo baixo índice de mortalidade devido à posição externa dos testículos, que facilita a detecção no seu início pelo próprio paciente e também o acesso para o tratamento. Além disso, as quimioterapias existentes são muito eficazes para esse tipo de câncer. No entanto às vezes pode ser mascarado ou confundido por infecções, geralmente transmitidas sexualmente, o que pode atrasar o diagnóstico e tratamento. 

Seus principais sintomas são:

  • - Aumento de tamanho (não doloroso) do testículo

  • - Mudança de forma, textura ou endurecimento

  • - Aparecimento de um nódulo duro

  • - Sangue na urina ou no sêmen

  • - Dor imprecisa na parte baixa do abdômen

  • - Sensibilidade nos mamilos

Importante: Como no caso do câncer de próstata, sintomas similares aos descritos acima para o câncer de testículo podem ser provocados por outras doenças e condições que não o câncer, assim se você ou um ente querido os estiverem experimentando não é motivo para medo exagerado, porém é sim motivo para uma consulta médica. 

Câncer de pênis: O câncer do pênis também é um câncer relativamente raro representando 2% dos cânceres em homens no Brasil. É um câncer geralmente associado a baixas condições socioeconômicas e de instrução. Sabe-se que aumentam o risco da doença: a) má higiene íntima; b) o estreitamento do prepúcio - fimose - (o estreitamento da pele que cobre a glande, a cabeça do pênis) e c) a contaminação pelo vírus HPV. 

A detecção e tratamento do câncer de pênis no seu estágio inicial tem elevada taxa de cura, porém infelizmente, devido a vergonha e outras restrições culturais, mais da metade dos pacientes espera até um ano depois de perceber lesões no pênis antes de procurar um médico. O diagnóstico e tratamento precoces também são fundamentais para evitar os casos mais avançados onde é necessária a amputação total do pênis. 

Os principais sintomas do câncer no pênis são:

- Tumor (caroço ou massa) ou úlcera (ferida) no pênis na ausência de uma doença sexualmente transmissível ou persistente após seu tratamento.

- Espessamento ou mudança na cor da pele do pênis ou prepúcio

Importante: Sintomas similares aos do câncer de pênis podem ser provocados por outras doenças, por exemplo algumas doenças sexualmente transmissíveis entre outras, assim se você ou se um ente querido estiverem experimentando esses sintomas não é motivo para medo exagerado, mas é sim motivo para procurar uma consulta médica.

O GPOI comenta
Procurar ajuda profissional - médica - para problemas de saúde física ou mental não é sinal de fraqueza ou desmerecimento para ninguém, muito menos diminui a masculinidade. Também não é motivo de vergonha ou constrangimento conversar com médicos e profissionais de saúde sobre problemas nos órgãos genitais e regiões íntimas, eles são treinados para lidar com cuidado e respeito com esses assuntos. 

Se você  perceber em você, ou em algum ente querido, os sintomas descritos neste artigo ou qualquer anormalidade ou suspeita de saúde, o melhor caminho sempre é buscar ajuda médica, o mais rápido possível.

Fontes: [1] US National Library of Medicine - National Institute of Health - The men’s health gap: men must be included in the global health equity agenda A lacuna na saúde dos homens: os homens devem ser incluídos na agenda global da equidade em saúde [2] US National Library of Medicine - National Institute of Health - Changing Men's Health: Leading the Future Mudando a saúde dos homens: liderando o futuro [3] US National Institute of Mental Health - Men and Mental Health - Homens e a Saúde Mental [4] INCA - Instituto Nacional de Câncer - Cartilha Câncer de Próstata [5] INCA - Instituto Nacional de Câncer - Rastreamento do Câncer de Próstata [6] INCA - Instituto Nacional de Câncer - Câncer de testículo [7] INCA - Instituto Nacional de Câncer - Câncer de pênis

Outubro 2019

Outubro Rosa

Outubro Rosa

Outubro é o mês de conscientização sobre a prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama.

Chegou novamente a época do ano em que muitos prédios são iluminados em rosa, celebridades aparecem usando fitas cor rosa na lapela e o número de artigos e reportagens sobre o câncer de mama, sua prevenção e tratamento, aumenta em toda a mídia. É o Outubro Rosa, mês internacionalmente dedicado à conscientização da população - e em particular as mulheres - sobre a prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama.

A História
Várias ações ligadas a esse assunto começaram no final dos anos 80 e começo dos 90 do século passado no EUA, mas a ideia do uso da cor rosa e da fita rosa ganhou especial impulso a partir de 1991, quando a fundação Susan G. Komen for the Cure® - uma das maiores e mais respeitadas ONGs americanas ligada à prevenção e tratamento do câncer de mama - distribuiu fitas rosa em uma corrida e caminhada de rua para sobreviventes do câncer, organizada pela fundação em Nova Iorque, em outubro daquele ano.

Com o tempo, essa ideia de chamar a atenção das pessoas para o câncer de mama, através do uso de fitas rosa e outros elementos nessa cor, durante o mês de outubro, foi sendo adotada por outras organizações civis e governamentais e acabou se difundindo até o alcance mundial que tem hoje.

Câncer de Mama
O câncer de mama começa quando células dessa parte do corpo se tornam doentes e se reproduzem de forma descontrolada, formando uma massa de células doentes, anormais - um tumor. Um tumor é chamado de benigno quando é de um tipo que só cresce localmente onde começou e de tumor maligno ou câncer quando além de crescer localmente pode se espalhar e dar início a outros tumores em outras partes do corpo.

O câncer de mama pode acometer mulheres e homens, mas nos homens é muito raro. É o tipo de câncer mais comum nas mulheres na maior parte do mundo (excetuando-se os cânceres de pele) e apesar de muitos avanços no seu tratamento acontecidos nas últimas décadas - em particular o avanço no entendimento molecular e genético da doença - ainda é o câncer que mais mata mulheres.

Há vários tipos de câncer de mama com diferentes graus de agressividade, alguns são de crescimento lento, outros de crescimento mais rápido, mas em qualquer caso quando mais cedo for feito o diagnóstico e começado o tratamento maior é a chance de cura e menos severo o tratamento.

No Brasil
Também no Brasil o câncer de mama é o que mais acomete as mulheres (excluindo-se os cânceres de pele). Segundo o INCA Instituto Nacional de Câncer, são estimados 59.700 novos casos da doença no país para 2019. É uma doença que pode ocorrer em todas as etapas da vida, mas a mediana no momento do diagnóstico no Brasil é de 56 anos de idade.

Em 2016 foram registrados 16.069 óbitos por câncer de mama em mulheres brasileiras. A mediana da idade desses óbitos pela doença no país é 61 anos de idade. A taxa bruta nacional é de 15,4 óbitos por 100.000 mulheres. Embora essa taxa de mortalidade venha aumentando ligeiramente no país ao longo das últimas décadas, talvez pelo envelhecimento médio da população, em algumas grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro essa taxa vem apresentando ligeira queda, provavelmente pela melhora nos serviços de detecção precoce e tratamento nos grande centros urbanos.

Prevenção
O câncer é uma doença de etiologia complexa e pode ser causada na maioria das vezes por uma interação de fatores pessoais, ambientais e comportamentais. Sobre alguns desses fatores que se sabe terem correlação com o risco da doença não temos controle, como por exemplo a herança genética que recebemos de nossos pais e nossa idade.

Já sobre alguns fatores comportamentais que podem contribuir para o aumento do risco de vir a desenvolver o câncer de mama podemos ter controle. As principais recomendações a esse respeito são:

- Manter um peso corporal saudável
- Ser fisicamente ativa
- Evitar bebidas alcoólicas
- Não fumar
- Amamentar até o 6º mês de forma exclusiva e, se possível, até os 2 anos de idade do(s) filho(s).

Diagnóstico precoce
Para tentar descobrir a doença o mais cedo possível o Ministério da Saúde recomenda para todas as mulheres: a) mamografias (raio-x das mamas) a cada dois anos entre o 50 e 69 anos de idade e b) atenção a possíveis alterações nas mamas:

- Caroço (nódulo), geralmente endurecido, fixo e indolor
- Pele avermelhada ou parecida com casca de laranja
- Alterações no bico do peito (mamilo)
- Saída espontânea de líquido de um dos mamilos
- Também podem aparecer pequenos nódulos no pescoço ou axilas
É importante lembrar que esses sintomas podem ser provocados por outras condições e doenças que não o câncer, mas eles sempre devem ser conferidos por um médico.

Já para as mulheres que tenham parente de primeiro grau (mãe, irmã ou filha) que teve ou tem câncer de mama, o risco estatístico de vir a ter a doença é dobrado e se houver duas parentes de primeiro grau que tiveram ou tenham a doença este risco triplica. Nestes casos é interessante conversar com um médico para verificar se necessária a realização de mamografias em idades e periodicidades diferentes das recomendadas pelo Ministério da Saúde e/ou se convenientes outros exames, como por exemplo mapeamentos genéticos.

O GPOI comenta
Ninguém gosta de receber o diagnóstico de uma doença grave, muito menos de um câncer, então muitas vezes as pessoas evitam ir ao médico ou realizar exames preventivos. No entanto, detectar e começar o tratamento o mais cedo possível é melhor estratégia para aumentar as chances de cura do câncer de mama. Fique atenta às suas mamas, procure um médico no caso de qualquer alteração suspeita e também realize pelo menos as mamografias preventivas recomendados pelo Ministério da Saúde.

Fontes: [1]Susan G. Komen Foundation - Home page [2] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Breast Cancer [3] INCA - Instituto Nacional de Câncer - A Situação do Câncer de Mama no Brasil [4] INCA - Instituto Nacional de Câncer - Câncer de Mama - Como se proteger [5] INCA - Instituto Nacional de Câncer - Confira as recomendações do Ministério da Saúde para o rastreamento do câncer de mama [5] INCA - Instituto Nacional de Câncer - Cada corpo tem uma história

©2019 GPOI. Proibida a reprodução parcial ou total sem aprovação por escrito.

Setembro 2019

Suicídio. É possível prevenir.

Mulher tapando o rosto com as mãos

Durante este mês se realiza no Brasil o Setembro Amarelo - conjunto de ações visando a prevenção do suicídio.

O tamanho do problema
Uma pessoa morre por suicídio no mundo a cada 40 segundos. No Brasil, uma a cada 46 minutos. Em 2016 foram notificadas 11.433 mortes por essa causa no país. A Organização Mundial da Saúde estima que, para cada pessoa que morre por suicídio, até outras vinte tentem sem sucesso, podendo carregar diferentes sequelas pelo resto da vida.

O suicídio
Todo suicídio é uma tragédia. Pela pessoa que se vai, como também pelo grande sofrimento e culpa que pode trazer aos que a cercam. Os motivos exatos que levam uma pessoa ao ato extremo de atentar contra a própria vida são complexos e às vezes não completamente entendidos. De maneira geral, os especialistas apontam para uma multi-causalidade, que nenhum fator isolado provoque o ato suicida, mas sim a interação entre fatores biológicos, psicológicos, sociais, ambientais e culturais.

Às vezes é difícil ao entorno do potencial suicida perceber que ele tem pensamentos nessa direção ou já planeja o próprio fim. Porém, em outros casos, os suicidas em potencial podem manifestar sinais de alerta que permitam à própria pessoa, ou amigos e familiares, perceberem que seria necessária uma intervenção. Em alguns desses casos pode ser possível prevenir que o suicídio aconteça.

O Setembro Amarelo
O Setembro Amarelo é uma iniciativa de comunicação para levar ao engajamento a sociedade civil e os governos visando a diminuição do número de suicídios. No Brasil é apoiada pelo Ministério da Saúde, ABP - Associação Brasileira de Psiquiatria e o CVV - Centro de Valorização da Vida, uma associação civil sem fins lucrativos, filantrópica, reconhecida como de Utilidade Pública Federal, desde 1973.

Os sinais
Não há uma fórmula única ou fácil para se identificar uma pessoa com tendências suicidas, ou que esteja passando por um crise crise que possa levá-la ao ato, mas existem fatores cuja existência, aparecimento ou agravamento, ou mais ainda sua interação, sugerem a necessidade da busca de ajuda profissional.

Fatores relacionados ao comportamento:
- Demonstração de preocupação ou interesse na própria morte ou ainda falta de esperança, em conversas, textos ou desenhos
- Expressão de ideias ou intenções suicidas como forma de tentar acabar com o sofrimento, por exemplo "Vou desaparecer.” “Vou deixar vocês em paz.” “Eu queria poder dormir e nunca mais acordar.” “É inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar.”
- Isolamento: evitar interações sociais pessoais, por telefone ou internet.
- Diminuição do auto-cuidado: diminuição dos cuidados com higiene pessoal, dieta e vestimenta.
- Diminuição ou fim de atividades de lazer, hobbies e passatempos que a pessoa sempre gostou
- Choro frequente

Fatores sociais/pessoais:
- DIficuldades econômicas e perda de emprego
- Conflitos familiares, separações, divórcios (da própria pessoa ou dos pais)
- Perda de um ente querido
- Sofrimento continuado no trabalho ou na escola
- Doenças dolorosas, crônicas, incapacitantes ou incuráveis

Fatores históricos:
- Diagnóstico anterior de depressão ou ansiedade
- Histórico de depressão ou ansiedade na família
- Histórico de tentativa de suicídio anterior

Câncer e suicídio
Os pacientes de câncer têm um risco de 2 a 3 vezes maior que a população em geral de tentar o suicídio. É comum a pessoa se sentir presa, sobrecarregada, sem esperança, sem valor ou culpada ao enfrentar uma doença grave e um tratamento que pode ser severo. Isso pode levar a pensamentos suicidas.

Além disso alguns efeitos colaterais do tratamento do câncer, quando não devidamente controlados, como dor, insônia, fadiga e náusea podem causar depressão - uma condição mental que pode levar ao suicídio. Também alguma medicações usadas no tratamento do câncer, como esteróides, podem provocar ou agravar a depressão. Soma-se a isso que os pacientes de alguns tipos de câncer têm risco estatístico ainda maior de vir a desenvolver depressão: câncer do pulmão, próstata e pâncreas.

O que fazer
Primeiro, se o leitor deste artigo consegue se perceber nas condições de risco descritas neste artigo, saiba que tem o direito de: Ser respeitado e levado a sério; Ter o seu sofrimento levado em consideração; Falar em privacidade com as pessoas sobre você mesmo e sua situação; Ser escutado e Ser encorajado a se recuperar. E que pode e deve procurar ajuda.

Esta ajuda pode ser encontrada pública e gratuitamente nos CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde). UPA 24H, SAMU 192, Pronto Socorro; Hospitais e no Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita).

O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, email, chat e voip 24 horas todos os dias. A ligação para o CVV em parceria com o SUS, por meio do número 188, são gratuitas a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular.

Se você é familiar ou amigo de uma pessoa onde percebeu os fatores de risco descritos neste artigo, as recomendações do Ministério da Saúde a este respeito são:
- Encontre um momento apropriado e um lugar calmo para falar sobre suicídio com essa pessoa. Deixe-a saber que você está lá para ouvir, ouça-a com a mente aberta e ofereça seu apoio.
- Incentive a pessoa a procurar ajuda de profissionais de serviços de saúde, de saúde mental, de emergência ou apoio em algum serviço público. Ofereça-se para acompanhá-la a um atendimento.
- Se você acha que essa pessoa está em perigo imediato, não a deixe sozinha. Procure ajuda de profissionais de serviços de saúde, de emergência e entre em contato com alguém de confiança, indicado pela própria pessoa Se a pessoa com quem você está preocupado(a) vive com você, assegure-se de que ele(a) não tenha acesso a meios para provocar a própria morte (por exemplo, pesticidas, armas de fogo ou medicamentos) em casa.
- Fique em contato para acompanhar como a pessoa está passando e o que está fazendo.

Saiba que muitos suicidas em potencial tem uma posição ambivalente sobre o ato - não estão completamente certos que querem realizá-lo - e que uma intervenção cuidadosa e respeitosa pode impedir um mal maior.

O GPOI comenta
O suicídio é um problema sério que atinge não somente indivíduos como suas famílias, seus amigos e suas comunidades. O GPOI apoia o Setembro Amarelo e outras iniciativas da sociedade civil e dos governos na minimização deste sofrimento.

Fontes: [1]WHO World Health Organization / OMS Organização Mundial da Saúde - Live Life: Preventing Suicide [2] Ministério da Saúde - Prevenção do suicídio: sinais para saber e agir [3] Ministério da Saúde - Novos dados reforçam a importância da prevenção do suicídio [4] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Cancer.net - Cancer, Depression, and Suicide Risk: Signs to Watch For [5] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Cancer.net - Depression [6] CVV - Centro de Valorização da Vida

©2019 GPOI. Proibida a reprodução parcial ou total sem aprovação por escrito.

Agosto 2019

Quase um quinto dos brasileiros estão obesos, aponta pesquisa

bALANÇA E FITA MÉTRICA

Pesquisa nacional aponta que mais da metade (55,7%) dos brasileiros pesquisados está acima do peso ideal e quase um quinto (19,8%) obesos.

A Vigitel
A Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) é uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde visando monitorar frequência e distribuição de fatores de risco e proteção para doenças crônicas na população brasileira.

Esses indicadores, como por exemplo percentual de fumantes, obesos, sedentários, hipertensos e diabéticos, permite estimar a possível incidência de doenças crônicas associadas a estas condições e planejar medidas de saúde pública preventivas e corretivas.

A pesquisa é feita através de ligações telefônicas para uma amostra estatisticamente planejada da população, distribuída pelas 26 capitais dos estados do Brasil mais o Distrito Federal e é realizada desde 2006. Em sua última edição, realizada em 2018 mas que teve seus resultados divulgados agora no final de julho de 2019, foram entrevistadas 52 mil pessoas.

Os resultados sobre o peso
Entre os diversos resultados da Vigitel, no que tange ao peso o percentual de pessoas encontrado com sobrepeso foi de mais da metade da população (55,7%) e de pessoas obesas foi de quase um quinto (19,8%). Para se considerar uma pessoa com sobrepeso ou obesa foram usados os critérios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde - OMS: pessoas com Índice de Massa Corporal (IMC) entre 18,5 e 24,9kg/m2 são consideradas de peso corporal adequado. Abaixo dessa faixa de valores a pessoa está abaixo do peso e acima está com sobrepeso. Acima de 30 kg/m2 a pessoa é considerada obesa.

O IMC é calculado dividindo-se o peso da pessoa em quilos pela altura em metros elevada ao quadrado (altura vezes a altura) Por exemplo uma pessoa de 70 quilos e 1,70m de altura tem um IMC de 70/(1,7*17) = 70/2,89 = 24,2 kg/m2, está portanto dentro da faixa de peso adequado (entre 18,5 e 24,9). A mesma pessoa de 1,70m se pesasse 80 kg estaria na faixa de sobrepeso porque 80/(1,7*1,7) = 27,7. E se pesasse 90kg estaria obesa, porque 90/(1,7*1,7) = 31,1.

Embora possa haver variações da relação entre peso e altura por vários fatores como biótipo, sexo e atividade física, por exemplo pessoas mais musculosas são mais pesadas sem necessariamente serem mais gordas, o IMC é considerado internacionalmente uma boa aproximação da adequação de peso das pessoas, para uso em programas amplos de saúde pública onde estudos mais detalhados de variáveis sejam difíceis ou impossíveis.

Obesidade e doença
O excesso de peso está associado com o aumento do risco da pessoa vir a ter uma série de doenças, como por exemplo o infarto do miocárdio (em linguagem popular “ataque cardíaco”) e acidente vascular cerebral / AVC (em linguagem popular “derrame”).

No infarto do miocárdio, uma parte do coração da pessoa morre (uma região do músculo cardíaco), porque a veia ou veias que alimentavam de sangue aquela parte do coração são obstruídas. Dependendo do tamanho e da região do coração afetada pela lesão a pessoa pode ter sequelas leves, graves ou até vir a morrer.

Já no AVC uma parte do cérebro da pessoa morre (uma região de células cerebrais), porque veias ou vasos sanguíneos que alimentavam de sangue aquela região do cérebro se entopem ou se rompem. Como no caso do infarto, dependendo do tamanho e localização da região afetada pela lesão, as sequelas podem ser leves, graves ou levar o paciente à morte.

Ambas as doenças podem ter sua origem na interação de diversas causas pessoais e ambientais, como por exemplo idade, composição genética, sedentarismo e tabagismo (vício no cigarro) entre outras, porém está firmemente estabelecido o vínculo entre obesidade e o aumento do risco da pessoa vir a sofrer um infarto ou AVC.

Obesidade e câncer
Se não bastassem os riscos de infarto, AVC e outras doenças, a obesidade e o excesso de peso aumentam o risco estatístico da pessoa vir a desenvolver alguns tipos de câncer, entre eles: o de esofâgo, estomâgo, pâncreas, vesícula biliar, fígado, intestino, rins, mama (em mulheres pós menopausa), ovário, endométrio, meninges e tireóide.

As relações entre o peso aumentado e o câncer são complexas mas os mecanismos mais estudados a respeito são: a) as pessoas obesas geralmente tem níveis mais altos de insulina e de IGF-1 (Insulin-like growth factor-1 / Fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1) substâncias que podem promover o crescimento de certos tumores;
b) Pessoas obesas frequentemente tem inflamação crônica leve que está associada a certo tipos de oncogênese ;
c) Tecido gorduroso produz maiores quantidades de estrogênio, que pode acelerar alguns tipos de câncer sensíveis a este hormônio, como alguns cânceres de mama e do endométrio; e
d) Células de gordura (células adiposas / adipócitos) podem afetar os reguladores de crescimento de alguns tumores.

O GPOI comenta
Se você ou um ente querido for um dos muitos milhões de brasileiros acima do peso, considere uma consulta com um médico ou nutricionista para buscar caminhos para chegar ao peso adequado. Você pode estar diminuindo o risco de uma série de doenças enquanto ainda é tempo.

Fontes: [1] Ministério da Saúde do Brasil - VIGITEL Brasil 2018 [2] INCA - Instituto Nacional do Câncer - Peso Corporal [3] INCA - Instituto Nacional do Câncer - Mitos e Verdade: Alimentação [4] Ministério da Saúde do Brasil - Ataque Cardíaco (infarto) [5] Ministério da Saúde do Brasil - AVC: o que é, causas, sintomas, tratamentos, diagnóstico e prevenção [6] ASCO - American Society of Clinical Oncology - cancer.net - Obesity’s Link to Cancer

©2019 GPOI. Proibida a reprodução parcial ou total sem aprovação por escrito.

Julho 2019

JULHO VERDE - Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço

Mulher com os dedos no pescoço

27 de julho é o Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço.

A doença
Um tumor é o crescimento de uma massa de células doentes em alguma parte do corpo. Quando este crescimento é de um tipo que fica localizado onde começou, o chamamos de tumor benigno, quando é de um tipo que pode crescer e invadir áreas e tecidos adjacentes e também se espalhar pelo organismo da pessoa, bem como começar outros tumores em outras partes do corpo, o chamamos de tumor maligno, um câncer.

“Câncer de Cabeça e Pescoço” é o termo genericamente usado para descrever um grande número de diferentes tumores malignos que podem se desenvolver dentro ou próximos da garganta, laringe (o “tubo” que leva o ar da boca ao pulmão), nariz, seios paranasais (os “sinus” do nariz), boca e tireoide. A maioria destes cânceres começa nos tecidos de revestimento interno dessas partes do corpo - as mucosas - ou nas glândulas - salivares ou tiróide -, mas pode se desenvolver invadindo áreas mais profundas ou adjacentes.

Embora a região da cabeça de uma pessoa possa ter outros tipos de câncer, como por exemplo câncer no cérebro ou câncer no olho, o termo geral “Câncer de Cabeça e Pescoço” é mais usado para os cânceres que descrevemos no parágrafo anterior e é neste sentido que é empregado na campanha do Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço.

Além do dia específico, algumas organizações promovem um “Julho Verde” - um conjunto de ações de divulgação e educação ao longo de todo o mês de julho, em moldes similares aos que o “Outubro Rosa” faz em relação ao câncer no seio. O Julho Verde é uma campanha que conta com o apoio da Organização Mundial da Saúde e da União Internacional para o Controle do Câncer. O INCA - Instituto Nacional de Câncer - celebra o Julho Verde desde 2016.

Os fatores de risco
O câncer é uma doença complexa, cujas origens podem envolver uma combinação de fatores pessoais, comportamentais e ambientais. Não temos controle sobre alguns desses fatores que estatisticamente aumentam a chance da doença, como por exemplo nossa genética e nossa idade. Porém, sobre alguns fatores comportamentais que aumentam o risco de se vir a ter um câncer, podemos sim tomar medidas preventivas.

No caso particular dos “Cânceres de Cabeça e Pescoço” os principais fatores comportamentais que aumentam o risco são o tabagismo (fumar), o etilismo (consumo de bebidas alcoólicas), má higiene bucal, desnutrição e infecção por alguns vírus da família HPV, um vírus transmitido por contato direto entre pele ou mucosas de pessoas. Em particular a combinação de beber e fumar é especialmente perigosa, porque soma dois fatores de risco.

Nos últimos anos vem ocorrendo um aumento dos casos de Câncer de Cabeça e Pescoço relacionados ao HPV, tanto em homens quanto em mulheres. Estima-se que mudanças relacionadas ao comportamento sexual venham contribuindo para este problema, como aumento do número de parceiros e prática do sexo oral.

Prevenção
Os principais cuidados preventivos são evitar os comportamentos de risco: fumar, beber, praticar sexo com múltiplos parceiros ou com pessoas que tenham histórico de múltiplos parceiros. Nesse sentido é importante lembrar que o preservativo (camisinha) é uma proteção apenas parcial quanto ao HPV, porque este vírus pode contaminar as mucosas e pele no entorno da região coberta pelo preservativo. O HPV pode ser transmitido de uma pessoa para outra mesmo com o uso do preservativo - camisinha.

Também é importante lembrar que estão disponíveis no Brasil vacinas contra 4 dos tipos mais comuns do vírus HPV e que o Ministério da Saúde oferece gratuitamente a vacinação para todas as meninas entre 9 e 14 anos de idade, meninos entre 11 e 14, bem como para pessoas que vivem com HIV (o vírus da AIDS) e transplantados, até os 26 anos de idade.

No entanto, infelizmente, além dos tipos de HPV cobertos pelas vacinas existem pelo menos mais 10 outros tipos do vírus HPV para os quais a vacina não protege, que são considerados de alto risco para o desenvolvimento de câncer. Embora o uso da camisinha em todas as relações sexuais e a vacinação de todos as crianças e jovens sejam fundamentais e necessárias, porque protegem contra várias doenças sexualmente transmissíveis e contra os tipos mais comuns de HPV, no que tange o risco de câncer nada substitui um comportamento sexual responsável.

O GPOI comenta
Todos os cânceres têm um prognóstico melhor e um tratamento mais fácil quanto mais cedo descobertos e tratados. Os Cânceres de Cabeça e Pescoço não são exceção. Por isso é importante procurar um exame médico quando se perceber algum caroço, calombo, irritação, feridinha ou trecho de pele ou mucosa de aparência estranha em relação ao seu entorno, na boca, garganta, língua, nariz ou pescoço, em particular se não desaparecer por conta própria em uma ou duas semanas, no máximo.

Além disso, quando a pessoa vai ao dentista, em qualquer visita, pode solicitar ao dentista que faça uma inspeção da sua boca e garganta procurando alterações suspeitas para o câncer, caso o dentista já não o faça espontaneamente e habitualmente.

Essas possíveis alterações, se encontradas pela própria pessoa ou pelo dentista, podem ser causadas por muitas condições de saúde não relacionadas com o câncer. Assim não é caso para se aterrorizar, se acontecer. Mas também não é caso para descuido. Com relação ao câncer, em caso de suspeita a melhor estratégia sempre é verificar com um médico, para poder começar logo o tratamento se necessário, ou se tranquilizar a respeito se não necessário.

Fontes: [1] INCA - Instituto Nacional de Câncer - INCA celebra o Julho Verde [2] SBCCP - Sociedade Brasileira de CIrurgia de Cabeça e Pescoço - Sociedade lança Julho Verde, pela prevenção e conscientização do câncer de cabeça e pescoço - [3] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Head and Neck Cancer [4] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Head and Neck Cancer: Risk Factors and Prevention [5] ASCO - American Society of Clinical Oncology - HPV and Cancer [6] Ministério da Saúde do Brasil - HPV: o que é, causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção

©2019 GPOI. Proibida a reprodução parcial ou total sem aprovação por escrito.

Junho 2019

Cigarro Eletrônico

5 diferentes prato contedo alimentos

Tem crescido o consumo de cigarros eletrônicos, principalmente entre os adolescentes e jovens adultos.

O que são os cigarros eletrônicos
Cigarros eletrônicos, às vezes chamados de vapes (ou vaps), são equipamentos eletrônicos portáteis que produzem um aerossol fino - uma névoa, um vapor de micro-gotículas de líquido - que é aspirado pelo usuário. Surgiram como uma opção ao cigarro convencional, como um substituto supostamente mais saudável e socialmente mais aceitável do fumante tomar suas doses de nicotina, sem necessitar nem da chama nem da fumaça da queima do tabaco e do papel. Além disso, algumas pessoas encaravam o cigarro eletrônico como um passo intermediário no caminho da parada total do vício de fumar.

Essa gênese levou os primeiros modelos procurarem lembrar o formato de um cigarro convencional, o que caiu em desuso. Hoje os cigarros eletrônicos mais comuns tem a forma de pequenos equipamentos eletrônicos similares a pen-drives ou pequenas caixas, ou ainda tubos que lembram uma caneta grossa. Basicamente são compostos de 4 partes: um recipiente para o líquido que é vaporizado,  alguns componentes eletro-mecânicos que transformam o líquido em aerossol, uma bateria (que pode ser descartável ou recarregável) para alimentar os componentes e uma ponteira ou bocal para o contato com a boca.

O líquido que é vaporizado e aspirado pode variar grandemente de composição, mas a formulação mais comum é uma base de propilenoglicol - um tipo de álcool mais viscoso que o etanol (o álcool comum) e/ou glicerina, base à qual são acrescidos nicotina para causar os efeitos psíquicos e aromatizantes ou flavorizantes, para dar gosto e cheiro. Também existem no mercado formulações sem nicotina e/ou contendo outros aditivos. As formulações sem nicotina apostam no hábito da inalação da fumaça ao invés dos efeitos psicoativos dessa droga.

Sucesso entre os jovens 
O cigarro eletrônico vem crescendo no mundo. Dados publicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS / WHO World Health Organization) indicam que a indústria de vaporizadores eletrônicos de nicotina faturou mundialmente cerca de US$ 3 bilhões em 2013 com uma projeção de crescimento de 17 vezes até 2030. Acredita-se que a indústria do tabaco esteja encontrando nos cigarros eletrônicos um caminho de crescimento da produção, especialmente para contrabalançar as quedas em suas vendas provocadas pelos esforços anti-cigarro dos governos e das agências de saúde de várias partes do mundo, que tem criado campanhas de comunicação e leis restritivas ao cigarro convencional.

Parte desse sucesso do cigarro eletrônico vem do foco recente da indústria nos jovens, com campanhas de propaganda na Internet trazendo uma mensagem de modernidade e inofensividade. Além disso vários influenciadores digitais - como Youtubers e blogueiros, bem como ídolos de música são vistos com frequência usando o equipamento. Aparentemente, para a geração que cresceu conectada na Internet e portando um equipamento eletrônico nas mãos o tempo inteiro (o celular), é mais natural usar o cigarro eletrônico do que papel, fogo, fumaça, que tem uma imagem mais antiga, associada a outras gerações.

Proibição no Brasil
A comercialização do cigarro eletrônico, acessórios e refis é proibida no Brasil desde 2009, pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Também são proibidas sua importação, propaganda, publicidade e promoção. Em 2017 a AMB - Associação Médica Brasileira - divulgou documento apoiando essa proibição da Anvisa e alertando para os riscos do produto, especialmente como um iniciador do vício na nicotina nos adolescentes e jovens adultos.

Porém, apesar da proibição formal e do apoio da comunidade médica, qualquer pesquisa sobre o assunto feita hoje na Internet retorna dezenas de vendedores de diferentes modelos e marcas do produto no Brasil, com envio pelo correio e até entrega rápida por motoboy

Os riscos
Os riscos de longo prazo do uso de cigarros eletrônicos ainda não são conhecidos, porque o uso em larga escala do cigarro eletrônico é relativamente novo. Ainda é difícil se estabelecer, estatisticamente ou laboratorialmente, de forma conclusiva os possíveis danos do seu uso por vários anos, ou problemas que só vão se manifestar quando seus usuários chegarem na maturidade ou na terceira idade. 

No entanto é possível sim já estabelecer riscos de curto e médio prazo bem como indicadores de possíveis problemas de longo prazo:

Estabelecimento do vício na nicotina - O cigarro eletrônico é uma óbvia porta de entrada dos jovens no vício da nicotina, que uma vez adquirido é muito difícil de abandonar (como podem atestar todos os fumantes que tentaram parar). Por ser menos irritante das mucosas da boca e garganta que a fumaça da queima do cigarro comum, a inalação da névoa de nicotina do cigarro eletrônico pode tornar mais fácil e confortável o início do uso dessa droga.

Nicotina como “estimulador de tumores” - Embora a nicotina propriamente dita não seja considerada um carcinogênico - ou seja há relativamente pouco risco de ela iniciar diretamente o câncer, alguns estudos apontam seu papel como “estimulador de tumores”: uma vez o câncer começado a nicotina pode acelerar o seu curso. Segundo a OMS - Organização Mundial da Saúde: “ A nicotina altera processos biológicos essenciais como a regulação da proliferação celular, apoptose (morte programada das células), migração, invasão, angiogênese (criação de vasos sanguíneos novos), inflamação e imunidade mediada por células em uma ampla variedade de células, incluindo células embrionárias, células-tronco adultas, tecidos adultos, bem como células cancerosas dos tumores”.

Overdose de nicotina - A quantidade de nicotina contida em uma tragada em um cigarro eletrônico varia grandemente dependendo do líquido usado, da regulagem do aparelho e da duração da tragada. Estudos realizados em diversos amostras de diferentes marcas e tipos do líquido usado em cigarros eletrônicos encontraram uma variação da concentração de nicotina de 0 (zero) até 36 mg/ml. A alta concentração de algumas formulações  e/ou o consumo exagerado do produto pode levar a um quadro de intoxicação.

Efeitos negativos em grávidas, crianças  e adolescentes em idade de crescimento - Estudos indicam que  a exposição à nicotina pode prejudicar a formação cerebral de longo prazo de cérebros humanos ainda em formação ou crescimento.

Danos aos fumantes eletrônicos de segunda mão - As pessoas próximas ou nos mesmos ambientes que fumantes de cigarro eletrônico correm os mesmos riscos de saúde que esses, embora em menor escala, devido à exposição a uma menor concentração do vapor.

Possíveis outras substâncias perigosas - Devido à pequena e, em alguns casos, nenhuma regulamentação governamental sobre as substâncias constituintes dos líquidos usados nos cigarros eletrônicos, há grande variação e pouco controle da sua composição. Estudos feitos pelo FDA (Federal Drug Administration, o órgão regulador desse assunto no governo americano) encontraram em alguns desses líquidos substâncias cancerígenas como formaldeídos e acroleína, em concentrações similares às dos cigarros convencionais.

O GPOI comenta
Embora os possíveis danos e riscos de longo prazo dos cigarros eletrônicos ainda estejam sendo estudados, as evidências dos danos e riscos de curto e médio prazo já são são suficientes para que se evite seu uso, bem como ser necessária a tentativa de se coibir o começo do seu uso pelos adolescentes e jovens adultos.

Fontes: [1] OMS Organização Mundial da Saúde / WHO World Health Organization - Electronic nicotine delivery systems [2] Ministério da Saúde do Brasil - INCA Instituto Nacional do Câncer - Cigarros Eletrônicos, o que sabemos ? [3] Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Posição da AMB Associação Médica Brasileira quanto aos dispositivos eletrônicos para entrega de Nicotina [4] Folha de São Paulo - Cigarro da moda nos EUA, Juul é vendido ilegalmente via delivery no Brasil [5] Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa proíbe comércio e importação de cigarro eletrônico

©2019 GPOI. Proibida a reprodução parcial ou total sem aprovação por escrito.

Maio 2019

Intoxicações alimentares e o paciente de câncer

5 diferentes prato contedo alimentos

Alguns tratamentos do câncer reduzem a resistência a infecções e podem demandar cuidados extras com a alimentação do paciente.

Redução da imunidade no tratamento do câncer
Alguns tratamentos do câncer podem afetar negativamente o sistema imunológico do paciente, diminuir sua capacidade de resistir às infecções ou intoxicações - os ataques ao organismo por bactérias, fungos e vírus.

Isso acontece porque algumas quimioterapias e radioterapias atacam o câncer restringindo a capacidade das células cancerosas se multiplicarem rapidamente mas, como efeito colateral indesejado, também restringem a capacidade do organismo multiplicar rapidamente as suas defesas a agentes patogênicos.

Nesses casos de tratamentos que reduzem a resposta imunológica podem ser necessários cuidados extras com o risco de contaminações trazidas pela comida. Por exemplo, algumas contaminações leves de alimentos que numa pessoa saudável seriam enfrentadas pelo sistema imunológico com facilidade - com poucos ou nenhum sintoma aparente - podem causar severos problemas nesses pacientes imunodeprimidos, como cólicas, diarréia, vômitos e febre, que podem até evoluir para outros quadros mais graves.

O que provoca as intoxicações alimentares
As intoxicações alimentares são provocadas principalmente por bactérias na comida (alguns outros agentes como fungos, vírus e parasitas também podem trazer problemas de saúde, mas a maioria das intoxicações alimentares é provocada por bactérias).

A lavagem e cocção adequada dos alimentos pode remover grande parte das bactérias, mas elas podem voltar a crescer na comida depois de cozida. Já a refrigeração ou congelamento para armazenamento reduz a velocidade de multiplicação das bactérias mas não a impede nem mata as pré-existentes.

Também é importante frisar que um alimento pode estar contaminado com bactérias sem ter a aparência de estar deteriorado - estragado ou passado - porque as bactérias são microscópicas - invisíveis a olho nu - e podem causar problemas a quem come muito antes de provocarem danos à aparência ou cheiro de um alimento.

Como se pode evitar intoxicações por alimentos
Os principais cuidados para diminuir os riscos de uma intoxicação alimentar no paciente de câncer imunodeprimido são relacionados ao manuseio, preparo e armazenagem da comida:

- Lavar as mãos com água e sabão com frequência (nas pessoas que manuseiam ou preparam a comida e também as de quem vai comer);
- Só usar água tratada para lavar e cozinhar;
- Lavar cuidadosamente frutas e verduras e usar produtos próprios para sua higienização (geralmente baseados em cloro);
- Manter carne, peixe e frango cru, bem como seus fluidos longe de outras comidas;
- Lavar e/ou desinfetar cuidadosamente com produtos baseados em cloro ou álcool superfícies e utensílios que tenham entrado em contato com carne, frango ou peixe crus ou seus fluidos;
- Descongelar apropriadamente comida - recomenda-se descongelar no microondas ou em água fria trocada repetidas vezes e cozinhar assim que descongelar (não dar muito tempo à comida em temperatura ambiente para as bactérias voltarem a crescer);
- Cozinhar os alimentos até as temperaturas internas apropriadas. Embora haja variações de alimento para alimento de maneira geral se recomenda que todo o interior do alimento atinja pelo menos 75 graus C por pelo menos 3 minutos. Para que isso aconteça a temperatura externa do alimento pode ter que ser muito maior. Para segurança recomenda-se o uso de um termômetro culinário que alcance o interior do alimento, não confiar apenas na aparência;
- Respeitar os tempos de armazenamento e datas de validade de comidas, inclusive as refrigeradas ou congeladas;
- Consumir comidas depois de abrir a embalagem e guardá-las no refrigerador no máximo em 2 dias, lembrando que depois de aberta a embalagem a data de validade não é mais a que está escrita na embalagem.

Comer fora de casa ou pedir entrega de comida
Além desses cuidados com a comida em casa, ao comer fora de casa o paciente deve evitar buffets, serviços “self-service” e restaurantes por quilo onde a própria comida e os utensílios de sua manipulação (colheres, pinças e pegadores) ficam muito tempo expostos e em contato com muitas pessoas.

E em alguns casos de imunodepressão mais grave - de acordo com a orientação do médico - pode ser seguro o paciente evitar completamente comer fora em qualquer restaurante ou pedir entrega de comida, devido a não se ter controle de como essa comida foi preparada e armazenada.

Alimentos que devem ser evitados
Além dos cuidados com a preparação e armazenamento da comida alguns alimentos devem ser evitados devido ao seu alto risco de contaminação:

- Sushi, sashimi ou qualquer alimento contendo peixe cru;
- Carne crua ou mal passada, como steak tartar, quibe cru, rosbife, hamburguers ou bifes rosados ou vermelhos;
- Frutos do mar crus ou mal passados, como ostras;
- Ovos crus, mal cozidos ou pouco fritos com a gema e/ou a clara mole ;
- Comidas feitas com ovos crus não pasteurizados, como maioneses caseiras e molhos ;
- Leite não pasteurizado e queijos feitos com leites não pasteurizados;
- Queijos não pasteurizados (como alguns queijos frescos, Brie, Camembert, Feta, etc.);
- Sucos de frutas não pasteurizados;
- Patês refrigerados
- Sanduíches e saladas com ovos frios ou carnes frias (pré-cozidos) como presunto, frango, peixe ou frutos do mar;
- Peixe defumado
- Comidas curadas ou preservadas apenas por salgamento como salames e alguns tipos de presuntos
- Frutas e verduras frescas fora de casa.

O GPOI comenta
Cada caso é um caso e cada paciente pode precisar de cuidados mais ou menos rigorosos quanto à alimentação, devido ao tipo de tratamento e o grau de de imunodepressão que pode experimentar em diferentes fases.

É importante conversar com o médico que está cuidando do paciente para que ele oriente quais restrições ou cuidados são aplicáveis em cada caso específico bem como por quanto tempo antes, durante e depois do tratamento, cuidados extras com a alimentação do paciente deveriam ser tomados.

Fontes: [1] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Food Safety & Cancer Treatment [2] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Food Safety During and After Cancer Treatment [3] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Foods to Avoid During Cancer Treatment [4] .S. Department of Health & Human Services - Foodsafety.org - Safe Minimum Cooking Temperatures

©2019 GPOI. Proibida a reprodução parcial ou total sem aprovação por escrito.

Abril 2019

6 Mitos sobre o câncer

Tela de computado com palavra mito sobreposta

As redes sociais e fontes não confiáveis da Internet podem divulgar mitos sobre o câncer nos quais você não pode acreditar.

MITO Açúcar acelera o câncer
Não, o consumo de açúcar não acelera o câncer em um paciente, nem cortar o açúcar da dieta vai diminuir o avanço da doença, não há estudos que comprovem nenhuma das duas coisas.

No entanto, o açúcar  é um alimento que precisa ser consumido com moderação, porque seu consumo exagerado está associado à ganho excessivo de peso e obesidade que, no longo prazo, podem aumentar a chance de se vir a desenvolver alguns tipos de câncer, bem como outras doenças, como diabetes e problemas cardíacos.

MITO Carne vermelha acelera o câncer
Não, o consumo de carne vermelha não acelera o câncer em um paciente, nem cortá-la da dieta diminui o avanço da doença. Na verdade a carne vermelha e outras proteínas de origem animal, como ovos, leite e queijo são importantes fontes de nutrientes para qualquer pessoa, em particular pessoas enfraquecidas por doenças ou em tratamento. Esses alimentos devem fazer parte de uma dieta balanceada com outros grupos alimentares, a não ser que haja alguma restrição específica estabelecida pelo médico, como alergias ou intolerâncias.

Se você tiver dúvidas de como compor uma dieta balanceada para você, em particular se você for paciente de câncer, solicite ajuda a seu médico, ele poderá indicar um nutricionista ou outro profissional de saúde especializado na montagem de uma dieta adequada a cada pessoa.

MITO Há alimentos que curam o câncer, como cogumelo do sol, noni, graviola e chá verde, dentre outros.
Não, nenhum alimento ou chá cura o câncer. Uma alimentação saudável, que ajude seu organismo a se fortalecer, composta dos diferentes grupos alimentares - carboidratos, proteínas animais e vegetais, laticínios, legumes, frutas e verduras - é importante para que o corpo possa combater a doença e suportar melhor o tratamento, mas não há alimento milagroso que se ingerido cure o câncer.

MITO Você não terá câncer se seus pais, avós ou irmãos não tiveram
Não, o fato de que seus parentes de primeiro grau não tiveram, ou não tem câncer, não é garantia nenhuma que você não terá a doença. A genética é apenas um dos fatores que podem contribuir ou não para o aumento do risco de se vir a ter câncer.

Independentemente de uma história familiar sem a doença é importante que todos mantenham hábitos de vida saudáveis - ter uma boa alimentação, praticar exercícios físicos, não fumar, moderar com a bebida alcoólica, proteger a pele do Sol e evitar a contaminação pelas doenças infecciosas que aumentam o risco da doença. como HPV e as hepatites.

Além disso é importante se informar em um hospital ou numa unidade de saúde sobre possíveis exames preventivos que você possa fazer para o diagnóstico precoce do câncer ou de detecção de condições ou doenças precursoras.

MITO As empresas farmacêuticas e/ou os governos estão escondendo a cura do câncer
Não, infelizmente não existe e provavelmente nunca vai existir uma única cura para o câncer, porque sob o nome câncer a ciência agrupa uma família de mais de uma centena de doenças, que se manifestam de formas muito diferentes e respondem de formas muito diferentes a vários tipos de tratamento.

No entanto, nas últimas décadas foram feitos grandes avanços na prevenção, diagnóstico precoce e tratamento dos tipos mais comuns da doença. Ao longo desse tempo também foram desenvolvidas maneiras melhores de se lidar com a náusea, dor e outros efeitos colaterais, permitindo às pessoas manterem sua qualidade de vida ao longo do tratamento.

Outros avanços que vale a pena destacar foram os avanços no combate à algumas causas de aumento de risco de se vir a ter doença, como por exemplo o número de fumantes no Brasil caiu de cerca de 20% dos homens e 15% das mulheres para 12% e 10% respectivamente, entre 2006 e 2016.

MITO O tratamento do câncer é pior que a doença
Não, a doença sempre pode causar efeitos muito mais devastadores, dolorosos, desfigurantes ou incapacitantes que o seu tratamento. Embora alguns tipos de tratamento do câncer, como quimioterapia e radioterapia, possam provocar efeitos colaterais desagradáveis e às vezes severos, tem havido avanços muito grandes nos métodos e remédios para controlar esses efeitos.

Algumas pessoas evitam exames preventivos do câncer por medo de receber a má notícia de um resultado positivo ou por medo do tratamento. Porém, descobrir a doença e se tratar sempre é a melhor estratégia. Adiar o tratamento, ou exames de detecção do câncer que possam conduzir ao seu tratamento, só dá chance para a doença crescer mais e/ou se espalhar.

Fontes: [1] INCA - Instituto Nacional de Câncer - Dietas restritivas e alimentos milagrosos durante o tratamento de câncer: fique fora dessa! [2] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Myths and Facts about Cancer [3] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Science Fact or Science Fiction? [4] INCA - Instituto Nacional de Câncer - Avanços no Programa Nacional de Controle do Tabagismo

©2019 GPOI. Proibida a reprodução parcial ou total sem aprovação por escrito.

Março 2019

Mês da Mulher

Rosto feminino contemplativo no mês da mulher

Em março, mês da mulher, vamos falar do câncer do colo do útero e as respectivas medidas de rastreamento e prevenção.

O câncer do colo do útero, também chamado de câncer cervical, é o terceiro tipo de tumor maligno mais frequente no Brasil e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no país. Estima-se que o Brasil terá 16.370 novos casos em 2019 e mais de 5.000 mortes pela doença. No entanto, é um tipo de câncer que pode ser combatido e prevenido, em muitos casos.

Células anormais que podem se tornar um câncer
O colo do útero é a porção final, mais baixa e estreita deste órgão feminino. Ele liga o útero à vagina e junto com esta forma o canal de nascimento dos bebês.

O câncer do colo do útero começa quando células anormais desta região começam a crescer de forma descontrolada, formando uma massa doente - um tumor. Um tumor pode ser benigno - só cresce localmente - ou maligno / canceroso - pode se espalhar para outras partes do corpo.

A ciência acredita que a maioria dos cânceres do colo do útero começa com células anormais, doentes, que se manifestam como pequenas lesões nessa região, ainda não cancerosas, que algumas vezes podem até desaparecer sem tratamento.

No entanto, como ao longo do tempo, essas células podem se tornar cancerosas, se recomenda sua remoção ou destruição nesta fase precursora ao câncer, para evitar o seu desenvolvimento no local. Na maioria das vezes esses procedimentos podem ser feitos sem danos significativos ao organismo da mulher ou à sua capacidade reprodutiva.

Fatores de risco e sua prevenção
Os principais fatores de risco evitáveis do câncer do colo do útero estão associados à infecções virais crônicas e ao vício do cigarro. Infecção pelo HPV, Herpes Genital e HIV (Aids) aumentam muito o risco de se vir a desenvolver o câncer.

Em particular o HPV parece estar ligado ao desenvolvimento da maioria das células anormais e lesões que podem ao longo do tempo tornar-se cânceres do colo do útero. O HPV é uma família de mais de 150 tipos de vírus, geralmente denominados por números, como por exemplo HPV-16 e HPV-18, os quais são responsáveis por verrugas e lesões na pele e em mucosas. Algumas dessas lesões geradas pelo HPV podem tornar-se cânceres.

O HPV se transmite através do contato da pele e/ou de mucosas entre pessoas, principalmente nas regiões vaginal, anal e na boca. Alguns estudos indicam que, além do câncer do colo do útero, o HPV também possa estar relacionado a cânceres no ânus, pênis, vagina, boca, língua, garganta, pescoço e cabeça. Esses últimos tipos de câncer tem aumentado recentemente, tanto em homens quanto em mulheres, possivelmente por mudanças no comportamento sexual, em particular o aumento na prática do sexo oral.

As melhores forma de prevenção do câncer do colo do útero portanto são evitar a contaminação por vírus oncogênicos (possíveis iniciadores de cânceres) e a realização periódica de exames para detecção de lesões precursoras e sua remoção. Para evitar essa contaminação recomenda-se:

1) Adiar o começo da vida sexual para depois da adolescência
2) Limitar o número de parceiros sexuais ao longo da vida
3) Evitar relações sexuais com pessoas que tiveram múltiplos parceiros
4) Evitar relações sexuais com pessoas obviamente infectadas com verrugas ou lesões visíveis nos genitais, ânus ou boca. No entanto, pessoas que não tenham lesões visíveis ou que tenham tido as lesões removidas podem ser transmissoras do vírus.
5) Usar camisinha (preservativo)em todas as relações sexuais
6) Vacinar as crianças contra o HPV o mais cedo possível, a partir dos 9 anos de idade.

Observação importante sobre os itens 5) e 6): A proteção da camisinha é apenas parcial quanto ao HPV, porque o vírus pode contaminar regiões circundantes à sua proteção, como a bolsa escrotal e a região externa da vagina. Já a vacina do HPV disponível no Brasil fornece proteção para apenas 4 dos tipos do HPV, quando existem 150 outros. Embora importantes e necessários, a camisinha e a vacina não substituem uma vida sexual responsável na prevenção do câncer.

O exame preventivo
O exame preventivo do câncer do colo do útero é chamado Papanicolau e tenta identificar lesões precursoras, células anormais ou o próprio câncer nos seus estágios iniciais. É um exame indolor, simples e rápido, no máximo pode causar um pequeno desconforto.

No exame, o médico introduz os instrumentos adequados na vagina da paciente, faz uma inspeção visual e retira pequena quantidade de material (raspas da superfície externa e interna do colo do útero) para serem examinadas ao microscópio em laboratório.

O exame pode determinar a presença tanto de células precursoras quanto de células já cancerosas e orientar o médico nos possíveis procedimentos a seguir. O Ministério da Saúde do Brasil recomenda o exame para todas as mulheres entre 25 e 64 anos de idade que têm ou tiveram vida sexual. Os dois primeiros exames anualmente e, se negativos, a cada três anos.

Essa recomendações de idade, intervalo e frequência de exames preventivos de Papanicolau é a mínima, que pode ser alterada a critério do médico, a cada caso particular de cada pessoa.

O GPOI comenta
Mulheres, protejam-se e previnam-se! Neste mês especial, fica aqui um grande abraço do GPOI para todas a mulheres do Brasil.

Fontes: [1] INCA - Instituto Nacional de Câncer - Câncer do colo do útero [2] ASCO - American Society of Clinical Oncology - Cervical Cancer [3] ASCO - American Society of Clinical Oncology - HPV and Cancer

©2019 GPOI. Proibida a reprodução parcial ou total sem aprovação por escrito.

Fevereiro 2019

Dia Mundial do Câncer

Logotipo do World Cancer Day 2019

Neste ano o tema é Eu Sou E Eu Vou, pregando a ação pessoal de cada indivíduo para um futuro mais saudável e brilhante para todos.

A UICC e o WCD
O Dia Mundial do Câncer é uma iniciativa da ONG mundial UICC - Union for International Cancer Control (União para o Controle Internacional do Câncer), que todos os anos concentra ações no dia 04 de fevereiro, com as quais procura aumentar a conscientização e a informação de governos e pessoas, em todo mundo, para que hajam contra a doença.

A UICC congrega uma série de organizações civis e governamentais e junto com elas procura formar políticas, linhas de ação e comunicação integradas, para prover sinergias e aumento da eficiência dos investimentos das organizações participantes. No Brasil, o INCA – Instituto Nacional de Câncer é membro da UICC.

A UICC tem uma abordagem multi-setorial, com a qual tenta engajar em sua luta o setor privado, agências da ONU, jovens líderes, governos e os meios de comunicação, tanto a grande mídia tradicional, quanto os novos comunicadores das redes sociais.

A principal meta de longo prazo declarada pela UICC é que, até 2035, o câncer seja uma consideração central em todos os planejamentos de saúde das nações e que um respectivo aumento do investimento em detecção precoce, tratamento e cuidados, resulte na diminuição da incidência e mortalidade do câncer, em particular nos países de rendas médias e baixas.

Em 2019
Esse ano o mote da campanha de comunicação do Dia Mundial de Câncer é Eu Sou E Eu Vou que remete às perguntas Quem é você? E O que você fará? A campanha propõe que todos façam uma reflexão sobre quem são, sua posição no mundo e o que podem fazer para criar um futuro onde o câncer seja um peso menor para a humanidade.

O conceito principal é que qualquer pessoa pode se envolver nessa luta, de uma forma ou outra, dedicando mais ou menos tempo. E sugere alternativas de participação para pessoas com diferentes disponibilidades, 1 segundo, 1 minuto, 5 minutos ou mais. Por exemplo a campanha sugere que um segundo é suficiente para você compartilhar em suas redes sociais mensagens da campanha, que em um minuto você pode personalizar ou comentar essas mensagens e começar uma conversação com amigos e familiares sobre o assunto e que em 5 minutos você já pode se informar mais sobre o câncer sua prevenção e tratamento, lendo materiais educativos.

Nas palavras do INCA: “Eu Sou E Eu Vou é um apelo ao compromisso pessoal e que se traduz no poder que uma ação individual, tomada no presente, tem de impactar o futuro. Cada um tem o poder de reduzir o impacto do câncer na sua vida, na vida das pessoas à sua volta e no mundo. “

Um vídeo promocional da UICC onde algumas dessas ideias são desenvolvidas pode ser visto no YouTube, no endereço (vídeo em inglês) https://youtu.be/i-1l8SHSJ40

No Brasil
O Dia Mundial do Câncer em 2019 no Brasil foi marcado por uma série de ações promovidas pelo INCA entre elas: lançamento de materiais gráficos e eletrônicos com os temas da campanha internacional do dia, apresentação de estudo e debate sobre o tema “Sobrevivência ao Câncer”, debate sobre as ideias contidas no slogan Eu Sou E Eu Vou e o lançamento da plataforma digital da Revista Brasileira de Cancerologia.

Fontes: [1] UICC - Union for International Cancer Control – About World Cancer Day [2] UICC - Union for International Cancer Control – Long Term Vision [3} World Cancer Day - I am and I will [4] INCA – Instituto Nacional de Câncer - União Internacional para o Controle do Câncer convoca para mobilização pelo controle da doença [5] INCA – Instituto Nacional de Câncer - INCA apresenta estudo com o tema sobrevivência ao câncer no Dia Mundial do Câncer

Janeiro 2019

Exercícios físicos durante e depois do tratamento

Pessoas se exercitando com idosa no centro

Uma rotina de exercícios físicos, orientada por profissionais e aprovada pelo médico, pode auxiliar durante o tratamento e posterior recuperação do paciente de câncer.

Benefícios de se exercitar
A prática regular de exercícios físicos melhora a saúde respiratória e cardíaca, aumenta a densidade óssea e muscular e também diminui o risco de diabetes e obesidade. Esses são benefícios para pessoas de qualquer idade, mas em particular podem ajudar na maturidade e terceira idade, diminuindo o ritmo natural de declínio do organismo e aumentando o bem estar e a funcionalidade em atividades cotidianas.

Além disso há indicadores que exercícios físicos possam ter efeitos mentais benéficos, como redução dos sintomas de ansiedade e depressão e melhora da capacidade cognitiva de pacientes com demência senil ou Alzheimer, esclerose múltipla e doença de Parkinson.

O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (Department of Health and Human Services), que tem algumas funções equivalentes ao nosso Ministério da Saúde, recomenda que todos os adultos saudáveis – com aprovação médica - façam no mínimo 150 minutos de atividade física de intensidade moderada ou 75 minutos de intensidade vigorosa, por semana. Esses benefícios podem se ampliar muito se estendidos para 300 minutos por semana.

Além de exercícios aeróbicos – que aumentam as frequências cardíaca e respiratória - como andar, correr, nadar ou pedalar, são recomendados exercícios de força – como musculação, Pilates ou calistênicos – bem como exercícios de coordenação motora e equilíbrio, como por exemplo a prática de esportes ou jogos de movimentação física.

Sempre é importante lembrar que em todos os casos é recomendada uma avaliação e aprovação médica antes de se iniciar qualquer programa de exercícios, para todas as pessoas, mas em particular para idosos, mulheres grávidas, portadores de doenças crônicas, agudas ou graves (como o câncer) ou ainda pessoas com necessidades especiais.

Nesses casos particulares o médico, fisioterapeuta ou professor de educação física podem recomendar adaptações ou até a suspensão de rotinas de exercícios.

O paciente de câncer
Receber um diagnóstico de câncer e iniciar seu tratamento podem ser situações bem angustiantes e desfocar a atenção das pessoas de qualquer outra atividade, em particular da preocupação com se exercitar. Diante da possibilidade de um tratamento longo, doloroso ou de severos efeitos colaterais, ou ainda a possibilidade de sequelas permanentes e até a possibilidade da morte, praticamente qualquer outra preocupação da vida perde importância.

No entanto, um programa de exercícios – autorizado pelo médico e adaptado por ele em conjunto com outros profissionais de saúde ou atividade física – podem melhorar a qualidade de vida e ajudar a diminuir efeitos colaterais de uma paciente de câncer durante seu tratamento. Por exemplo caminhadas – em alguns casos, desde que autorizadas pelo médico – podem ajudar pacientes a ganhar maior resistência física e lidar melhor com a fadiga que pode ser provocada pela quimioterapia e radioterapia.

Claro que cada caso de paciente de câncer é diferente, há muitos tipos de câncer com diferentes gravidades, que atingem diferentes partes do corpo, bem como há muitos tipos e intensidades de tratamento. Pode haver casos em que nenhum tipo de exercício seja recomendado, mas por outro lado, há casos onde seja possível e recomendadas rotinas de exercícios.

Depois do tratamento
Exercícios físicos podem ser especialmente benéficos ao paciente de câncer após seu tratamento, na retomada de suas atividades. Possíveis sequelas do tratamento ou de hospitalização e inatividade durante esse período podem ter uma recuperação mais rápida ou mais completa através da atividade física.

Por exemplo, as capacidades cardíacas e respiratórias, a força, a elasticidade e o equilíbrio tendem a diminuir quando uma pessoa passa muito tempo sentada ou deitada. Esse declínio pode afetar a capacidade da pessoa executar as mais cotidianas tarefas, mas pode ser recuperado, no todo ou em parte, com exercícios físicos específicos.

O GPOI comenta
Exercícios físicos podem ser benéficos durante alguns tratamentos de câncer e em muitos casos de recuperação após a doença. Converse com seu médico se esse é seu caso. O médico poderá orientá-lo ou encaminhá-lo a outros profissionais como fisioterapeutas ou professores de educação física que possam ajudá-lo.

Fontes: [1] U.S. Department of Health and Human Services - Physical Activity - Guidelines for Americans [2] U.S. Department of Health and Human Services - Top 10 Things to Know About the Second Edition of the Physical Activity Guidelines for Americans [3] ASCO – American Society of Clinical Oncology – Cancer.net – The Importance of Exercise

Dezembro 2018

Venda de Cigarros Para Menores
Menor fumando com sinal de proibido em cima

Estudo constata que a proibição legal da venda de cigarros para menores é violada com frequência e facilidade no Brasil.

O Jornal Brasileiro de Pneumologia publicou, em sua última edição (vol 44 / nº 5), um estudo realizado pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer), denominado Descumprimento da lei que proíbe a venda de cigarros para menores de idade no Brasil: uma verdade inconveniente.

O objetivo do estudo foi estabelecer o cenário atual de cumprimento da lei que proíbe, em todo Brasil, a venda de cigarros para menores de 18 anos. Para tanto foram analisados dados da PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde Escolar) realizada pelo IBGE, em todo o país, a cada três anos.

Na última edição dessa pesquisa, além de dados sobre o tabagismo propriamente dito, foram levantados dados específicos sobre a facilidade de acesso dos jovens ao cigarro, com perguntas referentes às variáveis “tentativa de comprar”; “sucesso dessa tentativa”; “compra regular”; e “compra regular em lojas ou botequins”.

Resultados
Aproximadamente 7 entre cada 10 adolescentes fumantes entre 13 e 17 anos tentaram comprar cigarros, nos 30 dias anteriores à pesquisa. Nessa amostra dos que tentaram, 86,1% não foram impedidos. A proporção de êxito na compra foi de 82,3% entre adolescentes de 13 a 15 anos e de 89,9% entre os de 16 e 17 anos.

A diferença foi pequena na quebra dos dados por sexo (86,6% feminino e 85,7% masculino) e um pouco maior na quebra dos dados por regiões do Brasil, com 93,9% dos jovens do Nordeste conseguindo comprar e 82,8% na região Sul. Outro dado preocupante levantado através da pesquisa foi que 81,1% dessas compras foram realizadas em estabelecimentos comerciais e não em camelôs.

Porque se preocupar
O tabagismo é considerado uma doença pediátrica porque 80% dos fumantes começam a fumar antes dos 18 anos de idade e 20% antes do 15 anos. E, infelizmente, uma vez estabelecida a dependência, o tabagismo se torna uma doença crônica, de difícil solução. A maioria dos fumantes precisa de ajuda médico-psicológica para parar de fumar e mesmo para os que conseguem parar, são frequentes as recaídas.

No Brasil a forma predominante de uso do tabaco é o fumado em cigarros. Essa forma de consumo é responsável por até 90% de todos os casos de câncer de pulmão. Além do pulmão o tabagismo aumenta o risco dos seguintes tipos de câncer: leucemia mielóide aguda; câncer de bexiga; câncer de pâncreas; câncer de fígado; câncer do colo do útero; câncer de esôfago; câncer nos rins; câncer de laringe (cordas vocais); câncer na cavidade oral (boca); câncer de faringe (pescoço); câncer de estômago.

Se não bastasse o risco de diferentes formas de câncer o tabagismo também pode provocar doenças cardíacas e vasculares, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC / "derrame"). No Brasil estima-se que que o uso do tabaco provoque as seguintes mortes, anualmente: 34.999 mortes por doenças cardíacas; 31.120 mortes por DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica); 23.762 por câncer de pulmão; 26.651 por outros cânceres; 17.972 mortes por tabagismo passivo; 10.900 por pneumonia; 10.812 por AVC (acidente vascular cerebral).

O GPOI comenta
Fica claro nos números do estudo do INCA, publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia, que a proibição da venda de cigarros para menores no Brasil não vem sendo cumprida com o devido rigor e que os jovens que queiram tem fácil acesso ao produto. Dos menores de 18 anos pesquisados, que tentaram comprar cigarros, mais de 8 em cada 10 conseguiram. Seria importante um envolvimento e um esforço maior dos governos e da própria sociedade civil na contenção desse mal.

Fontes: [1] Jornal Brasileiro de Pneumologia - Descumprimento da lei que proíbe a venda de cigarros para menores de idade no Brasil: uma verdade inconveniente [2] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Tabagismo [3] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Carga de doença atribuível ao uso do tabaco no Brasil e potencial impacto do aumento de preços por meio de impostos.

Novembro 2018

A Saúde do Homem
Homens se exercitando na contraluz

Novembro é um mês dedicado internacionalmente à conscientização sobre as questões de saúde específicas da masculinidade.

Movember e Novembro Azul
O movimento Movember – uma junção das palavras moustache (bigode) e november (novembro) – começou na Austrália no final do século 20 visando conscientizar os homens a respeito do câncer de próstata e também arrecadar fundos para pesquisa médica a respeito. Como marketing da projeto, os seus idealizadores escolheram o mês de novembro, um bigode estilizado como logomarca e a ideia de os homens deixarem crescer seu bigodes durante este mês, como sinal de apoio à causa.

No Brasil, a partir do começo do século 21 foram surgindo movimentos de conscientização sobre o câncer de próstata inspirados no Movember, porém aqui, ficou mais popular a denominação Novembro Azul – provavelmente como contraponto ao Outubro Rosa, o mês de conscientização sobre o câncer de mama. Atualmente o símbolo do Novembro azul mais comum no Brasil é um laço azul sobreposto por um bigode estilizado.

Os objetivos do movimento
O principal objetivo do Movember e do Novembro Azul em seus começos foi estimular os homens a se submeterem em massa a exames de rastreamento do câncer de próstata, em particular o exame do toque retal – onde o médico introduz o dedo no anus do paciente para apalpar a próstata, através da parede do intestino reto e verificar alterações de tamanho ou consistência da próstata – e o exame de sangue para dosagem de PSA – um hormônio presente no sangue, produzido na próstata, que quando apresenta alterações nas suas taxas pode indicar problemas no órgão.

No entanto, surgiram evidências científicas e estatísticas que esses exames, quando feitos em massa em homens saudáveis e sem sintomas, podem provocar mais danos do que benefícios à população masculina. Podem ocasionar falsos positivos, biópsias desnecessárias, infecções decorrentes de biópsias e tratamentos desnecessários em cânceres de evolução muito lenta, entre outros. Em 2004, a Organização Mundial de Saúde (WHO – World Health Association) começou a recomendar o abandono do rastreamento geral da população masculina assintomática via toque retal e dosagem de PSA, o que foi sendo seguido pelos países do mundo. No Brasil, a partir de 2013, o INCA (Instituto Nacional do Câncer) também recomendou que se parasse a política pública de saúde do rastreamento geral da população masculina para o câncer de próstata.

Devido a esses avanços nos entendimento da doença e seu diagnóstico, no mundo o movimento Movember foi mudando o seu perfil de um movimento focado só no câncer de próstata, para um movimento preocupado também com outros itens da saúde masculina. Em 2018 o site do movimento informa como objetivo geral prevenir que os homens morram cedo demais, baseando-se em 4 itens de prevenção: câncer de próstata, câncer testicular, doenças mentais e suicídio.

O câncer de próstata
A próstata é uma glândula masculina, situada na parte baixa do abdômen. O câncer desse órgão é o segundo mais comum entre homens, depois dos de pele. É uma doença característica da terceira idade, 75% dos casos ocorrem a partir dos 65 anos de idade.

A maioria dos casos de câncer de próstata é de evolução lenta, pode levar 15 anos para atingir 1 cm cúbico, o que não chega a dar sinais durante a vida nem ameaçar a saúde do homem. No entanto alguns casos podem ser mais rápidos, com espalhamento do câncer para outros órgãos, podendo levar à morte. Estima-se para o Brasil 68.220 casos de câncer de próstata em 2018.

Seus principais sintomas são: dificuldade de urinar e necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou a noite. Na fase avançada, pode provocar dor óssea, sintomas urinários ou, quando mais grave, infecção generalizada ou insuficiência renal. No entanto, os sintomas urinários iniciais podem ser provocados pelo crescimento benigno da próstata, um condição não relacionada ao câncer, comum em homens na terceira idade.

Se você ou um ente querido estiverem experimentando qualquer problema ou mudança nos seus hábitos urinários, a melhor recomendação é procurar uma consulta médica. O médico poderá determinar, no caso específico de cada paciente, se necessários exames para a detecção do câncer de próstata ou outros.

O câncer testicular
Os testículos são os órgãos masculinos responsáveis pela produção dos espermatozoides e de hormônios importantes. O câncer de testículo é um câncer relativamente pouco frequente, representado 5% dos tumores malignos do homem. É mais comum nos homens entre 15 e 50 anos. É uma doença muito agressiva, com alto índice de crescimento e risco de espalhamento para outros órgãos, podendo levar a consequências sérias e até à morte. Porém, é um dos tipos de câncer de melhor índice de cura, devido a um relativo fácil diagnóstico precoce – pela posição externa do órgão – e devido a eficiência dos remédios quimioterápicos disponíveis hoje em dia no combate a este tipo de câncer.

A principal estratégia de prevenção é o autoexame dos testículos, onde a própria pessoa poderá constatar anormalidades e em caso de detectar um câncer nos seus estágios iniciais, procurar o tratamento o mais cedo possível quando as chances de cura são maiores. As recomendações do INCA a esse respeito são:

Quando e como fazer o autoexame dos testículos:

O auto-exame dos testículos deve ser realizado mensalmente, sempre após um banho quente. O calor relaxa o escroto e facilita a observação de anormalidades. A partir daí:

  • De pé, em frente ao espelho, verifique a existência de alterações em alto relevo na pele do escroto.
  • Examine cada testículo com as duas mãos. Posicione o testículo entre os dedos indicador, médio e o polegar. Revolva o testículo entre os dedos; você não deve sentir dor ao realizar o exame. Não se assuste se um dos testículos parecer ligeiramente maior que o outro, isto é normal.
  • Ache o epidídimo - pequeno canal localizado atrás do testículo e que coleta e carrega o esperma. Se você se familiarizar com esta estrutura, não confundirá o epidídimo com uma massa suspeita. Os tumores malignos são frequentemente localizados lateralmente aos testículos, mas também podem ser encontrados na porção ventral.
  • O que procurar:

  • Qualquer alteração do tamanho dos testículos
  • Sensação de peso no escroto
  • Dor imprecisa em abdômen inferior ou na virilha
  • Dor ou desconforto no testículo ou escroto
  • Massas ou nódulos
  • Sangue na urina
  • Aumento da sensibilidade dos mamilos
  • O GPOI comenta
    Ao perceber qualquer dos sintomas descritos ao longo deste artigo, ou qualquer alteração nos seus hábitos urinários ou sexuais, procure uma consulta médica. Muitos homens são avessos a procurar ajuda ou aconselhamento, mas através da consulta e de possíveis outros exames o médico poderá diagnosticar e começar a tratar qualquer doença se necessário, ou tranquilizá-lo para dar seguimento à sua vida.

    Fontes: [1] Movember Foundation – Site em português Fundação Movember [2] WHO – World Health Organization - Should mass screening for prostate cancer be introduced at the national level? [3] INCA – Instituto Nacional do Câncer – Rastreamento do Câncer de próstata [4] Ministério da Saúde – INCA – Nota Técnica Conjunta – Posicionamento do Ministério da Saúde acerca da integralidade da saúde dos homens no contexto do Novembro Azul [5] INCA – Instituto Nacional do Câncer – Tipos de Câncer – Próstata [6] INCA – Instituto Nacional do Câncer – Tipos de Câncer – Próstata – Sintomas [7] INCA – Instituto Nacional do Câncer – Tipos de Câncer – Câncer de testículo [7] INCA – Instituto Nacional do Câncer – Autoexame dos testículos

    Outubro 2018

    Outubro Rosa
    Injeção vacina

    Câncer de Mama
    O câncer de mama é a multiplicação descontrolada de células da mama, formando um tumor, que não para de crescer espontaneamente, sem intervenção médica. Há diferentes tipos de câncer de mama, dependendo do tipo de célula onde ele se inicia e o tipo de multiplicação. Desses, alguns são de desenvolvimento mais rápido outros mais lento mas todos, se não tratados, podem trazer sérios danos à saúde e até a morte. No entanto a ciência tem feito grandes avanços no combate a essa doença e a maioria dos casos tratados tem bom prognóstico, especialmente os descobertos no seu começo.

    Depois do cânceres de pele, o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres no mundo e nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil, representando cerca de 28% dos casos. Também pode atingir homens, mas é raro, com cerca de 1% dos casos. Estima-se que cerca de 60 mil mulheres serão atingidas pela doença em 2018 no Brasil.

    Outubro Rosa
    O movimento Outubro Rosa se iniciou nos Estados Unidos na década de 90 do século 20 e vem crescendo desde então, se tornando um movimento mundial que envolve milhares de organizações civis e governamentais. Os objetivos do movimento são o levantamento de fundos para a pesquisa de tratamentos para a doença, a conscientização das mulheres para terem atenção à alterações ou sintomas suspeitos em suas mamas e o incentivo à realização de exames periódicos de prevenção da doença, em particular a mamografia – o exame via raio x das mamas – para detecção precoce de lesões cancerosas antes de se tornarem sintomáticas.

    Além disso, à medida que foram surgindo nos últimos anos evidências estatísticas que indicam que pode ser que haja fatores comportamentais ligados a um aumento de risco da doença, as campanhas do Outubro Rosa também tem passado a incluir mensagens de estímulo a estilos de vida mais saudáveis.

    Detecção precoce
    A melhor estratégia de combate ao câncer de mama é sua detecção nos estágios bem iniciais – quando a pessoa ainda não percebe ou sente nenhum sintoma – que é a ocasião que o tratamento pode ser menos agressivo e de maior chance de sucesso. Com esse objetivo, o Ministério da Saúde do Brasil recomenda que as mulheres assintomáticas entre 50 e 69 anos de idade façam mamografias uma vez a cada dois anos.

    No entanto, o Ministério da Saúde alerta que a mamografia de rastreamento – mamografia das mulheres sem sintomas - pode trazer riscos como falso-positivos, entre outros e sugere as mulheres se informarem sobre esses riscos. Se você leitora quiser conhecer melhor o balanço de benefícios e riscos da mamografia você poderá consultar a cartilha do INCA (Instituto Nacional de Câncer) a respeito, no link: “Câncer de Mama: é preciso falar disso”.

    Pessoas com risco aumentado
    Além da recomendação para a população em geral, algumas pessoas podem estar em grupos de maior risco de vir a desenvolver a doença e precisam conversar com seus médicos se nos seus casos específicos seria necessária uma rotina diferente de exames, tanto no que se refere à idade como à frequência, ou mesmo o tipo de exames.

    Os fatores que podem aumentar o risco do câncer de mama são:

    Fatores ambientais e comportamentais:

  • Obesidade e sobrepeso após a menopausa;
  • Sedentarismo (não fazer exercícios);
  • Consumo de bebida alcoólica;
  • Exposição frequente a radiações ionizantes (Raios-X)
  • Fatores da história reprodutiva e hormonal

  • Primeira menstruação antes de 12 anos;
  • Não ter tido filhos;
  • Primeira gravidez após os 30 anos;
  • Não ter amamentado;
  • Parar de menstruar (menopausa) após os 55 anos;
  • Uso de contraceptivos hormonais (estrogênio-progesterona);
  • Ter feito reposição hormonal pós-menopausa, principalmente por mais de cinco anos.
  • Fatores genéticos e hereditários*

  • História familiar de câncer de ovário;
  • Casos de câncer de mama na família, principalmente antes dos 50 anos;
  • História familiar de câncer de mama em homens;
  • Alteração genética, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2.
  • *A mulher que possui um ou mais desses fatores genéticos/ hereditários é considerada com risco elevado para desenvolver câncer de mama

    Sinais e Sintomas
    Além de exames médicos é importante as pessoas estarem atentas a alterações mamárias que podem necessitar uma avaliação diagnóstica por um médico e ou exames mais específicos. Os principais sintomas que requerem revisão médica são:

  • Caroço (nódulo) fixo, endurecido e, geralmente, indolor;
  • Pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja;
  • Alterações no bico do peito (mamilo);
  • Pequenos nódulos na região embaixo dos braços (axilas) ou no pescoço;
  • Saída espontânea de líquido dos mamilos
  • Essas alterações podem ter outras causas que não o câncer, mas é importante uma avaliação médica para dirimir as suspeitas ou iniciar tratamentos o mais rápido possível se necessário.

    O GPOI comenta
    Veja com atenção as recomendações e alertas do Ministério Saúde do Brasil quanto a detecção precoce do câncer de mama. E se você por caso estiver em alguns dos casos listados como de risco aumentado, procure um médico de sua confiança para uma consulta onde ele poderá analisar se no seu caso seriam necessários exames ou atitudes preventivas. Se você identificar qualquer alteração persistente nas suas mamas, as listadas no item Sinais e Sintomas acima ou outras, procure um avaliação profissional numa unidade de saúde.

    Muitas pessoas evitam ou adiam exames ou consultas com medo de receber o diagnóstico de uma doença grave, mas o câncer quanto mais cedo detectado e tratado possibilita tratamentos menos severos e tem melhores chances de cura. E se a consulta e exames descartarem a doença você poderá seguir sua vida mais tranquila.

    Fontes: [1] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Outubro Rosa [2] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Mama [3] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Câncer de Mama: é preciso falar disso

    ©2018 GPOI. Proibida a reprodução parcial ou total sem aprovação por escrito.

    Setembro 2018

    Campanha de vacinação contra HPV
    Injeção vacina

    No 4 de setembro o Ministério da Saúde lançou campanha publicitária sobre a vacinação contra o HPV, com meta de atrair para as unidades de saúde mais de 20 milhões de adolescentes.

    A campanha
    Desde 2016 o Brasil estabeleceu a meta de dar gratuitamente 2 doses da vacina contra o HPV para todos as meninas entre 9 e 14 anos de idade, meninos entre 11 e 14 anos, pessoas que vivem com HIV e pessoas com transplantes entre 9 e 26 anos. Em particular a estratégia do Ministério aponta para os adolescentes e pré-adolescentes antes do início da vida sexual, pela sua maior desinformação sobre a questão.

    Agora em 2018 foi criada uma campanha publicitária com o tema “Não perca a nova temporada de Vacinação contra o HPV”. Seu principal item é um filme que, segundo o INCA(Instituto Nacional de Câncer) - “mistura imagens reais e animação e traz dois jovens, um menino e uma menina, fugindo de um vírus em um cenário com inspiração nos seriados famosos que são de identificação do público jovem e dos pais. A fuga termina no momento em que os jovens entram em uma unidade de saúde e se vacinam”. O vídeo foi publicado no canal do YouTube do Ministério da Saúde e pode ser visto aqui: https://www.youtube.com/watch?v=s8oL8Cst9Fo . Além do filme foram criados cartazes e outros materiais enviados para a imprensa e para o Ministério da Educação, para a divulgação em escolas e para estimular os professores conversarem com seus alunos sobre o tema.

    A vacinação contra o HPV faz parte do calendário normal de vacinações do Brasil, mas as campanhas de comunicação periódicas visam aumentar a adesão do público, especialmente pelo fato que a cobertura vacinal só está completa depois que cada pessoa toma duas doses. A expectativa do governo com essa campanha lançada agora é de que 20,6 milhões de jovens compareçam a postos de saúde para serem vacinados, 9,7 milhões de meninas de 9 a 14 anos e 10,8 milhões de meninos de 11 a 14 anos.

    O HPV
    HPV é a sigla usada para denominar a família do Papilomavírus Humano, composta por mais de 150 tipos diferentes de vírus, individualmente denominados por números, como por exemplo HPV tipo 16 ou HPV tipo 35. A famíia HPV pode infectar mucosas e a pele e é transmitida por seu contato direto em relações sexuais ou não. Os diferente tipos do HPV podem causar verrugas e outras lesões que, em alguns casos podem evoluir para se tornarem cânceres, em particular câncer de colo do útero, vulva, vagina, pênis, ânus e orofaringe (boca e garganta).

    Os HPVs de tipo 16 e 18 causam a maioria dos casos de câncer de colo do útero em todo o mundo e também são responsáveis por até 90% dos casos de câncer de ânus, até 60% dos casos de câncer de vagina e até 50% dos casos de câncer vulvar (região genital externa da mulher). Também há indícios que um aumento que vem acontecendo de casos de cânceres de boca e garganta nos últimos anos possa estar relacionado a um aumento da prática do sexo oral na população e um possível aumento da contaminação por HPV nessas regiões do corpo.

    A contaminação pelo HPV é incurável, a pessoa contaminada vai carregar o vírus e a possibilidade de contaminar outras por toda a vida, mesmo que nunca tenha tido lesões visíveis ou que as verrugas e lesões tenham sido retiradas cirúrgica ou quimicamente, porque o vírus permanece em outras células do corpo. No entanto, a remoção de lesões clínicas (que podem ser identificadas pelo médico a olho nu) ou subclínicas (que só possam ser identificadas através de exames de laboratório) pode evitar que elas se tornem crônicas e ao longo do tempo possam dar início a cânceres.

    Em particular, como prevenção ao câncer colo do útero, por ser essa região interna ao corpo e portanto impossível da pessoa ver as lesões do HPV se estabelecerem ou crescerem, o que acontece geralmente sem sintomas externos, é importante a realização periódica de exames preventivos, como o Papanicolaou. Esse exame consiste na retirada de material do colo do útero e seu envio para análise microscópica em laboratório.

    O INCA (Instituto Nacional do Câncer) recomenda que o exame de Papanicolaou seja feito anualmente em todas as mulheres entre 25 e 64 anos de idade que tem ou tiveram vida sexual ativa. Em caso do exame dar negativo nos dois primeiros anos, a recomendação passa a ser que ele seja feito de três em três anos. Essa é a recomendação mínima que pode ser alterada em casos particulares, consulte um médico em caso de dúvida.

    A vacina
    A melhor estratégia para a contenção do HPV é a vacinação preventiva – antes do contágio. A vacina oferecida pelo Ministério da Saúde no Brasil protege contra os subtipos 6, 11, 16 e 18 do HPV. Os dois primeiros causam verrugas genitais e os dois últimos são associados ao câncer do colo do útero.

    Embora importante como política de controle da parte da epidemia a vacinação não substitui a prática do sexo responsável e seguro, porque além dos tipos de HPV cobertos pela vacina há mais de 140 outros que não são, dos quais pelo menos 10 tipos não cobertos pela vacina são considerados de alto risco para o desenvolvimento do câncer, tipos 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58 e 59.

    O GPOI comenta
    Se você é mãe, pai ou responsável por jovens nas faixas etárias recomendadas, que ainda não receberam as duas doses da vacina, os encaminhe para vacinação. Se você é mulher procure realizar os exames preventivos para o câncer do colo do útero pelo menos na frequência recomendada pelo Ministério da Saúde. E para qualquer pessoa que tenha verrugas ou feridas que não saram espontaneamente, em qualquer lugar do corpo, recomenda-se a procura de uma unidade de saúde para uma verificação profissional.

    Fontes: [1] Ministério da Saúde do Brasil - Convocação: 20,6 milhões de adolescentes devem se vacinar contra o HPV [2] Ministério da Saúde do Brasil - HPV: sintomas, causas, prevenção e tratamento [3] Ministério da Saúde do Brasil – Campanha Vacinação HPV [4] INCA – Instituto Nacional de Câncer - Esquema de vacinação contra HPV no SUS passa a ter duas doses [5] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Controle do Câncer do Colo do Útero [6] INCA – Instituto Nacional de Câncer – COLO DO ÚTERO - Detecção Precoce

    ©2018 GPOI. Proibida a reprodução parcial ou total sem aprovação por escrito.

    Julho 2018

    Doe Sangue
    Doe Sangue

    A doação de sangue pode ajudar muitas pessoas, entre elas os pacientes de câncer

    O sangue é um fluído vital para todas as pessoas e, em muitas situações de doenças, ferimentos ou cirurgias, o paciente precisa receber sangue ou algum de seus componentes, para poder sobreviver ou se recuperar.

    Infelizmente a ciência, apesar de muitos esforços nessa direção, não conseguiu ainda criar um substituto artificial para o sangue. O ato solidário e generoso de pessoas saudáveis doarem parte de seu sangue para as que precisem é a única forma de salvar essas vidas.

    Sangue e o câncer
    Em particular os pacientes de câncer podem precisar de receber de doadores sangue ou seus derivados, em várias situações associadas à doença:

    Anemia: é uma condição onde o sangue apresenta baixo nível de glóbulos vermelhos (os componentes do sangue responsáveis pelo transporte de oxigênio às células). Pode ser provocada pelo próprio câncer ou pelo tratamento, como algumas quimioterapias ou radioterapias. A anemia pode em alguns casos ser combatida com o uso de remédios ou com alimentação e ou suplementos alimentares, mas dependendo da gravidade, a critério do médico, em muitos casos são necessárias transfusões de sangue, para repor o nível de glóbulos vermelhos necessários ao bom funcionamento do organismo..

    Problemas de sangramento / cicatrização: Alguns cânceres e alguns tratamentos podem provocar a diminuição dos fatores de coagulação do sangue, em particular a diminuição das plaquetas, células do sangue especializadas no bloqueio de veias ou artérias rompidas. A consequência são sangramentos maiores ou mais demorados, em casos de ferimentos, cirurgias ou outros casos de rompimentos de veias ou artérias. Os problemas de sangramento excessivo podem ser combatidos com remédios ou suplementos, mas em muitos casos, a critério do médico são necessárias transfusões de sangue ou de plaquetas (apenas as plaquetas são separadas a partir do sangue do doador e injetadas no paciente).

    Cirurgias: muitos tumores precisam ser retirados cirurgicamente. Dependendo do seu tamanho e localização os cortes cirúrgicos podem provocar grande perda de sangue do paciente, o que pode levar à necessidade do paciente receber sangue de doadores ou plasma (a porção líquida, levemente amarelada do sangue, que pode ser separada a partir do sangue de um doador) para repor os fluídos perdidos.

    Doe sangue, doe vida
    Muitas pessoas gostam de ajudar ao próximo e às vezes se perguntam o que poderiam fazer para ajudar mais as pessoas da sociedade em que vivem, em particular os doentes ou mais necessitados. Um excelente caminho para isso é a doação de sangue.

    Em cada doação é retirado um máximo de 450ml (pouco menos de meio litro), de uma pessoa adulta que tem, em média 5 litros de sangue. Essa mesma doação de sangue pode ajudar até 4 pessoas diferentes, porque o sangue doado pode ser fracionado ou separado em seus diferentes componentes.

    Um doador saudável não sofre nenhum problema de saúde por conta da doação e seu organismo em pouco tempo repõe o sangue doado, permitindo se quiser, uma nova doação. O intervalo mínimo entre doações estabelecido pelo Ministério da Saúde do Brasil é de 2 em 2 meses, no máximo 4 vezes ao ano para homens e de 3 em 3 meses, no máximo 3 vezes ao ano, para mulheres.

    Quem pode doar sangue
    Pessoas saudáveis entre 16 e 69 anos, que pesem mais de 50 quilos podem doar. Entre 16 e 18 anos é necessária autorização dos pais ou responsáveis e entre 60 e 69 é preciso que pelo menos uma vez antes dos 60 anos de idade a pessoa já tenha doado.

    No entanto, existem impedimentos temporários e impedimentos definitivos à doação:

    Impedimentos temporários:
    - Estar com gripe, resfriado e febre: aguardar 7 dias após o desaparecimento dos sintomas;
    - Estar no período gestacional;
    - Estar no período pós-gravidez: 90 dias para parto normal e 180 dias para cesariana;
    - Amamentação: até 12 meses após o parto;
    - Ingestão de bebida alcoólica nas 12 horas que antecedem a doação;
    - Ter feito tatuagem e/ou piercing nos últimos 6 meses (piercing em cavidade oral ou região genital impedem a doação);
    - Ter passado por rxtração dentária: 72 horas;
    - Ter passado por cirurgias de apendicite, hérnia, amigdalectomia, varizes: 3 meses;
    - Ter passado por cirurgias colecistectomia, histerectomia, nefrectomia, redução de fraturas, politraumatismos sem seqüelas graves, tireoidectomia, colectomia: 6 meses;
    - Ter recebido ransfusão de sangue: 1 ano;
    - Vacinação: ter sido vacinado - o tempo de impedimento varia de acordo com o tipo de vacina.
    - Ter passado por exames/procedimentos com utilização de endoscópio nos últimos 6 meses;
    - Ter sido exposto a situações de risco acrescido para infecções sexualmente transmissíveis (aguardar 12 meses após a exposição);

    Impedimentos definitivos
    - Ter passado por um quadro de hepatite após os 11 anos de idade;
    - Ter evidência clínica ou laboratorial das seguintes doenças transmissíveis pelo sangue: Hepatites B e C, AIDS (vírus HIV), doenças associadas aos vírus HTLV I e II e Doença de Chagas;
    - Usar de drogas ilícitas injetáveis;
    - Ter tido Malária

    Onde e como doar
    Pesquise por hemocentros em sua região. Se não encontrar com facilidade, a maioria dos hospitais, postos de saúde e unidades de atendimento podem indicar o hemocentro ou unidade de coleta de sangue mais próxima.

    Entre em contato com o hemocentro mais conveniente e verifique se necessário marcar hora ou se basta o comparecimento. No comparecimento ao local de doação o candidato a ser doador deve apresentar documento original com foto expedido por órgão oficial, como carteira de Identidade, Passaporte, Carteira de Trabalho, Carteira de Identidade de Profissional, Carteira Nacional de Habilitação com foto ou Certificado de Reservista.

    Doar sangue é seguro, não há nenhum risco de contaminação ao doador, nos hemocentros oficiais são usados equipamentos esterilizados e descartáveis por profissionais habilitados. O procedimento todo - cadastro, aferição de sinais vitais, teste de anemia, triagem clínica, coleta do sangue e lanche – leva cerca a de 40 minutos.

    Se você trabalhar, saiba que a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) dispõe que o empregado poderá deixar de comparecer ao serviço, sem prejuízo do salário, por um dia, a cada 12 meses, em caso de doação voluntária de sangue devidamente comprovada.

    O GPOI comenta
    Doar sangue é uma forma relativamente fácil e rápida de você ajudar pessoas que, com sua ajuda, podem se recuperar de, ou sobreviver à problemas muito graves. Pense nisso.

    Fontes: [1] Ministério da Saúde do Brasil - Doação de Sangue: Saiba como e quem pode doar [2] ASCO – American Society of Clinical Oncology – Cancer.net - Donating Blood [3] ASCO – American Society of Clinical Oncology – Cancer.net – Anemia [4] ASCO – American Society of Clinical Oncology – Cancer.net – Bleeding Problems

    ©2018 GPOI. Proibida a reprodução parcial ou total sem aprovação por escrito.

    Junho 2018

    Jovens, barriga e cigarro

    Estudo encontra maior circunferência abdominal nos adolescentes brasileiros fumantes

    Já há alguns anos vários estudo mostraram que, entre adultos, existe uma relação entre o vício de fumar e um aumento da obesidade abdominal. Fumantes, além dos malefícios diretos provocados pelo tabagismo, também tem estatisticamente mais gordura abdominal, o que é um fator de risco para uma série de doenças crônicas como doenças cardiovasculares, diabetes e câncer. Um estudo feito no Brasil mostra que o problema também atinge os adolescentes.

    A gordura abdominal
    Embora excesso de peso ou gordura excessiva não sejam coisas boas para saúde em qualquer forma, vários estudos mostram que gordura concentrada na barriga, especialmente a gordura interna – gordura visceral – está ligada a distúrbios metabólicos e o desenvolvimento de doenças crônicas.

    A relação estatística entre gordura abdominal interna e doença é clara, porém os exatos mecanismos porque isso acontece ainda não são totalmente entendidos pela ciência. Aparentemente, a gordura abdominal interna está ligada à hiperatividade dos mecanismos de resposta ao stress do organismo e provocam lipotoxidade (lipotoxity): o acúmulo de ácidos graxos no fígado, pâncreas e outros órgão, levando à danos nos mecanismos de regulação de insulina, açúcar no sangue e colesterol.

    Os métodos mais precisos de avaliar a obesidade abdominal são a tomografia computadorizada ou a ressonância magnética, que permitem uma visão detalhada dos tecidos internos, mas são processos caros e que precisam de máquinas sofisticadas e não disponíveis em muitos lugares.

    A simples medida da circunferência abdominal, embora menos preciso, é um método fácil e barato para uma primeira avaliação da obesidade abdominal, se as medidas forem comparadas com a circunferência média de outras pessoas, ajustando por idade, sexo, altura, e outras variáveis demográficas.

    O estudo
    A pesquisa realizada por pesquisadores da Universidade John Hopkins (EUA) e da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), publicado pela revista Preventive Medicine, foi realizado através da medição da circunferência abdominal e questionários comportamentais com 21.671 rapazes e 17.142 moças entre 15 e 17 anos, estudantes de escolas públicas e privadas no Brasil. Se descobriu uma maior prevalência da obesidade abdominal entre os adolescentes que consumiam mais de 1 cigarro por dia, tanto para os do sexo masculino quanto as do feminino.

    Os motivos que levam os fumantes – adultos e adolescentes - a terem na média estatística uma maior circunferência abdominal não são claros, mais estudos a respeito precisam ser feitos. Essa relação pode envolver causas diretas, como o metabolismo da Nicotina e indiretas: um comportamento mais sedentário e um estilo de vida de maior risco, incluindo aí uma alimentação mais desregrada. Um indício desse possível desrespeito pelo próprio corpo por parte dos fumantes vem de outro dado da pesquisa: 28,9% dos adolescentes masculinos fumantes e 31,2% das femininas fumantes declararam tomar uma ou mais doses de bebida alcoólica, em média, todos os dias. Lembrando que estamos falando de meninos e meninas entre 15 e 17 anos... Entre os não fumantes a parcela dos que consome álcool diariamente foi de 3,1%, dez vezes menor.

    Assim os efeitos negativos se somam: o cigarro causa malefícios diretos e os fumantes tem uma tendência estatística a terem mais obesidade abdominal que os não fumantes, o que vai trazer mais malefícios ainda

    O GPOI comenta
    O tabagismo, sob vários aspectos pode ser considerado uma doença pediátrica, porque na maior parte dos casos a experimentação com o cigarro que conduz ao vício acontece no final da infância ou na adolescência. Assim, cabe aos pais uma parcela importante de tentar impedir esse começo do vício, pelo exemplo, pela autoridade e pelo carinho. Outras parcelas importantes devem vir da escola e de políticas governamentais mais restritivas do acesso de crianças e adolescentes ao cigarro.

    Fontes: [1] Preventive Medicine - Assessing the relationship between smoking and abdominal obesity in a National Survey of Adolescents in Brazil Autores: Neilane Bertoni,Liz Maria de Almeida,Moysés Szklo,Valeska C. Figueiredo,André S. Szklo [2] Harvard Medical School - Abdominal obesity and your health [3] Oxford Academic – European Heart Journal - Abdominal obesity: the most prevalent cause of the metabolic syndrome and related cardiometabolic risk [4] INCA – Instituto Nacional de Câncer - Estudo associa fumar a aumento da circunferência abdominal entre adolescentes brasileiros

    ©2018 GPOI. Proibida a reprodução parcial ou total sem aprovação por escrito.

    Maio 2018

    Dia Mundial Sem Tabaco

    No 31 de maio acontece o Dia Mundial Sem Tabaco.

    A OMS – Organização Mundial da Saúde (WHO – World Health Association), uma agência da Nações Unidas, promove desde 1987 um dia para desestimular o consumo de cigarro e outros derivados do tabaco. A data original usada foi 7 de abril de 1988, como o primeiro “dia mundial sem fumar” e a partir de 1988 se estabeleceu o 31 de maio e a mensagem mais geral de combate a todos os derivados do tabaco e não apenas o cigarro.

    A ideia é estimular os fumantes e usuários de outras formas de tabaco (como cachimbo, charuto, rapé, fumo de mascar e dispositivos de tabaco aquecido) a passarem pelo menos as 24 horas do dia 31 de maio sem consumir nenhum tabaco. Além de convocar diretamente as pessoas a pararem pelo menos nesse dia, a iniciativa pretende alertar a população aos riscos provocados por esses hábitos e encorajar governos a adotarem medidas para reduzir e restringir o hábito de fumar e outros usos do tabaco.

    A cada ano a OMS escolhe um tema central da campanha a ser comunicado em campanhas publicitárias e eventos em todas as organizações de saúde ao redor do mundo. Em 2018 o tema escolhido foi doenças do coração provocadas pelo tabagismo. Embora o câncer seja a doença mais habitualmente lembrada pelas pessoas quando pensam nos malefícios provocados pelo cigarro (com razão, o cigarro é de longe o maior agente provocador de câncer voluntariamente evitável), o consumo de tabaco, em particular o hábito de fumar é responsável também por uma grande série de problemas cardiovasculares. A OMS estima que cerca de 12% das mortes por doenças do coração sejam provocadas pelo exposição direta ou inalação indireta (quando uma pessoa contamina o ambiente com fumaça que atinge outros) de fumaça de cigarro.

    Segundo a OMS a epidemia global de tabaco (a OMS usa para o tabagismo a mesma nomenclatura de uma doença) mata a cada ano mais de 7 milhões de pessoas no mundo, das quais perto de 900.000 dos que morrem são fumantes indiretos que convivem com fumantes e respiram fumaça de segunda mão. Com a queda gradual do hábito de fumar nos países do 1º mundo o peso do problema tem recaído mais sobre os países pobres e em desenvolvimento: 80% dos estimados 1 bilhão de fumantes do mundo moram nestes países, o que agrava o problema pelo menor acesso a recursos de medicina e saúde.

    No Brasil
    No Brasil o INCA (Instituto Nacional do Câncer), órgão auxiliar do Ministério da Saúde no desenvolvimento e coordenação das ações integradas para a prevenção e o controle do câncer no Brasil, todo os anos por ocasião do Dia Mundial Sem Tabaco desenvolve campanhas para educar da população e influenciar o governo na direção dos temas da campanha. Por exemplo, na página do Dia Mundial Sem Tabaco no site do INCA podemos encontrar várias informações sobre o tabagismo no Brasil. Veja um excerto dessa página:

    O CIGARRO ROUBA
    4.203.383 ANOS de vida são roubados por morte prematura e incapacidade.
    -6,71 ANOS de vida das mulheres e -6,12 ANOS de vida dos homens, em média.
    -2,45 ANOS de vida das mulheres ex-fumantes e -2,66 ANOS de vida dos homens ex-fumantes, em média.
    O CIGARRO MATA
    428 PESSOAS MORREM por dia no Brasil por causa do tabagismo.
    12,6% DE TODAS AS MORTES que ocorrem no país podem ser atribuídas ao tabagismo.
    156.217 MORTES poderiam ser evitadas a cada ano.

    GPOI comenta
    A hora de parar de fumar ou parar de consumir outros derivados do tabaco é agora. Aproveite o Dia Mundial Sem Tabaco para seguir o slogan da campanha: Faça de cada dia um dia sem tabaco. Sabemos, no entanto parar de fumar pode ser difícil. Se você não estiver conseguindo parar sozinho, procure ajuda. Procure conversar com um médico de sua confiança, ele pode ajudar.

    Fontes: [1] WHO – World Health Organization - World No Tobacco Day, 31 May 2018 [2] WHO – World Health Organization - WHO global health days - World No Tobacco Day [3] INCA - Instituto Nacional do Câncer – 31 de maio Dia Mundial Sem Tabaco

    ©2018 GPOI. Proibida a reprodução parcial ou total sem aprovação por escrito.

    Abril 2018

    Gerenciando Emoções

    Um diagnóstico de câncer pode provocar muitas emoções negativas. É importante tentar controlá-las e superá-las.

    Medo, tristeza, ansiedade, solidão ou a sensação de ser diferente dos outros, frustação e o sentimento de perda do controle sobre a própria vida, são naturais para quem enfrenta uma doença grave e um tratamento severo.

    No entanto, é possível controlar as emoções negativas, estimular emoções melhores e controlar o stress. Não só para o conforto próprio e dos entes queridos ao longo da luta contra a doença, mas também porque uma atitude mais positiva pode ajudar na cura e recuperação.

    Procure apoio psicológico
    Muitas pessoas tem mais facilidade de aceitar, buscar ajuda e tratar doenças físicas do que problemas psicológicos, talvez por causa de um certo estigma ligado a estes tipos de problemas, talvez por vergonha de dividir seus sentimentos com outros, ou vergonha de parecerem “fracas” de não serem capazes de suportar o sofrimento sozinhas. No entanto é muito mais fácil de se lidar com emoções negativas com o apoio de outras pessoas:
    - Procure conversar com pessoas que passaram ou estão passando pelo mesmo problema. Você descobrirá que não é único e que seus sentimentos não são motivo de vergonha, outras pessoas também os tiveram ou os tem.
    - Procure grupos de apoio. Muitas cidades, igrejas e associações tem grupos para conversar sobre o câncer e seu tratamento.
    - Peça e aceite ajuda para a família e amigos, para coisas simples ou complexas ou para dividir suas dúvidas e problemas.
    - Não tenha vergonha de perguntar para seu médico e a equipe de seu tratamento todas as dúvidas e aflições que tiver, por mais íntimas ou vergonhosas que pareçam. As vezes a resposta correta é simples, natural e o melhor remédio para uma preocupação.
    - Se puder, procure ajuda profissional: um psicólogo ou psiquiatra. Ajuda profissional pode tornar mais fácil a lidar com sentimentos confusos e possíveis mudanças físicas.

    Mantenha-se ativo
    Muitos pacientes de câncer se deixam levar pelo desânimo, pela atimia, pela vontade de não fazer nada que não seja ficar na cama ou na poltrona sentindo pena de si mesmos. No entanto, manter-se ativo pode ajudar no tratamento e na recuperação:
    - Tente manter, pelo menos em parte, sua atividade profissional, se sua condição permitir e seu médico autorizar. Trabalhar ocupa a mente e a desvia de pensamentos negativos.
    - Tente, na medida que sua condição física permitir, manter uma vida social, contatos mais frequentes com amigos e parentes.
    - Com autorização e orientação do seu médico, faça atividade física, exercícios na intensidade maior que sua condição e seu tratamento permitirem.
    - Tente um novo hobby ou atividade de lazer, como por exemplo aprender algum tipo de artesanato.

    O GPOI comenta

    Qualquer doença grave, em particular o câncer é motivo natural de preocupação, ansiedade e tristeza. No entanto, é possível encarar as coisas de forma mais positiva. Converse com seu médico e sua equipe de tratamento, exponha suas preocupações e dúvidas. Eles podem ajudá-lo a resolvê-las e enfrentá-las, bem como podem ajudar na busca de outros recursos de apoio.

    Fontes: ASCO – American Society of Clinical Oncology – Cancer.net - Managing Stress ASCO – American Society of Clinical Oncology – Cancer.net - Self-Image and Cancer

    ©2018 GPOI. Proibida a reprodução parcial ou total sem aprovação por escrito.

    Março 2018

    Mês da Mulher

    No 8 de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Vamos falar dos 3 tipos de câncer mais comuns nas mulheres no Brasil.

    Câncer de Pele (não Melanoma)
    O câncer de pele é dividido para efeito de estudo em dois tipos, Melanoma – que atinge os melanócitos, as células que produzem a melanina, o pigmento que dá cor à pele - e não Melanoma – que atinge as outras células da pele. As diferentes variantes do segundo tipo são as formas de câncer mais comuns no mundo. Segundo a WHO World Health Organization (Organização Mundial da Saúde) um em cada três cânceres diagnosticados no mundo é de pele. No Brasil o câncer de pele não Melanoma também é o tipo de câncer mais comum, sendo previsto pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer) que represente pouco mais de 25% dos casos da doença no país em 2018, tanto em homens quanto em mulheres.

    O câncer de pele não Melanoma tem um prognóstico melhor que outros tipos de câncer porque tem relativa baixa probabilidade de metástase – espalhamento para outros órgãos do corpo – e porque qualquer doença no exterior do corpo, na pele, tem maior facilidade de ser enxergada e descoberta e depois acessada fisicamente para procedimentos e tratamentos, do que uma doença em um órgão interno do corpo, onde fica mais difícil de se perceber e de se tratar. No entanto, o câncer de pele não Melanoma, como qualquer câncer, não pode ser encarado com leveza ou indiferença. Se não tratado pode causar grandes lesões, até desfigurantes no seu local de origem e pode sim, em alguns casos, se espalhar e levar à morte. No Brasil em 2013 (últimos dados disponíveis no site do INCA) houve cerca de 1.800 mortes provocadas por este tipo de câncer.

    Câncer de Mama
    O câncer de mama é o câncer mais comum nas mulheres depois do câncer de pele. Embora possa também raramente acometer os homens (menos de 1% dos casos) representa 28% dos casos de câncer (fora os de pele) em mulheres no Brasil. E, infelizmente, é o tipo de câncer que mais mata, sendo atribuídas a esta doença 14.388 mortes (181 homens e 14.206 mulheres) no Brasil em 2013 (últimos dados disponíveis no site do INCA).

    No entanto, nem todos os tipos de câncer de mama são agressivos – de crescimento rápido – e em qualquer caso a detecção e tratamento precoces são muito importantes para o resultado da doença. Prova disso é que a taxa de mortalidade do câncer de mama é relativamente maior nas regiões mais pobres do Brasil e do mundo, em parte porque as mulheres são menos informadas sobre detecção precoce e em parte porque o sistema de saúde é mais deficitário. Estudo realizado em hospital de referência no estado do Espírito Santo, divulgado pelo INCA, determinou que as mulheres com baixo grau de instrução (analfabetas ou ensino primário) tem 4,3 vezes mais chances de serem diagnosticadas de câncer de mama quando já em estado tardio do que as de maior grau de instrução [4]. Como sempre no câncer, nos estados mais tardios a doença é mais difícil de tratar e o prognóstico mais sombrio.

    Câncer do Colón e Reto (Colorretal)
    O terceiro câncer mais incidente em mulheres no Brasil é o câncer do cólon e do reto, as porções finais do intestino. Nesse sentido o Brasil acompanha o que acontece no mundo, onde este tipo de câncer é o terceiro mais comum e o quarto que mais mata. Embora de etiologia complexa, como todos os cânceres, alguns estudos indicam que o aumento da incidência desse tipo de câncer nas nações industrializadas e nos países em desenvolvimento como o Brasil seja parcialmente relacionado às crescentes mudanças na dieta e atividade física das pessoas, em particular sedentarismo e uma dieta pobre em vegetais, legumes e cereais integrais, bem como um aumento da ingestão de alimentos processados industrialmente. O aumento da incidência da doença também foi observado nos casos de imigração para países de dieta de maior risco, como por exemplo do Japão para os EUA, o que reforça uma possível correlação entre dieta industrializada e o câncer colorretal. Números da WHO indicam que se diagnosticado precocemente o câncer colorretal pode ter até 90% de sobrevivência do paciente por pelo menos 5 anos, porém apenas 8% de sobrevida nos casos diagnosticados em estágios mais avançados.

    O GPOI comenta
    O câncer é um conjunto de doenças de origem complexa e de causas múltiplas, onde fatores pessoais - como a idade e a genética de cada pessoa - interagem com fatores ambientais – como a poluição e a latitude onde a pessoa mora - e comportamentais – como fumar e beber - para aumentar ou diminuir risco de se vir a desenvolver a doença. Sobre muitos destes fatores não temos controle, mas sobre os que temos é possível tomar atitudes preventivas.

    Então, especialmente às mulheres que nos leem nesse mês da mulher, recomendamos tomar cuidados com os fatores comportamentais relacionados ao aumento de risco dos 3 tipos de câncer mais comuns nas mulheres no Brasil: exposição exagerada ao Sol, alto índice de massa corporal, baixa ingestão de frutas e vegetais, falta de atividade física, uso de tabaco e consumo de álcool. Além disso procurem se informar com seus médicos ou profissionais de saúde quais exames de detecção precoce do câncer seriam indicados no seu caso específico.

    Cuidem-se e vivam melhor!

    Fontes: [1] WHO World Health Organization – Skin Cancers [2] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Estimativas Câncer 2018 [3] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Pele não Melanoma [4] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Universidade Federal do Espírito Santo - Perfil Sócio Demográfico e Estádio Tumor de MamaPriscilla Ferreira e Silva; Maria Helena Costa Amorim; Eliana Zandonade; Katia Cirlene Gomes Viana - [5] WHO World Health Organization – Cancer Fact Sheet [6] WHO World Health Organization – World Health Report – Cancer

    ©2018 GPOI. Proibida a reprodução parcial ou total sem aprovação por escrito.

    Fevereiro 2018

    600 mil casos para 2018

    Documento "Estimativa 2018 Incidência de Câncer no Brasil" projeta 600 mil novos casos para o ano

    Desde 1995, a cada ano o Ministério da Saúde do Brasil em conjunto com o INCA – Instituto Nacional do Câncer – publica sua Estimativa Incidência de Câncer no Brasil, um documento que tenta prever os novos casos da doença que irão ocorrer no país. Em 2018, o documento foi apresentado no dia 2 de fevereiro, na sede do INCA no Rio Janeiro, como parte das atividades em torno do Dia Mundial do Câncer, o 4 de fevereiro.

    O documento visa principalmente apoiar os hospitais, clínicas, centros de saúde e gestores públicos e privados, no planejamento e alocação e recursos materiais e humanos para o combate à doença no período. Além disso suas informações podem ser usadas no esforço de comunicação para as atividades de detecção precoce e prevenção da doença.

    O Estimativa 2018 Incidência de Câncer no Brasil contém várias tabelas e gráficos, dividindo os números por tipo de câncer, sexo do doente e regiões do país, bem como comentários e análises sobre cada item. Na sua apresentação, os gestores do INCA alertaram para o fato que o câncer cresceu 20% na última década em todo o mundo e que a maior parte deste crescimento aconteceu nos países de média e baixa renda como o Brasil, o que alerta os entes públicos e da sociedade civil, ligados à prevenção e combate à doença, para redobrarem sua atenção e esforços.

    Outro tema debatido na mesma ocasião foi como a questão das “Fake News” - informações falsas divulgadas através de redes sociais como se fossem verdadeiras - podem afetar a compreensão da população sobre o câncer, sua prevenção, detecção precoce, combate, diagnóstico e prognóstico, sendo ressaltados o papel dos profissionais de saúde na educação e esclarecimento da população, além de seu papel funcional já esperado.

    Segue-se uma síntese dos resultados da ESTIMATIVA 2018, os 10 principais tipos de câncer previstos a ocorrer no país:

    1 Câncer de pele
    Para o Brasil, estimam-se 85.170 casos novos de câncer de pele não melanoma entre homens e 80.410 nas mulheres para cada ano do biênio 2018-2019. É o tipo de câncer mais incidente no Brasil em ambos os sexos, em todas as regiões do país.

    2 Câncer de próstata
    Para o Brasil, estimam-se 68.220 casos novos de câncer de próstata para cada ano do biênio 2018-2019. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de próstata é o mais incidente entre os homens em todas as Regiões do país.

    3 Câncer de mama
    Para o Brasil, estimam-se 59.700 casos novos de câncer de mama, para cada ano do biênio 2018-2019. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, esse tipo de câncer também é o primeiro mais frequente nas mulheres das Regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Na Região Norte, é o segundo tumor mais incidente (onde, nas mulheres, o câncer do colo do útero é o mais incidente depois dos de pele).

    4 Câncer de cólon e reto
    Para o Brasil, estimam-se 17.380 casos novos de câncer de cólon e reto em homens e 18.980 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019. É o terceiro mais frequente em homens e o segundo entre as mulheres.

    5 Câncer de pulmão
    Para o Brasil, estimam-se 18.740 casos novos de câncer de pulmão entre homens e de 12.530 nas mulheres para cada ano do biênio 2018-2019.

    6 Câncer de estômago
    Para o Brasil, estimam-se 13.540 casos novos de câncer de estômago entre homens e 7.750 nas mulheres para cada ano do biênio 2018-2019.

    7 Câncer do colo do útero
    Para o Brasil, estimam-se 16.370 casos novos de câncer do colo do útero para cada ano do biênio 2018-2019.

    8 Câncer da cavidade oral
    Para o Brasil, estimam-se 11.200 casos novos de câncer da cavidade oral em homens e 3.500 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019.

    9 Câncer do Sistema Nervoso Central
    Para o Brasil, estimam-se 5.810 casos novos de câncer do Sistema Nervoso Central (SNC) em homens e 5.510 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019.

    10 Leucemia
    Para o Brasil, estimam-se 5.940 casos novos de leucemia em homens e 4.860 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019.

    O GPOI
    O GPOI saúda mais essa Importante contribuição para as políticas nacionais de saúde trazida pelo Ministério da Saúde e o INCA – Instituto Nacional do Câncer – e lembra que cabe a cada um de nós se esforçar na prevenção, diagnóstico precoce e combate ao câncer para que, se possível, chegarmos ao final de 2018 com números reais da doença menores que os previstos na ESTIMATIVA.

    Fontes: [1] INCA Instituto Nacional do Câncer - INCA estima cerca de 600 mil casos novos de câncer para 2018 [2] INCA Instituto Nacional do Câncer - Estimativa 2018 Incidência de Câncer no Brasil

    ©2018 GPOI. Proibida a reprodução parcial ou total sem aprovação por escrito.

    Janeiro 2018

    5 resoluções de Ano Novo

    Nossas sugestões de resoluções de ano novo para você diminuir o risco de câncer.

    Chamamos de câncer o conjunto de doenças caracterizado por um processo de multiplicação descontrolada e anormal de células de nosso corpo, que uma vez começado, geralmente não para sem intervenção médica. Essa multiplicação descontrolada, crescente e sem parada de células defeituosas pode levar a sérios danos físicos e bioquímicos no nosso organismo e muitas vezes até a morte. A “quebra” do mecanismo de reprodução ordeira de uma célula, que dispara sua multiplicação doentia, pode ser provocada por uma série de fatores, pessoais e ambientais, que interagem de forma complexa e em muitos casos não completamente entendida pela ciência.

    No entanto, ao longo do tempo foram sendo identificados fatores que tem grande correlação estatística com o aparecimento da doença, em outras palavras, fatores que quando presentes aumentam a chance de seus portadores virem a ter a doença. Sobre parte deles temos algum grau de controle – como o que comemos, por exemplo – sobre outros – como a herança genética que recebemos de nossos pais e nossa idade – não temos. Dado isso, se eliminarmos ou diminuirmos em nossas vidas o fatores sobre os quais temos controle, fatores que sabemos aumentar o risco de câncer, podemos estar diminuindo em parte a chance de virmos a desenvolver a doença. Para tanto, segue então nossa sugestão de resoluções de ano novo:

    Resolução 1: Manter um peso saudável.
    O excesso de peso corporal está fortemente associado ao aumento de risco de 13 tipos de câncer: esôfago (adenocarcinoma), estômago (cárdia), pâncreas, vesícula biliar, fígado, intestino (cólon e reto), rins, mama (mulheres na pós-menopausa), ovário, endométrio, meningioma, tireoide e mieloma múltiplo. Além disso, também foi encontrada alguma relação estatística (a ser melhor estudada) entre obesidade e os cânceres de próstata (avançado), mama (homens) e linfoma difuso de grandes células B. [1]

    Resolução 2: Limitar a ingestão de bebidas alcoólicas
    O etanol, quando consumido em quaisquer quantidades, pode aumenta o risco de câncer de boca, faringe, laringe, esôfago, estômago, fígado, intestino (cólon e reto) e mama (pré- e pós-menopausa). [2]

    Resolução 3: Parar de fumar
    O tabagismo tem relação com vários tipos de câncer (pulmão, cavidade oral, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga, colo do útero e leucemias) e é responsável por cerca de 30% das mortes por câncer.

    O principal câncer associado ao tabagismo é o de pulmão. Fumantes chegam a ter 20 vezes mais chances de ter esse tipo de câncer que não fumantes, 10 vezes mais chances de ter câncer de laringe e de duas a cinco vezes mais chances de desenvolver câncer de esôfago. [3]

    Resolução 4: Proteger-se do Sol
    Exposição prolongada e/ou repetida ao Sol é o maior fator de risco para o câncer de pele. Em um país tropical como o Brasil e de grande prevalência dos habitos de ir à praia e lazer ao livre, o câncer de pele é o mais frequente no país e corresponde a 30% de todos os tumores malignos registrados. [4][5]

    Resolução 5: Precaver-se contra as doenças virais ligadas ao câncer
    Há fortes evidências científicas que algumas infecções virais induzam ao câncer. Estima-se que 18% dos cânceres no mundo sejam provocados por agentes infecciosos (percentual que os coloca, ao lado do fumo, como os agentes cancerígenos mais importantes). O principais são: Papilomavírus humano (HPV), Vírus da hepatite B (HBV), vírus da hepatite C (HCV), Vírus Epstein-Barr, Herpes vírus 8 (HHV8) e Vírus T-linfotrópico humano tipo I (HTLV-I). [6]

    O GPOI comenta
    Muitas pessoas se incomodam com o caráter probabilístico da vida, com o fato que não temos controle total sobre o que nos acontece. Por mais esforçados e bem intencionados que sejamos, o acaso sempre está envolvido, em maior ou menor grau, nos resultados. Em particular para uma doença grave como o câncer, gostaríamos de ter uma “receita de bolo” comportamental infalível, que se seguida, nos livrasse de um dia vir a desenvolver a doença. Infelizmente, esta receita não existe.

    No entanto, a ciência vem acumulando, ao longo das décadas, uma série de evidencias sobre fatores que aumentam o risco do câncer. Tentarmos evitar ou diminuir estes fatores, diminuindo a chance de vir acontecer conosco é nossa sugestão para um bom conjunto de resoluções de ano novo. Pode diminuir as chances de doença em 2018 e nos próximos anos. Feliz Ano Novo!

    Fontes: [1] INCA – Instituto Nacional de Câncer - INCA lança posicionamento com indicações para evitar sobrepeso e obesidade, que estão relacionados a treze tipos de câncer [2] INCA – Instituto Nacional de Câncer - Bebidas alcoólicas [3] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Tabagismo [4] INCA – Instituto Nacional de Câncer – PELE NÃO MELANOMA [5] INCA – Instituto Nacional de Câncer - PELE MELANOMA [6] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Infecção e câncer

    ©2018 GPOI. Proibida a reprodução parcial ou total sem aprovação por escrito.